domingo, 17 de janeiro de 2021

2021: Ano novo, velhos problemas + Metas 2021

O novo ano já começa com os velhos problemas de 2020, a pandemia segue intensa, com gente morrendo aos montes e muito mais infectados do que antes, o que vejo aqui no interior é recordes e recordes de infectados, isso mostra que ninguém e nenhum lugar está a salvo da pandemia.

O governo continua perdido e falando nada com nada, o negacionismo da vacina é impressionante, o mais curioso é a quantidade de pessoas que questionam a segurança das vacinas, e que ao mesmo tempo apoiam o uso de medicamentos que não tem nenhum estudo sério respaldando, e que apoiam apenas com base em ‘especialistas de Facebook’ que normalmente tiram suas teorias de dentro da bunda.

Se o governo não fala nada com nada, o Congresso por outro lado continua fazendo nada. Faz meses que a produtividade que nunca foi das melhores caiu para quase zero, o que tivemos de relevante aprovado em 2020? O Marco do Saneamento é provavelmente o grande destaque e convenhamos não deveria ser dele o título apesar da relevância setorial, o mais incrível é que tudo parece estar parado por conta de “egos”.

A economia mostra sinais de cansaço com o fim do auxílio emergencial, vários setores já estão sentindo uma pesada desaceleração, o desemprego em 14% segue com viés de alta, a SELIC artificialmente mantida baixa para estimular a economia já perdeu faz muito tempo o seu poder de estimular a economia e agora só resta o crescimento do seu maior efeito colateral (inflação), o dólar nas alturas é a faca de dois gumes, de um lado favorece a exportação, do outro lado dificulta a importação de equipamentos para a indústria brasileira que é dependente de outros países e atrasada tecnologicamente.

Lá fora os EUA já vivem clima de fim de festa com o Trump mostrando que não sabe perder uma eleição, o grande problema de Trump é que seu governo radicalizado gerou um governo sucessor com igualmente potencial de radicalização, foi o antagonismo que alimentou o surgimento de uma linha mais a esquerda nos Democratas e que certamente vai pressionar o governo Biden. O Brexit finalmente aconteceu, mas sinceramente o Reino Unido já não é um protagonista da economia global faz muito tempo, o máximo que vai conseguir é continuar sendo um coadjuvante por mais uma ou duas temporadas. O discurso ambientalista de Macron parece ser sustentado apenas no interesse de garantir a perda de espaço do agronegócio brasileiro para garantir espaço para o agronegócio francês na Europa.

É difícil ficar animado com todo esse cenário, a única escolha é arregaçar às mangas e ir atrás daquilo que depende de nós mesmos e é por isso que mais uma vez faço minhas metas anuais, é nelas que vou guiar o meu novo ano.

METAS DE 2021

  • Patrimônio de R$ 220.000,00 em 31 de dezembro de 2021.
  • Aporte de R$ 28.176,50 ao longo do ano.
  • Recebimento de R$ 2.000,00 em dividendos.
  • Rentabilidade anual de +5,0% no patrimônio.
  • Melhorar meu desempenho e desenvolvimento no trabalho.
  • Encerrar o ano com peso abaixo de 78kg.
  • Fazer uma bateria de exames básicos de saúde.

Encerro deixando para vocês uma pequeno diálogo retirado de um livro clássico:

Alice perguntou: Gato Cheshire... pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?
Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato. 
Eu não sei para onde ir! – disse Alice. 
Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

 Alice no País das Maravilhas (1865)

 

Esse blog não tem a intenção de recomendar investimentos para ninguém. Trata-se apenas um blog pessoal, o objetivo é relatar minha opinião pessoal sobre o tema de investimentos e outros assuntos. NENHUMA postagem ou comentário neste blog deve ser levada em consideração na tomada de investimentos por ninguém. Caso deseje orientação sobre investimentos recomendo que procure assessoria especializada no assunto.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Fechamento Dezembro/2020: R$ 184.984,10 (+1,09%)

Senhoras e senhores, o ano de 2020 está oficialmente encerrado. Já no novo ano vamos para o último fechamento mensal e dessa vez o post é especial.

Esse post é composto por três tópicos: Fechamento mensal de dezembro, análise da carteira em 2020 e "Metas de 2020: Projetado vs. Realizado. Não haverá o já quase que tradicional comentário de algum assunto ou notícia como eu vinha fazendo. 

Agora vamos para o que interessa.

FECHAMENTO DE DEZEMBRO/2020


Quando novembro terminou eu acreditava que seria muito difícil um mês tão bom ser seguido de um mês também muito bom, entretanto acabei sendo surpreendido por um dezembro acima das expectativas. A carteira entregou uma rentabilidade de +1,09% no mês, fiquei extremamente satisfeito com o resultado.

Nesse mês eu não aportei nenhum valor, claro, tal como no mês de novembro isso não quer dizer que não sobrou nada do meu salário, o que eu fiz foi destinar todo o valor para o meu “Fundo de Gastos Pessoais”, entretanto ainda não sei se vou conseguir gastar mesmo esse “fundo” ou vou acabar revertendo-o para investimentos, é algo que vou decidir em janeiro.

ETF’s: O IVVB11 continua como o único que eu tenho em carteira, nesse mês ele apresentou valorização positiva e por mais que minha estratégia não envolva a análise técnica de ativos, ele tem oscilado a maior parte do tempo entre R$ 205 e R$ 211, entretanto esporadicamente surge algumas oportunidades abaixo dos R$ 205. A análise técnica não é algo que me aprofundo e não uso para fins de definição de investimentos. Eu continuo gostando do ativo pela combinação de “dólar + S&P500”.

Ações: Um mês bacana para a carteira. Quero destacar o setor bancário, com Itaúsa e Bradesco entregando “data-com” e voltando a pagar dividendos como se espera desse setor tradicionalmente generoso nos proventos, o Conselho Monetário Nacional vai decidir no primeiro trimestre se vai liberar os bancos para distribuir mais dividendos. A Sanepar é um sinal de alerta na carteira, e foi um balde de água fria no final do mês, pelo que entendi o governo do Paraná liberou o aumento da tarifa de consumo, porém ela veio muito abaixo do que se esperava, pois, a tarifa foi represada por muito tempo na pandemia, pelo que entendi o órgão responsável por autorizar os reajustes vai considerar o impacto do reajuste menor em 2021 nos próximos reajustes, é ver para crer.

FII’s: Continuam todos andando de lado. Aqui não tem muita novidade, eu continuo não acompanhado de perto nenhum dos meus fundos e tenho uma dificuldade imensa em escolher ativos para a carteira, entretanto gosto da baixa oscilação e do dinheiro pingando.

Renda Fixa: Os títulos do Tesouro performaram bem durante o mês, entretanto estou começando a ficar preocupado com a inflação e o populismo econômico, se o governo continuar com medidas populistas e se prorrogar os gastos extras com a pandemia acho que a inflação vai subir e ainda não sei se é no dólar ou no IPCA+ que vou encontrar uma boa proteção, quem sabe não seja em um fundo de IMAB+5? Enfim, satisfeito com o resultado do mês, mas preocupado com o futuro.

Vida Profissional: Dezembrão chegou, as demissões aparentemente cessaram, fala-se na rádio peão que vai começar um novo ciclo de demissão no começo desse ano. No cotidiano no trabalho, é a correria tradicional de final de ano, com dias muito estressantes. O resultado principal das demissões é que a carga de trabalho de todo mundo aumentou bastante. A empresa vai aumentar a cobrança por resultados maiores nesse 2021, espero que o facão continue longe de mim.

Vida Pessoal: Sem fatos relevantes.

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ANÁLISE DA CARTEIRA EM 2020


Eu imagino que isso surpreenda muitos de vocês, pois é, sou um “jovem idoso” e minha carteira é composta principal de Renda Fixa.

Hoje eu tenho 76% dos ativos em Renda Fixa, sendo que 63% está em pós-fixados e 13% em pré-fixados. Isso é fruto do saldo da minha carteira nos anos anteriores que basicamente tinha apenas ativos de renda fixa, a primeira diversificação que eu fiz foi comprar títulos pré-fixados e só finalzinho de 2019 é que entrei de vez na renda variável.

A Renda Variável, representa aproximadamente 24% da minha carteira. As ações somam 11%, os Fundos Imobiliários são 6%, o ETF é 7% e os Fundos Multimercados somam menos de 1%.

É por essa característica de ¾ em Renda Fixa que eu tenho oscilações menores de rentabilidade, ao mesmo tempo em que isso limita meus ganhos isso também me garantiu tranquilidade em épocas mais conturbadas como o auge do pânico nos mercados em março.

Vamos dar uma olhada mais de perto na minha carteira de ações?



Hoje 36,5% da carteira de ações é composta pelo setor financeiro, a maior parte por Itaúsa, é difícil para mim imaginar minha carteira sem esse setor, é sólido e paga bons dividendos. É seguido por outro setor bom pagador de dividendos e estável, Utilidades Públicas, com 33,5%, dominado pela Taesa e pela Sanepar em menor grau, a grande curiosidade é que aqui estão às duas únicas ações da carteira com rentabilidade histórica negativa (Sanepar e Engie Brasil). Os outros setores somam apenas 1/3 da carteira de ações, ali estão ações que não comprei por dividendos e sim pois eu acredito na capacidade de entrega de resultados de longo prazo, em especial o setor de Saúde, que hoje é muito pouco representativo na minha carteira e eu acho que tem um bom potencial para o longo prazo.

Agora os fundos imobiliários:



Aqui eu já falei que não entendo muito nas nuances do setor, a maioria destes fundos acabei comprando pela característica principal do fundo e pelo DY. Eu confesso que talvez alguns deles não sejam os queridinhos do mercado em gestão e qualidade de ativos, e que pode haver opções melhores, mas na época que eu comprei eu considerei adequados e não pretendo vender.

Abaixo uma tabela com o DY Médio nos últimos 12 meses de cada Fundo Imobiliário, essa não é a média de recebimento da minha carteira e sim a média do fundo, resolvi trazer aqui para vocês terem uma ideia de como eles tem pagado:


Agora vamos dar uma olhada nos Proventos e Dividendos que efetivamente eu recebi nesse ano, vamos usar o meusdividendos.com que é por onde controlo o desempenho da minha carteira de renda variável:


Em 2019 foi quando eu comecei a investir em renda variável, entretanto fiz as primeiras compras apenas no finalzinho do ano e com isso não consegui receber nenhum real de dividendos.

Em 2020, os dividendos começaram a pingar aos poucos e depois começaram a criar um ritmo bacana de crescimento. O total de R$ 919,13 recebidos é quase 88% do valor do salário mínimo vigente, ou seja, o meu esforço para economizar um pouco de dinheiro me trouxe quase um salário mínimo extra, é gratificante saber dessa informação, pode parecer pouco no pinga-pinga, mas no conjunto da obra é um valor bem bacana.

Por último, vamos conferir como o desempenho da carteira no acumulado de 2020 se compara com alguns indicadores:


A carteira entregou 4,9% de retorno nesse ano, é mais do que o CDI, o Ibovespa e a Inflação, ou seja, acho que é algo para se comemorar, não sou nenhum gestor profissional e acho que acabei “vencendo o mercado” se comparar com alguns indicadores de referência.

O curioso na rentabilidade é que os 4,92% de 2020 é praticamente idêntico aos 4,93% entregues em 2019, acho que foi uma coincidência interessante. 

É isso... está feita a análise da carteira.


METAS DE 2020: PROJETADO VS. REALIZADO

1.   Aportar R$ 26.958,00 ao longo dos 12 meses.

OK. Consegui aportar R$ 38.137,67 ao longo dos 12 meses, com um detalhe importante, só não consegui entregar um valor maior, pois destinei no final do ano uma quantidade muito significativa para esse “fundo de gastos pessoais”.

2.   Alcançar uma rentabilidade de 5,50% no ano.

A rentabilidade foi de apenas 4,92% nesse ano. A pandemia deu uma boa segurada no desempenho, e a exposição ao CDI que simplesmente despencou muito mais do que o que eu projetava também prejudicou o desempenho dos pós-fixados.

3.   Alcançar um patrimônio de R$ 172.458,00.

OK! Consegui fechar o ano com R$ 184.984,10, o que é muito mais do que o projeto, na realidade, a meta do patrimônio tinha sido entregue ainda em setembro. Eu confesso que cheguei a pensar no auge da pandemia que não ia conseguir chegar na meta.

4.   Buscar melhorar meu relacionamento interpessoal.

Não acho que consegui melhorar significativamente, é uma coisa que tenho que persistir melhorar e principalmente com pessoas que não conheço, sei lá, é algo que incomoda.

5.   Melhorar meu desempenho no trabalho.

Acho que melhorei meu desempenho, tenho desenvolvido novas atividades, porém ainda acho que estou abaixo do que eu espero de mim, melhorei? Sim, mas ainda não acho que cheguei no que considero como ideal. De qualquer forma seria injusto não considerar esse indicador como entregue.

6.   Fazer algum curso, certificação, pós-graduação ou idiomas.

Acabei fazendo um curso no começo do ano que foi extremamente útil para o trabalho. Infelizmente a pandemia (e a procrastinação) não ajudaram a tirar do papel pós-graduação ou idiomas.

7.   Realizar uma bateria de exames básicos de saúde.

Eu já tinha feito no ano anterior e repeti nesse ano. Os resultados foram em geral muito positivos, fiquei satisfeito.

8.   Fechar 2020 com um peso abaixo de 78kg.

A pesagem de quarta-feira (30) indicou um peso de 77kg, durante o ano oscilei no peso dentro da faixa de 76kg-78kg e acho que é o patamar confortável para o meu peso, não fiz academia e nem esportes, o meu IMC está dentro do que é considerado como normal.

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Desejo um excelente 2021 para todo mundo, sem dúvidas o último ano foi difícil e espero que todos fiquem bem e prosperem nesse novo ano.

As metas de 2021 eu estou definindo e devo divulgar no próximo post.

 IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Reflexões sobre 2020

Olá, pessoal!

Estamos a poucos dias do final de 2020, foi um ano desafiador para todos nós, mas acredito que é nas dificuldades que podemos aprender grandes lições e por isso resolvi compartilhar com vocês algumas reflexões sobre esse ano.


- As pessoas no geral tem uma dificuldade extrema em se manterem "distantes socialmente": Pois é, acho isso uma das coisas mais interessantes do nosso ano, caramba, quando a pandemia começou o negócio era suspender bares, restaurantes e reuniões sociais, mas a galera parece não se aguentar, primeiro o drama por estar longe a pasmem 8 ou 10 dias de uma aglomeração, depois com a justificativa de "estamos cansados" voltando todo mundo a se aglomerar.

- A histeria coletiva da pandemia: o vírus de dezembro de 2020 é o mesmo de março de 2020, a forma como as pessoas interagem com o vírus é totalmente diferente, em março todo mundo tinha medo do coronavírus, até mesmo um pânico excessivo, conheço gente que precisou de amparo psicológico, mas de junho pra cá o pessoal deu uma virada e ninguém mais tem medo do vírus, galera tem agido como se fosse uma "gripezinha".

- As "LIVES" sempre foram uma ideia ruim: no começo da pandemia era bonitinho postar um stories no Instagram fazendo um churrasquinho e bebendo cerveja em casa com a TV ligada no fundo na live de algum artista qualquer, mas vamos ser sinceros aqui? Ninguém suporta LIVES, aquilo é tosco, é chato, é insuportável de se assistir por mais que alguns minutos. A modinha não durou nem 30 dias, hoje em dia ninguém mais liga para essa tosquice.

- Bolsonaro gosta de ser contra qualquer coisa, só pelo prazer de ser contra: O presidente mostrou nesse ano que o que ele gosta é de ser do contra, independente do quão absurdo seja algo e do quão grande seja o consenso a respeito de alguma coisa, ele é simplesmente contra, e  tem orgulho de ser contra. Aqui não vamos falar nem da pandemia, ele joga contra conceitos óbvios sobre preservação ambiental, raça e mais um monte de coisas.

- O governo não tem plano nenhum para o Brasil: Em 2020 o governo não fez nada de relevante para o país, o próprio auxílio emergencial foi construído em um improviso dramático no Congresso, depois de criar o gasto o governo se viu enrolado pois como é típico do Brasil é quase impossível eliminar um gasto. A agenda de reformas simplesmente já não existe nem em palavras, é tudo empurrado com a barriga, o próprio presidente não está interessado nisso. O Paulo Guedes só solta palavras aleatórias ao vento, prometendo um monte de coisa que não é capaz de fazer (tal como as privatizações que prometeu entregar em 90 dias) e sempre prometendo uma grande medida para a semana que vem. Não existe agenda nesse governo. 

- O SUS é um orgulho nacional: No geral os brasileiros adoram odiar o SUS, todo mundo reclama da qualidade do atendimento, e os liberais querem um estado mínimo (o que envolve obrigatoriamente o fim do SUS), na realidade nesse ano eu percebi a importância vital dele para o país. O nosso país é muito pobre e a maioria das pessoas não tem condições de pagar um plano de saúde privado e com o emprego nas empresas sendo destruído é cada vez mais limitado o acesso pelos planos empresariais. A saúde privada no Brasil é proibitiva para o brasileiro pobre, por isso eu defendo a manutenção do SUS.

- Desempenho mínimo no trabalho? O máximo é o mínimo. Na iniciativa privada brasileira para você se manter no "jogo" é preciso rodar o tempo inteiro a 100% da capacidade física e mental esperada (não necessariamente é a sua capacidade), qualquer coisa que não seja a plenitude absoluta vai te jogar pra fora rapidamente, acho que caminhamos para resultados desastrosos em longo prazo. Alguém se importa com isso? Infelizmente eu acho que não.

- A queda da bolsa que parecia ser educativa, foi justamente o contrário: Quando a bolsa mergulhou de 115 mil pontos para 105 mil pontos, a turma da "modinha dos investimentos" falava em oportunidade para compra, depois quando ela vou parar na faixa dos 60k-70k, começou um clima de fim de mundo e a galera parecia estar de volta a um pouco de racionalidade, porém a recuperação rápida da bolsa enquanto a economia real está aos frangalhos, fez com que a turminha da modinha se sinta ainda mais confiante, pois eles sobreviveram a três semanas de perdas, e depois a recuperação da bolsa faz eles imaginarem que aguentam perdas, pois é, ainda quero ver se a galerinha conseguiria aguentar um período de como foi 2010-2015, onde quando a bolsa ficou andando de lado por anos.

- Uma bolha de ativos tecnológicos é o legado da crise: Tudo bem, é inegável que empresas ancoradas em serviços digitais se deram muito bem em 2020, é óbvio que Amazon, Netflix, Magazine Luiza e sua turma mereciam uma alta das ações. A reflexão que deixo é: essas empresas justificam tamanha valorização? Seus múltiplos estratosféricos são sustentáveis? 

- O excesso de liquidez está mantendo infladas as expectativas sobre "castelos de areia": Tem muita empresa ruim no mercado, tem empresa sendo avaliada por bilhões de dólares e que não tem se mostrado capaz de entregar resultados práticos, empresas que prometem ser disruptivas mas só entregam prejuízos trimestre após trimestre. O sucesso da Amazon em sair de anos de prejuízo para uma potência global, fez com que alguns acreditem que qualquer amontoado de merda é capaz de fazer a mesma coisa, independente do quão frágil é sua estrutura ou tão inflados seus múltiplos. O mais interessante é ver analistas criando novos critérios que levam você de nada pra lugar nenhum, mas tem um conceito bonitinho e assim desviam os focos para os fundamentos que realmente importam.

- Em investimentos é preciso estar preparado para o improvável: Quem aqui na blogosfera imaginou em 1 de janeiro que a SELIC despencaria para 2% em 2020? Acho que ninguém. Você imaginava ver o barril de petróleo sendo negociado com preços negativos? Eu não. A verdade é que o cenário improvável se tornou real e será que não é hora de parar um pouco e olhar os riscos envolvidos na nossa carteira de investimentos? Aquele CDB do banco pequeno, está valendo o risco? Aquela reserva de emergência em Tesouro Direto tem liquidez suficiente para ser uma reserva de emergência igual os "influencers" tanto recomendam? Será que aquela ação para aposentadoria que você comprou vai continuar relevante daqui 30 anos? 

- Os influencers de investimento do Youtube e Instagram se multiplicaram: tem muita gente que não sabe de bosta nenhuma que vomita conteúdo e fatura muita grana na internet só falando merda e fazendo caras e bocas, um contingente ainda maior vai atrás desses caras pois acha que são isentos. Depois quem fica com o prejuízo é quem seguiu a "dica valiosa", pois infelizmente são poucos os que realmente tem compromisso com o público e conhecimento.

- A "caridade por Instagram" explodiu em 2020: O Instagram é uma terra de egos elevados, todo mundo é perfeito por ali. O que eu achei interessante é que explodiu a quantidade de anônimos e famosos que usaram as  redes sociais para mostrar para todo mundo o quanto são caridosos e preocupados com o próximo. Seja por publicações de artistas e atletas que fizeram doações para o combate a pandemia, ou aquele conhecido seu que foi doar uma cesta básica para uma família necessitada mas que obviamente precisou escandarar a situação humilhante dos receptores da doação para que ele pudesse posar de bom samaritano. 

        - Liberalismo? Opa, sim! Mas só para os outros.: É maravilhoso ver um monte de apoiadores do liberalismo, que prega o desmonte do estado, dos direitos, impostos mínimos e etc pedir e apoiar programas de incentivo a indústria, comércio e tudo mais para as empresas, pedir socorro governamental na pandemia, ora bolas, pensei que o "mercado" iria se regular na pandemia e resolveria todos os problemas como mágica. Francamente, é muito fácil falar do alto de seus apartamentos e mansões em bairros nobres de São Paulo e Brasília e ignorar a vida real do brasileiro que lida com um país sucateado. 

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Se tudo der certo vamos se encontrar novamente em 2021, desejo desde já um ótimo e socialmente distante final de ano para todos. 

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Esse blog não tem a intenção de recomendar investimentos para ninguém. Trata-se apenas um blog pessoal, o objetivo é relatar minha opinião pessoal sobre o tema de investimentos e outros assuntos.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Fechamento Novembro/2020: R$ 182.981,43 (+1,68%)

 


Mais um mês encerrado, e desta vez reviso aqui no blog um conteúdo produzido por um site de primeira linha, o pessoal do VISUAL CAPITALIST, trouxe esse gráfico sobre o histórico global das taxas de juros, o trabalho nada mais envolveu do que converter em gráfico os dados fornecidos pelo Banco da Inglaterra, entretanto é bom ressaltar que não trata-se apenas dos juros na Terra da Rainha e sim de um cenário global, começando nos empréstimos de nobres no século XIV e chegando no mercado online de dívida de 2020.

O que ele mostra é que historicamente as taxas vivem momentos de altas e baixas, porém a linha de tendência aponta para baixo. O gráfico termina com dados de 2018 e com isso não retrata o impacto da pandemia. Acho que não tenho muito a comentar sobre o gráfico, ele fala por si mesmo.

Vamos ao fechamento mensal:


Que mês, senhores... que mês! A rentabilidade de +1,68% é o meu recorde absoluto de retorno mensal, ele supera o recorde anterior de +1,38% alcançado em Abril, porém não posso dizer que são diretamente comparáveis e isso só reforça a excepcionalidade de novembro. Em Abril, o desempenho foi bom, mas ele partiu de uma base fraca, agora o desempenho foi bom e partiu de uma base que mesmo não sendo incrível (+0,16% em outubro) é uma base positiva e relativamente próxima do CDI.

Na verdade essa alta da bolsa foi construída ao longo do mês, eu tentei não ficar empolgado com o possível recorde pois no mês passado cheguei a alcançar +1,29% antes de a carteira mergulhar e se contentar com um +0,16%. 

O aporte do mês foi referente a compra de SAPR4 (Sanepar), foi meu único ativo do mês e é fruto exclusivamente do recebimento de dividendos/juros sobre capital próprio durante o mês. Esse também foi o mês com o recorde de dividendos recebidos, um total de R$ 230,13.

Esse aporte pequenininho do mês não quer dizer que gastei todo meu salário, na verdade eu tive um mês normal de gastos e o que sobrou não foi mandado para os investimentos e sim para o meu Fundo de Gastos Pessoais, decidi que ele receberia todos os valores pois pretendo fazer um gasto estético no primeiro trimestre e já estou provisionando o valor.

ETF'S: O IVVB11 subiu em comparação com o último mês, mesmo com a queda da cotação do dólar, o contrapeso da economia americana que vive uma fase de melhores expectativas conseguiu deixar em um saldo positivo a balança do índice. É por isso que eu gosto desse ativo, ele me conforta com a exposição a moeda forte + exposição ao incrível S&P500. 

Ações: A recuperação do setor financeiro que tem um peso de 1/3 da carteira foi primordial para o resultado do mês. O destaque em especial fica por conta de Itaúsa que subiu, impulsionada pela perspectiva do Itaú entregar resultados melhores e eu particularmente achei incrível a ideia de a Itaúsa se tornar uma das 'donas' da XP. Eu gosto do ativo e particularmente estou animado com ele. 
Outra ação que merece destaque no mês é TAEE11, que pagou ótimos dividendos e além disso viu a ação sair do andar de lado na faixa dos R$ 28 para oscilar na faixa dos R$ 32. Eu confesso que quero conhecer melhor o setor, fico muito animado com o ramo de energia e ainda mais com o de transmissão, parece bom demais para ser verdade. 

FII's: Não aportei durante o mês em fundos imobiliários e não dei muita atenção para esse segmento da carteira. Na verdade eles ficaram meio "mornos", andaram de lado, a cotação subiu mais nada muito expressivo e os dividendos eu fiquei um pouco decepcionado com MXRF11 que reduziu em R$ 0,01 os dividendos, o que é expressivo pela cotação do fundo. A minha lógica com FII's é apostar na renda que eles podem me dar, não fico olhando FIIs pensando em ganhar com a valorização da cota.
Eu reconheço que não dou muita atenção aos fundos imobiliários na carteira, quero ver se consigo pegar para estudar a fundo os que já tenho.

Renda Fixa: Andando de lado, impressionante como o preço dos títulos públicos federais não acompanharam o otimismo do mercado e se mantém com um humor que não é dos melhores. Acabei não comprando nada, porém acompanhei o Tesouro Pré-Fixado 2026 e vi ele passando várias vezes acima de 7,5% a.a, é interessante? Se isso me fosse perguntado um ano atrás eu diria que sim, mas hoje eu não sei se faz tanto sentido pra minha carteira comprar um título nessa taxa em um cenário tão complicado das contas públicas.

Vida profissional: No último mês eu comentei que as demissões se intensificaram no mês de outubro, eu também disse que a rádio peão falava que vinha mais facão em novembro, o que aconteceu? Veio mais facão e mais gente foi demitida, foi mais do que em outubro? Não, mas ainda assim foi bem acima dos outros meses. A expectativa do pessoal é que em dezembro não aconteçam novos cortes, mas a galera acha que no primeiro trimestre eles voltam. É rádio peão? É, mas ela tem acertado.

No cotidiano do trabalho eu continuo em nova função desde julho, entretanto continuo oficialmente no mesmo cargo de antes, na prática é uma mudança lateral e não faria jus a qualquer mudança salarial, segue o jogo.

Vida Pessoal: No começo do mês senti os sintomas e fui diagnosticado com COVID-19. Foram alguns dias de sintomas (uns cinco dias) e não foi fácil, senti muita dor de cabeça, febre, dor no corpo (o sintoma mais persistente) e tosse seca. Eu fiquei bem mal, porém não precisei ficar internado e nem nada do tipo, os remédios faziam efeito por pouco tempo, e como eu estava isolado em casa eu aproveitava esse tempo para vir aqui na blogosfera. Depois eu me recuperei e agora estou me sentindo bem. Não é uma gripezinha!

Do resto minha vida pessoal não mereceu nenhum fato de destaque durante o mês.

Planejo fazer mais um post no meio do mês e depois apenas no começo de janeiro onde vou fazer o fechamento mensal + anual + detalhamento da minha carteira de 2020.

Fui incluído no ranking do Engenheiro Investidor, é um clássico da finansfera esse tipo de ranking, é tão nostálgico e me faz lembrar do Pobretão.
 
-IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

VIDA NO INTERIOR: Como é o lazer por aqui?



Ah, tem coisa melhor do que sair do trabalho na sexta-feira? Meu Deus, é tão libertador não é mesmo? Depois de uma semana de muito trabalho, horas extras, pressões e tudo mais do que você pode imaginar finalmente você vai ganhar uns dias de descanso. 

Em um grande centro você já pode começar a se preparar para algum festival de música, visitar um shooping center e ir no cinema ou mesmo andar de bicicleta em um maravilho parque urbano enquanto respira a saudável poluição de uma metrópole. E no interior? Bom, o interior é sempre vendido como um lugar pacato, onde a coisa mais interessante a se fazer é sentar na calçada de casa e apreciar os pássaros enquanto conversa com seus vizinhos. 

Bom, na prática tem muita coisa pra se fazer nas horas vagas por aqui! Listei algumas das gratificantes atividades que você pode fazer por aqui nos finais de semana:

Você pode ir em um posto de combustível. Os postos são os points da maioria das cidadezinhas, todas tem um posto que serve de aglomeração dos jovens nos finais de semana. 
No geral, o que as pessoas fazem lá? Bom, vai todo mundo pro posto na sexta e sábado a noite, o negócio consiste em simplesmente estacionar o carro, colocar o som pra tocar um sertanejo e ficar lá. Os filhos dos barões das cidades costumam encostar suas S-10 ou Hilux, mas se você é apenas mais um qualquer de classe média é bom ter uma Fiat Strada ou VW Salveiro pra encostar por lá com um som bom. Ok, conseguiu o carro? Ótimo! O próximo passo é tudo mundo sentar na porta do compartimento de carga e ficar lá bebendo cerveja (ou tereré/chimarão se for de dia). As gurias da cidade vão encostar por lá no posto e quem sabe você não se enlaça com alguma.

Se você quer um programa pro sábado ou domingo a tarde também temos algumas opções:

Que tal passar algumas horas nas famosas "prainhas" ou cachoeiras? Bom, se você mora no interior eu tenho 100% de certeza que você não mora a mais do que uma hora de uma boa cachoeira ou uma praia de rio. Esse é o tipo de programa que bomba no verão.

No caso das cidades com praias de rio, é quase certo que também terá um clube náutico ou condomínio fechado próximo ao rio, normalmente a galera das elites da cidade vão ter uma casa ou serão sócios dos clubes, essas cidades são bem concorridas, a galera das grandes cidades do interior costumam também ir pra lá aos finais de semana e fica tudo bem lotado de lanchas. Mas e se você só for mais um cara qualquer? Também pode ir pra lá. Talvez, a diferença entre você e o pessoal mais rico é que você terá que pagar um barquinho ou lancha que faça o serviço de transporte para a prainha, isso pois as praias não costumam ficar na beira do rio próxima a cidade, normalmente elas ficam fora da rota de estradas e pelo menos alguns quilômetros de um povoado.

As cachoeiras são ambientes que podem ser mais democráticos ou não, muitas cidades já comercializam esses ambientes, como elas costumam ficar dentro de propriedades privas é comum os donos cobrarem algum tipo de ingresso para entrar lá e ir até a cachoeira. O negócio é igual a prainha, mas no normalmente é só a galera da cidade mesmo ou alguns turistas aventureiros que aparecem por lá.

Independente de se é a praia ou cachoeira é bom você levar de casa: a barraca, as cadeiras, a comida e a bebida, em poucas praias existem esse tipo de estrutura, pois como falamos de praias de rios é impossível você construir uma estrutura fixa, pois o rio sobe durante a cheia. No caso das cachoeiras é mais impossível ainda, elas ficam sempre no meio da mata fechada e por questões logísticas e legais não dá pra sair construindo por ali.

Se você quiser também pode ir para pescar, aqui mesmo na minha cidade a pescaria é uma verdadeira febre. Na temporada de pesca os rios ficam cheios de barcos do pessoal que acampa o final de semana inteiro, eu confesso que não sou fã da experiência, mas tem quem goste. Infelizmente, você não vai pegar tantos peixes como imagina.

Não gosta de água? Bom, algumas cidades tem opções de hotéis fazendas ou turismo ecológico. Isso nem sempre é comum, mas também garanto que se você procurar consegue encontrar opções bacanas que poderá ir de carro no final de semana com sua cremosa(o) e relaxar. Esses hotéis são bem aquele conceito de interior, normalmente próximo a áreas de conservação, dão opções de trilhas, andar a cavalo, comida caseira, hospedagem normalmente em chalés (o que dá um pouco mais de privacidade) e tem uma piscina pra você curtir. Tem sempre uma galera que combina de ir em grupo nesses hotéis, passa-se o final de semana com a galera, faz um churrasco legal e dormem no mesmo chalé (que são projetadas para comportar bastante gente).

OS FESTIVAIS!

Em cidades de forte colonização europeia é muito comum algum festival temático daquela cultura, então sempre tem uma festa italiana, alemã ou eslava pra você participar na região. Muitas vezes relacionada com a época de colheita ou o santo padroeiro. Quem organiza normalmente é a prefeitura, a Igreja, a associação de produtores rurais ou de tradições.

A programação depende muito da cidade, normalmente elas duram uns 3 ou 4 dias, mas tem cidades que a programação é para a semana inteira. Tem um festival de culinária para você provar as comidas típicas da cultura ou da região, tem danças tradicionais, algumas tem rodeios, outras tem leilões de animais e competições de criadores de vacas leiteiras, almoços no domingo e o que é certo é que terá música e muito show. Em algumas cidades a cultura é muito forte e os guris e gurias vão vestidos com roupas típicas, mas em muitas delas é só o pessoal mais velho ou que é da organização/exposição que usa roupas tradicionais e você pode aparecer lá vestido igual vai pra alguma saideira em São Paulo que ninguém vai achar você escroto.

O ambiente é muito saudável, se você tem família pode levar seus filhos para participar sem medo nenhum, não costuma ter violência (talvez um ou outro bêbado cause alguma confusão, mas é raro e a polícia sempre tira o cidadão da festa na hora), as crianças podem curtir o parquinho e se divertir, é muito familiar. Se você é solteiro(a) e quer curtição também é uma boa pedida, ainda mais os shows que são o ponto alto, muitos são de música tradicional mas cada vez mais as baladinhas ganham espaço e é uma excelente oportunidade pra quem sabe deslocar alguma ficada ou até um namoro? O negócio ferve! O que é certo é que a cidade inteira vai participar e você poderá conhecer todo mundo! Além disso, junta a galera da região e é aí que você faz bastante amizade com o pessoal e que te chama pras festas nas cidades deles. 

A regra aqui no interior é você ter CARRO pra poder curtir um pouco de lazer! Eu sei que aqui na firesfera muita gente critica a posse do carro e trata ele como passivo financeiro, e sim ele é isso mesmo! O problema é que NÃO EXISTE TRANSPORTE PÚBLICO no interior. NÃO EXISTE! Então se você não tem carro vai acabar não conseguindo ir em muitos desses lugares, e como aqui também não existe motel rsrsrs' ;)

Agora se você não curte festivais tradicionais, praia de rio, cachoeira, pescarias, saideiras no posto de gasolina, bom é melhor ficar aí na sua metrópole mesmo do que se aventurar por essas bandas do interior.

Viva o interior! 
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Se alguém possui alguma dúvida sobre algum aspecto do cotidiano no interior é só escrever um comentário que eu respondo.

domingo, 1 de novembro de 2020

Fechamento Outubro/2020: R$ 179.733,76 (+0,16%)



Antes de qualquer outra coisa esse blog é um registro histórico da minha vida, escrevo ele interessado em guardar uma recordação sobre minha evolução financeira/patrimonial e do meu pensamento social. O fechamento mensal é o clímax desse objetivo, gosto de congregar no mesmo post tanto a minha carteira como algum assunto que me chamou a atenção durante o mês, em Outubro é impossível não eleger às eleições americanas.

Acima a imagem que ilustra esse post é uma simulação feita por mim (você pode fazer a sua simulação do colégio eleitoral americano acessando o 270towin), usei como base dessa simulação às projeções de pesquisas eleitorais e tendências de voto nos estados americanos e o que eu acho que com base na minha falta de experiência sobre o eleitorado americano que pode ser o resultado em alguns estados. Ou seja, é na base do achismo puro e nas ideias da minha cabeça.

Acredito que dificilmente Donald Trump vá conseguir a reeleição, se levarmos em conta a tendência eleitoral hoje dos estados "indecisos", ele só conseguiria a vitória se vencesse em todos os estados indecisos e conseguisse vencer em pelo menos dois estados pró-Biden, como a Pensilvânia e Wisconsin, sem conseguir esse feito ele alcançaria no máximo 248 votos e a eleição terminaria em Biden. Entretanto, acredito que a eleição ainda pode terminar em virada, a participação eleitoral está sendo grande e a polarização faz com que tantos republicanos como democratas compareçam as urnas em maior peso e em um país onde o voto não é obrigatório é isso que decide o jogo. Se eu pudesse apostar acredito que existe 75% de chance de vitória para Joe Biden.

E se eu fosse um eleitor americano? Bom, acho que seria um dos indecisos de última hora. Eu gosto da política econômica de Trump, o conceito dele de "America First" é polêmico, mas ele pelo menos prioriza o que é mais benéfico para o seu país, além disso, a economia americana cresceu bem durante seu mandato e o desemprego estava abaixo de 4% até o começo do ano, ao mesmo tempo eu acho preocupante que ele não ligue muito para o déficit orçamentário e sua política ambiental e racial é deplorável. Já Biden, me atrai pela perspectiva de um presidente mais moderado, que se envolve menos em radicalização política e preocupado com a crise climática, ao mesmo tempo tenho dúvidas sobre a capacidade dele de enfrentar a crise de saúde e não confio na condução econômica dele. 

O Brasil eu acho que perde com qualquer cenário: se Trump vencer o amor cego desse governo pelos EUA vai continuar empurrando o nosso país para uma posição de cachorrinho dos EUA e nosso governo tem uma incrível capacidade de priorizar os interesses americanos em detrimento dos nossos, em especial em temas comerciais, por outro lado, a vitória de Biden vai representar uma pressão inédita sobre o Brasil na questão ambiental, e logo não vou ficar surpreso se o discurso por aqui passar a ser culpar o governo Biden por todos os problemas do Brasil. 

Vamos aguardar os resultados! E você leitor em quem votaria nas eleições americanas?

Ok, agora vamos ao fechamento mensal.

O mês caminhava para um excelente desempenho da carteira, encerrei a semana do dia 24 com uma rentabilidade de +1,29% no mês, eu já estava bem contente com o desempenho que finalmente me colocava a frente do CDI acumulado de 2020. O balde de água fria chegou nessa semana, tudo começou a derreter com a tensão eleitoral americana + "decepção" com as big techs + volta da doença na Europa. Eu confesso que fiquei impressionado com o fechamento de +0,16% que consegui, eu imaginava que terminaria no terreno negativo.

O aporte do mês é referente a integralização no patrimônio de MXRF11 (subscrição de Agosto) e o "dinheiro novo" é fruto de IVVB11 e SAPR4, porém o aporte em Sanepar foi apenas de algumas migalhas que sobraram do IVVB11 e que não eram o bastante para comprar uma cota. 

Eu escolhi o IVVB11 pois acredito que o teto dos gastos já esta condenado a morte e com isso estou apostando na valorização do dólar, e me expondo a bolsa americana acho que vou pegar a recuperação por lá em 2021. O aporte em SAPR4 é por ela ser de um setor sólido (todo mundo precisa de água), o preço estar atrativo e por ser tão "baratinha" que é uma das poucas opções descentes para as migalhas.

ETF's: IVVB11 decolou durante o mês, mas depois arrefeceu com o pânico tomando conta dos EUA. Não tenho vontade de investir em outros ETFs no momento, não acho Ibovespa atrativo, não tenho perfil para Small Caps e o mercado brasileiro de ETFs é muito pobre, estou na torcida que o futuro nos reserve um desenvolvimento melhor desse mercado.

Ações: Mais um mês sem grandes fatos para contar. A minha preocupação é buscar reduzir o peso de Itaúsa na carteira, hoje ela representa quase 21% da carteira acionária. Eu acho uma empresa incrível e não é a primeira vez que menciono isso aqui, mas reconheço que não posso me expor demais no ativo, além disso, no começo do ano escrevi minha Política de Investimentos Pessoais para 2020 e determinei que não ultrapassaria os 20% de concentração em nenhuma ação.
Dos balanços que foram divulgados até agora eu acompanhei pouco, acho que o que mais marcou foi WEG, foi mais um trimestre fantástico, tem horas que o dedo chega a coçar para comprar, mas já parece tão esticada.

FIIs: Não aportei durante o mês. A subscrição de MXRF11 foi finalmente integralizada. Se a pandemia causar um novo pânico estou pensando em encher a mão de algum fundo exposto em logística. 

Renda Fixa: Sem grandes fatos. É uma vergonha essa Selic em 2%, o que me alenta é que continuo achando que ela vai subir em 2021.

Vida profissional: Os cortes que já aconteciam faz alguns meses, deram um verdadeiro salto nesse mês. Na verdade eu já tinha adiantado aqui que em Setembro a rádio peão falava em vários cortes, no começo do mês parecia pacífico, porém na segunda semana aconteceram muitos cortes, todo dia tinha bastante gente sendo demitida. Depois da terceira semana não fiquei sabendo de demissões, porém a rádio peão já fala que vão demitir muito mais em novembro.
Por enquanto continuo tendo um emprego. É o que importa.

Vida Pessoal: Saí algumas vezes com amigos durante o mês. No geral, foi um mês comum e sem fatos relevantes para relatar. Me espanta o quanto as pessoas estão desleixadas com o vírus, ninguém mais respeita distanciamento social, álcool em gel e uso de máscaras. Aqui mesmo na minha cidade em meados de abril acho que 100% das pessoas usavam máscaras nas ruas, hoje em dia, acho que não passa de 40%.
Meu peso na última medição do mês foi de 75,9kg. Estou feliz pois retornei a faixa de peso que eu estava antes das férias, espero conseguir manter o peso sob controle. 
Como mencionei no mês passado eu destinei recursos para o Fundo de Gastos Pessoais, os valores destinados ao fundo não são contabilizados no aporte. 

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Longo prazo: ações individuais ou ETFs?

 


O pessoal do Visual Capitalist (clique no link para ver em tamanho original), publicou mais um excelente artigo, e já fica aqui desde o princípio deste post a recomendação aos amigos da blogosfera que sigam esse site incrível (Instagram: @visualcap) que traz através de gráficos, mapas e tabelas vários dados sobre temas relativos a economia, negócios e sociedade. 

O post que chamou a minha atenção é esse estudo sobre a composição do Down Jones desde 1928. Todos sabemos que o Down pode não ser um dos índices mais recomendados para retratar o mercado americano, é um índice com composição simples e que não tem sistemas de pesos e contrapesos para evitar grandes distorções como o S&P500. Entretanto é um índice histórico e que sempre contou na sua composição com as empresas referências e líderes da economia americana em cada época, ou seja, quando essas empresas entraram no Down eram na pior das hipóteses boas opções de investimento na opinião de quase todo o mercado.

O problema que quero trazer aqui é justamente uma reflexão sobre um investidor em 1928 no começo desse gráfico. O que se investidor em 1928 tinha no mercado acionário com opções? Bom, ele tinha empresas que pareciam promissoras: General Motors, Texaco, Goodyear, Union Carbide e etc. Todas na época pareciam ações boas, a economia americana era dominada pelo setor industrial, petrolífero e de transportes. Haviam empresas incríveis surgindo, o mundo vivia em uma época quase sem paralelos com os tempos atuais. A maior parte do transporte internacional de passageiros era feito por navio, o Reino Unido era uma potência global e dono de um vasto império, a China era apenas um caos, a sensação tecnológica da época eram aviões, a eletricidade não chegava em muitas casas e muitas coisas ainda eram inimagináveis.

Esse investidor tomou decisão de investimentos com base nessas empresas e em como o mundo funcionava na época, se ele estivesse pensando em investir para o longo prazo ( e para fins desse post vamos considerar pelo menos +30 anos) o que ele podia contar era com opções de ações promissoras com esse perfil e certamente ele não conseguiria prever todas as mudanças que a economia e a sociedade passariam nas próximas décadas. E se você olhar para o Down Jones em 1960, poderá ver que várias empresas deixaram o índice nos primeiros trinta anos e logo empresas que pareciam excelentes se tornaram decadentes ou mesmo nem existiam mais. O setor de ferrovias norte-americano que produziu os famosos "barões dos trilhos" no começo do século XX deixou de existir em poucas décadas.

Se o investidor tivesse começado em 1960 e olhasse para trinta anos no futuro, as empresas que eram líderes nos anos 60 já não eram as mesmas nos anos 90. A economia americana mudou muito, deixou a base industrial muito forte do pós-guerra e migrou para o setor de serviços, você pode ver a partir de meados dos anos 70 e com mais força nos anos 80, o crescimento de ações do setor de comunicações, financeiro e saúde. Fruto dos EUA alcançando uma renda média-alta, a sua posição de dominância no mercado financeiro global através do financiamento para as economias destroçadas da Europa que ficaram endividadas por décadas com bancos americanos e o crescimento da expectativa de vida.

Em 1990 ainda era cedo para falar de empresas de tecnologia, elas se quer apareciam no Down Jones e um investidor que tivesse escolhido a dedo dificilmente escolheria (ou encontraria) empresas de tecnologia. Os setores tão promissores nos trinta anos anteriores aos anos 90, começaram a entrar em crise e "envelheceram" e foram substituídos pelo setor de tecnologia, veja o setor financeiro americano que dominava o ranking das maiores empresas americanas a 20 anos atrás e que hoje está se tornando cada vez mais coadjuvante.

Agora pense comigo: estamos em 2020, a tendência parece ser as empresas de tecnologia para as próximas décadas, um investidor tem essa informação em mãos, o mundo é cada vez mais digital, a economia chinesa está se tornando protagonista, a Europa é só um amontado de países estagnados e correndo em círculos e o Brasil segue atolado em problemas. 

Mas veja como o mundo mudou desde 1928 em intervalos de 30 em 30 anos.

Qual será a realidade da economia em 2050? Será que empresas líderes e que por isso garantem seu lugar no Down Jones como a Microsoft, IBM e Apple vão ter lugar em 2050? A GM parecia muito forte a trinta anos atrás.

Eu usei o Down Jones apenas para dar uma referência pois ele reúne empresas que são líderes e que sempre chamam a atenção dos investidores. Peço que o foco da discussão não seja o uso dele como investimento em ETF.

As questões que deixo são: será que vale a pena escolher ações individuais para o longíssimo prazo? Ou será melhor investir por ETF's e de certa forma suavizam a transição da economia? Mas será que investir em ETF's não é manter na carteira ações no qual não acreditamos ou que mesmo enfrentando períodos de decadência ainda vão se manter por vários anos na carteira do índice e assim vão puxar os retornos para baixo? Será que devemos escolher ações a dedo e ficar girando a carteira tentando prever o futuro?

Eu ainda estou pensando a respeito disso. 

AVISO: Esse blog não tem a intenção de recomendar investimentos para ninguém. Trata-se apenas de um blog pessoal, o objetivo é relatar minha opinião pessoal sobre o tema de investimentos e outros assuntos. 
Por isso nenhuma postagem ou comentário neste blog deve ser levada em consideração na tomada de investimentos por ninguém. Caso deseje orientação sobre investimentos recomendo que procure assessoria especializada no assunto.