segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Longo prazo: ações individuais ou ETFs?

 


O pessoal do Visual Capitalist (clique no link para ver em tamanho original), publicou mais um excelente artigo, e já fica aqui desde o princípio deste post a recomendação aos amigos da blogosfera que sigam esse site incrível (Instagram: @visualcap) que traz através de gráficos, mapas e tabelas vários dados sobre temas relativos a economia, negócios e sociedade. 

O post que chamou a minha atenção é esse estudo sobre a composição do Down Jones desde 1928. Todos sabemos que o Down pode não ser um dos índices mais recomendados para retratar o mercado americano, é um índice com composição simples e que não tem sistemas de pesos e contrapesos para evitar grandes distorções como o S&P500. Entretanto é um índice histórico e que sempre contou na sua composição com as empresas referências e líderes da economia americana em cada época, ou seja, quando essas empresas entraram no Down eram na pior das hipóteses boas opções de investimento na opinião de quase todo o mercado.

O problema que quero trazer aqui é justamente uma reflexão sobre um investidor em 1928 no começo desse gráfico. O que se investidor em 1928 tinha no mercado acionário com opções? Bom, ele tinha empresas que pareciam promissoras: General Motors, Texaco, Goodyear, Union Carbide e etc. Todas na época pareciam ações boas, a economia americana era dominada pelo setor industrial, petrolífero e de transportes. Haviam empresas incríveis surgindo, o mundo vivia em uma época quase sem paralelos com os tempos atuais. A maior parte do transporte internacional de passageiros era feito por navio, o Reino Unido era uma potência global e dono de um vasto império, a China era apenas um caos, a sensação tecnológica da época eram aviões, a eletricidade não chegava em muitas casas e muitas coisas ainda eram inimagináveis.

Esse investidor tomou decisão de investimentos com base nessas empresas e em como o mundo funcionava na época, se ele estivesse pensando em investir para o longo prazo ( e para fins desse post vamos considerar pelo menos +30 anos) o que ele podia contar era com opções de ações promissoras com esse perfil e certamente ele não conseguiria prever todas as mudanças que a economia e a sociedade passariam nas próximas décadas. E se você olhar para o Down Jones em 1960, poderá ver que várias empresas deixaram o índice nos primeiros trinta anos e logo empresas que pareciam excelentes se tornaram decadentes ou mesmo nem existiam mais. O setor de ferrovias norte-americano que produziu os famosos "barões dos trilhos" no começo do século XX deixou de existir em poucas décadas.

Se o investidor tivesse começado em 1960 e olhasse para trinta anos no futuro, as empresas que eram líderes nos anos 60 já não eram as mesmas nos anos 90. A economia americana mudou muito, deixou a base industrial muito forte do pós-guerra e migrou para o setor de serviços, você pode ver a partir de meados dos anos 70 e com mais força nos anos 80, o crescimento de ações do setor de comunicações, financeiro e saúde. Fruto dos EUA alcançando uma renda média-alta, a sua posição de dominância no mercado financeiro global através do financiamento para as economias destroçadas da Europa que ficaram endividadas por décadas com bancos americanos e o crescimento da expectativa de vida.

Em 1990 ainda era cedo para falar de empresas de tecnologia, elas se quer apareciam no Down Jones e um investidor que tivesse escolhido a dedo dificilmente escolheria (ou encontraria) empresas de tecnologia. Os setores tão promissores nos trinta anos anteriores aos anos 90, começaram a entrar em crise e "envelheceram" e foram substituídos pelo setor de tecnologia, veja o setor financeiro americano que dominava o ranking das maiores empresas americanas a 20 anos atrás e que hoje está se tornando cada vez mais coadjuvante.

Agora pense comigo: estamos em 2020, a tendência parece ser as empresas de tecnologia para as próximas décadas, um investidor tem essa informação em mãos, o mundo é cada vez mais digital, a economia chinesa está se tornando protagonista, a Europa é só um amontado de países estagnados e correndo em círculos e o Brasil segue atolado em problemas. 

Mas veja como o mundo mudou desde 1928 em intervalos de 30 em 30 anos.

Qual será a realidade da economia em 2050? Será que empresas líderes e que por isso garantem seu lugar no Down Jones como a Microsoft, IBM e Apple vão ter lugar em 2050? A GM parecia muito forte a trinta anos atrás.

Eu usei o Down Jones apenas para dar uma referência pois ele reúne empresas que são líderes e que sempre chamam a atenção dos investidores. Peço que o foco da discussão não seja o uso dele como investimento em ETF.

As questões que deixo são: será que vale a pena escolher ações individuais para o longíssimo prazo? Ou será melhor investir por ETF's e de certa forma suavizam a transição da economia? Mas será que investir em ETF's não é manter na carteira ações no qual não acreditamos ou que mesmo enfrentando períodos de decadência ainda vão se manter por vários anos na carteira do índice e assim vão puxar os retornos para baixo? Será que devemos escolher ações a dedo e ficar girando a carteira tentando prever o futuro?

Eu ainda estou pensando a respeito disso. 

AVISO: Esse blog não tem a intenção de recomendar investimentos para ninguém. Trata-se apenas de um blog pessoal, o objetivo é relatar minha opinião pessoal sobre o tema de investimentos e outros assuntos. 
Por isso nenhuma postagem ou comentário neste blog deve ser levada em consideração na tomada de investimentos por ninguém. Caso deseje orientação sobre investimentos recomendo que procure assessoria especializada no assunto.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Fechamento Setembro/2020: R$ 176.967,21 (-0,47%)

 


Mais um mês terminou e agora já estamos começando a ver 2021 no horizonte, infelizmente para milhões de brasileiros a situação é desalentadora, o país está visivelmente mergulhado em uma crise econômica sem fim, o desemprego de 13,8% parece não assustar e nem preocupar a tão serena Brasília, duvido muito que quando ele alcançar 15% no final do ano ou aos 18,5% no primeiro trimestre do ano que vem existirá alguma sensibilização com isso.

Já vivemos uma década perdida, a economia não cresce em ritmo minimamente descente desde pelo menos 2013, e não existem sinais de melhora pelo menos até 2023. Os economistas falam em um crescimento de 3,5% no próximo ano, na minha opinião é só conversa fiada. 

Agora vamos ao fechamento do mês.


O aporte esse mês veio turbinado, como estive de férias ao longo de setembro eu entrei quase em "modo zumbi" e somando uma sobra de recursos não aportados de agosto, com pagamento de férias e um pequeno bônus do trabalho (que achamos que não ia rolar esse ano) consegui o segundo melhor aporte do ano.

O aporte do mês foi em Tesouro Pré-Fixado 2026 na renda fixa (em taxa de 6,76% a.a)  e na renda variável aportes em ações de Itaúsa, Sanepar, Taesa que já eram parte da carteira, enquanto chegaram duas novidades: CYRELA e BB SEGURIDADE. 

A escolha de BB Seguridade foi para entrar em uma ação que paga bons dividendos e ao meu ver está atrativa, já a Cyrela eu escolhi para balancear a carteira de ações visto que 2/3 da carteira estão alocados no setores de Utilidades Públicas e Financeiro e eu quero evitar uma exposição excessiva a esses dois setores que são os meus queridinhos.

ETF's: IVVB11 caiu em comparação com o fechamento do mês anterior, acabei não aportando no ativo e reconheço que havia espaço quando ele chegou em R$ 190, porém resolvi deixar passar pois a expectativa é de um ambiente volátil nos EUA nas próximas semanas, os analistas dizem que a vitória do Joe Biden vai empurrar o S&P500 para baixo e enfraquecer o dólar, mas como sempre não dá pra confiar em analistas, vamos acompanhar.

Ações: Nada muito significativo que eu tenha percebido durante o mês, talvez seja digno de comentário apenas BBDC4 que é hoje a maior desvalorização da minha carteira, estou com uma performance histórica de -25% nesse ativo e admito que entrei quando ela estava em R$ 34 o que foi um erro imenso, depois comprei um pouco o que reduziu o PM, mas resolvi continuar deixando o ativo de fora da minha lista de compras, já tenho ITSA4 que me expõe aos grandes bancos, na minha cabeça não faz muito sentido novos aportes em BBDC4 nesse momento.

FII's: O MXRF11 foi o alvo de todo o meu aporte de fundos imobiliários, infelizmente o ativo parece que virou modinha e talvez tenha começado a se inflacionar, eu gosto do ativo pois ele paga um ótimo DY. Eu queria investir em logística mas eles parecem caros, os shoppings parecem fracos em DY, sei lá, tudo muito confuso na minha cabeça e fui de MXRF11 mesmo.

Renda Fixa: Impressionante o Tesouro Selic com rentabilidade negativa, estamos destruindo o Brasil? kkkkk

Vida Profissional: Estive de férias em Setembro, já voltei a trabalhar e ainda tenho um emprego kkkk, a correria só que cresce. 
Na empresa já ficou evidente que vão acontecer muitos cortes nas próximas semanas, é rezar para o facão não acertar meu pescoço. Tomara que não aconteça nada, na verdade não quero que ninguém seja demitido, uma demissão nunca é bom, e nesse cenário econômico é um desastre.

Vida Pessoal: Como falei passei o mês quase em "modo zumbi", fiquei em casa durante as minhas férias a maior parte do tempo, no máximo sai com uns amigos pra um barzinho.
Sei que muitos podem criticar, mas penso que tomei a decisão certa. 

Decidi que a partir de agora vou criar um Fundo de Gastos Pessoais, vai ser uma pequena parte do que sobrar do meu mês que vou mandar para uma aplicação que vai ser um CDB de Liquidez Diária ou um Fundo DI, o foco é usar esse valor para gastos que não vou contabilizar no meu controle mensal. 

É isso.

Até breve.

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Quando a maré da liquidez baixar...

Ah liquidez
Liquidez, liquidez... como é boa a liquidez!

Algumas informações de bastidores dão conta de que está chegando por ai o IPO mais aguardado dos últimos tempos, veja as principais características dessa empresa e prepare o Home Broker para entrar nessa oportunidade única.

  • Ela tem um nome bonitinho, em inglês ou alguma sigla.
  • Seu CEO é um sujeito que adora fazer mídia, sempre disponível para entrevistas com jornalistas e muito ativo no mercado na hora de divulgar os novos projetos revolucionários da empresa.
  • O ramo de negócio é disruptivo, vai mudar completamente o mercado atual dominado por empresas velhas e antiquadas. Quem quer ganhar dinheiro com arroz e feijão? Vamos fazer uma disrupção!
  • Pregar o potencial impacto da transformação social da empresa, ela não quer lucrar, ela quer uma sociedade melhor.
  • A base de fãs de é tão grande e apaixonada quanto a de um tipo de futebol ou do seu político favorito.
  • Não consegue entregar lucro, na verdade ela entrega rombos incríveis no balanço todos os anos, mas o mercado não liga, todo mundo sabe que ela é uma empresa de crescimento e que prejuízos de centenas de milhões são totalmente aceitáveis, afinal de contas a Amazon registrou prejuízos por anos, e como todos sabemos ela não é a exceção e sim a regra entre as empresas.
  • Os últimos detalhes estão sendo acertados e basicamente o que falta é definir onde vai acontecer o IPO, se vai rolar nos trópicos, na imponente Nova York, em alguma bolsa emergente da Ásia ou aproveitar o inverno europeu para estrear em grande estilo.
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Todos nós já vimos essa história ser contada, quem não se lembra daquela petrolífera que prometia ser uma nova potência nacional com a exploração do pré-sal e que decolou na bolsa de valores sem apresentar resultado nenhum, apenas com a promessa, aí furaram o poço e TCHARAM! fracasso total. 

E aquela empresa que prometia revolucionar o comércio varejista eletrônico lá pelos meados dessa última década? Era uma verdadeira máquina de vendas, era case de estudo em qualquer curso de administração nesse país, crescimentos estratosféricos e uma base de fãs crescentes, veio o IPO a projeção de crescimento dos lucros e resultados foi feita, o mercado comprou, a ação decolou e aí se deu conta de que a empresa não entregava resultados, terminou sendo vendida por menos do que a sombra dos seus dias mais gloriosos, e hoje é um "puxadinho" de uma grande varejista.

E que tal aquela empresa disruptiva que vai revolucionar o centenário mercado de montadores de automóveis? Aquela empresa que decolou igual um foguete em 2019-20 depois de entregar um "lucro" pela primeira vez em anos, mas que na prática não consegue lucrar com sua atividade principal e o tal lucro nada mais é do que operações com créditos regulatórios, enquanto isso o que deveria ser o seu principal ramo de negócios assiste a uma piora de resultados.

E isso para nem entrar no mérito das fintechs que são a modinha do momento, igual foram franquias de paletas mexicanas alguns anos atrás.

E vamos parar por aqui, pois imagina só se resolvemos dar uma olhada naquele emaranhado de empresas que recebem injeções de liquidez de fundos multibilionários que só colaboram para inflar o mercado.

O que me assusta é que alguns analistas parecem estar deixando de lado os critérios de análise objetivos sobre as empresas (pois eles escacaram a realidade) e focando em "novas métricas" que podem até ser bonitinhas no conceito, mas que na prática não garantem nem de longe uma noção sobre a sustentabilidade do negócio.

Não existe nada de errado na presença dessas empresas no mercado, seja na bolsa ou na carteira de investimentos de fundos, o problema é que os investidores precisam passar a reconhecer o que é realisticamente possível para uma empresa entregar e não aquilo que é utópico. A entrada de centenas de milhares de novos investidores no mercado em 2020 me faz questionar quantos deles estão preparados para analisar de verdade os negócios onde colocam suas economias?

Cedo ou tarde os juros na economia mundial vão precisar subir, a torneira da liquidez vai fechar e aí quando a água baixar vamos descobrir quem estava nadando pelado.

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IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e opiniões, não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Fechamento Agosto/2020: R$ 169.780,63 (+0,29%)

 


É o final de mais um mês, e esse agosto que normalmente é travesso e parece levar uma década para passar esse ano passou em um piscar de olhos.

A reportagem que destaco esse mês é do Brazil Journal, esse site tem produzido conteúdo de excelente qualidade é uma pena que muitos não conheçam, eu diria que no ambiente de economia e negócios é um rival para a Exame. Nesse mês destacaram um estudo do FED que aponta o crescimento dos monopólios na economia americana, e essa pandemia só tem potencializado tudo.

De forma geral a economia está cada vez mais concentrada em algumas empresas e essas  estão apresentando lucros cada vez maiores, por outro lado, a classe média trabalhadora tem enfrentado perda salarias nas últimas décadas, isso tem empurrado a economia mundial para um estado de dependência do crédito para sustentar o crescimento do consumo da classe média, o fruto desse crédito que é o dinheiro novo acaba indo parar nessas mesmas empresas, e as grandes companhias não são tão eficientes na distribuição de renda. 

Você acha que aquele grande rede de supermercados ou eletrodomésticos na sua cidade distribui renda aí na sua localidade com a mesma eficiência do que se fosse uma rede local? Você pode até dizer que os salários são melhores e que pequenos comerciantes muitas vezes não conseguiram dar conta da folha de pagamento, mas não se esqueça que uma empresa não traz o dinheiro de volta para a sociedade apenas com a folha, a ampla concorrência garante a diversificação do crédito, amplo espaço para novos fornecedores e mais oportunidades para clientes.

A pandemia só tem contribuído para o problema, as grandes companhias tem acesso facilitado para captar dinheiro no mercado de capitais, possibilidade de ofertar condições de pagamento diferenciadas, normalmente possuem gestão com maiores recursos no compilamento de dados, tem maior capacidade competitiva no ambiente digital e isso para ficar em alguns exemplos. Nos EUA e na Ásia, o fenômeno da quebradeira de pequenas empresas é uma realidade pós-pandemia, ao mesmo tempo o S&P500 está nas alturas e isso se justifica pelo ganho de participação de mercado das grandes companhias.

Quebrar esse ciclo é complicado, e processo deve passar por garantir regras justas a empresas e não por um sistema de premiação pela incompetência apenas para forçar uma concorrência inútil (o governo gosta de chamar de subsídios), mas é bom saber que o tema está em debate.

Agora vamos ao fechamento mensal:

Como adiantei no mês passado eu acabei não aportando em julho e deixando para agosto, principalmente por ter tido despesas altas em julho acabou sobrando muito pouco e então não me senti com vontade de comprar nada antes da virada do mês.

Nesse mês a rentabilidade 0,29% foi satisfatória, são cinco meses de rentabilidade positiva. 

A carteira continua com aproximadamente 1/5 em renda variável e 3/4 em renda fixa (Tesouro Pré e Pós-Fixado e LCI pós-fixada).

ETF'S: O IVVB11 continua apresentando bons resultados. Com o cenário político-econômico se deteriorando aqui nos trópicos é esperado um alta do dólar o que por si deve empurrar o fundo pra cima, além disso, caso venha uma segunda onda de vírus no outono/inverno do hemisfério norte eu acredito que isso vai tencionar os mercados e quando o mercado fica tenso a primeira coisa que ele procura é dólar e cotação alta do dólar é IVVB11 subindo, mesmo que o S&P500 esteja pressionado por uma eventual tensão dos mercados, acredito que a eventual alta do dólar deve mitigar os impactos. 

Aportei em IVVB11 esse mês, foi o líder de aportes.

Ações: Aportei em SAPR4 apenas hoje, ou seja, depois da ação cair de preço com o bloqueio do reajuste das tarifas pelo Paraná. Na carteira de ações destaco:
  • Setor financeiro: ITSA4 e BBDC4 continuam patinando na carteira. Os bancos são o segmento mais tensionado da bolsa, por um lado é o mais sólido por outra a tal disrupção e ameaças regulatórias tem sido uma pressão muito forte para segurar em baixa os preços, ao mesmo tempo não me sinto animado para investir em empresas disruptivas que estão com indicadores inflados.
  • VVAR3: Continua subindo, mas não consigo aportar nela, sei lá, ela cheira problemas, pode ser uma nova Magazine Luiza? Pode. Mas ainda não me sinto confortável em aportar nada.
  • TAEE11: Apenas observei a resiliência dessa companhia, o preço da ação está estacionado na faixa dos R$ 28 faz mais de três meses, acabei não aportando nela pois não queria me expor nesse mês ao setor elétrico, mas é uma ação previsível e que os dividendos me atraem.
FII'S: Fiz subscrição de MXRF11, achei o preço atrativo e o DY na faixa de 0,6%-0,7% a.m é bem atrativo.
Aqui um ponto importante, no meu aporte do mês não está considerada a subscrição, tendo em vista que as cotas ainda não foram integralizadas, acredito que ficará para setembro ou outubro.

Os outros FIIs apenas acompanhei.

Renda Fixa: Tudo na mesma.

Vida Profissional: As mudanças na empresa foram grandes durante o mês, no final das contas a equipe foi reduzida. Ninguém foi demitido, apenas remanejados para outras unidades. Estou fazendo atividades diferentes da que estou acostumado habitualmente, tem sido desafiador.
De qualquer forma estou oficialmente entrando nas minhas férias que estavam programadas desde janeiro, volto só no finalzinho e espero não ter grandes novidades hahaha.

Vida Pessoal: Nada a declarar. Inclusive sem planos para as férias.

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.


quinta-feira, 13 de agosto de 2020

EX-GORDO: Minha jornada e considerações

O meu post de meio de mês nem seria sobre isso, na verdade eu entrei no blog para escrever sobre outro assunto, mas antes fui dar uma lida nos blogs do meu blogroll (sim, eu leio todos os posts de todo mundo que está listado ali, só comentar que infelizmente não consigo sempre). O texto do Cowboy me deixou impactado demais, na verdade eu comecei a escrever uma resposta lá no post dele mas acabou ficando tão longa que virava outro post e então resolvi escrever aqui.

Aqui está o link do Cowboy Investidor. Não leu? Corre lá então e depois volta aqui. Ah, o texto é bem polêmico.

 um restaurante localizado no no Reino Unido criou um hambúrguer ...

Ler aquele post me deixou muito pensativo na minha jornada em busca do emagrecimento e vi naquele post muito do que eu considerava como parte do meu antigo ‘eu’, e dois anos atrás eu provavelmente relutaria em aceitar o texto. Vamos dividir esse post em algumas etapas: primeiro alguns fatos sobre como eram as coisas quando eu era gordo.

  1.       Eu não tomava café-da-manhã, ia para o trabalho e depois almoçava perto das 12h, no almoço eu repetia pelo menos 2x. Depois voltava pro trabalho, a tarde não dava tempo pra comer e já ia direto pra faculdade, na faculdade quando minha condição financeiro melhorou eu acabei conseguindo sair um pouco com os colegas pra comer ou beber alguma coisa no intervalo, infelizmente isso foi muito mais frequente, normalmente 2x ou 3x por semana e convenhamos que comida de intervalo é uma das piores coisas que existe, aquelas fast foods e refrigerantes fazem um bem danado para o peso. Chegava em casa à noite e ainda jantava.
  2. .     Meus amigos sempre disseram que eu devia ir pra academia e perder o peso, só que como eu era gordo desde a pré-adolescência e nem lembrava como era ter um ‘peso normal’ e os benefícios que isso me traria eu me sentia bem.
  3. .     Confesso que ainda como pizza, macarrão, arroz, feijão, refrigerante, tortas salgadas e etc. Mas a diferença é que passei a privilegiar alguns alimentos: por exemplo, passei a comer mais carne, legumes e vegetais. Por sorte eu nunca tive problema em comer saladas, pelo contrário, sempre gostei. O X da questão é que eu comia quantidades enormes de arroz, feijão (sempre gostei), pizza, salgados e refrigerante, e tudo virava uma bomba calórica.
  4. .     Minha rotina na época não devia somar 500m de caminhada durante o dia, o resto era tudo motorizado. Sem atividade física e comendo a quantidade que eu comia era impossível perder peso.
  5. .      Não gosto muito de doces, sempre preferi salgados. Mas quem disse que comer 8 fatias de pizza e beber um refrigerante não é tão ruim quanto comer aquela fatia de bolo ou aquele milkshake de Ovomaltine? A comida “salgada” é cheia de açúcar.
  6. .      Aqui é um X importante, eu descobri só depois que estava na jornada que eu comia por ansiedade e por não ter o que fazer acabava me afogando na comida de forma inconsciente, aquela imagem que temos de uma pessoa chorando enquanto devora um prato de comida é totalmente fake, mas no subconsciente eu comia para esquecer os problemas.
  7. .    Eu não tinha força de vontade para emagrecer pois eu achava que emagrecer alguns quilos não significaria nada na prática e que uma pessoa de ‘peso normal’ tinha uma vida igual a minha.
  8.    Não, eu não achava que era tão gordo como eu acho hoje. É impactante e até constrangedor ver fotos minhas de 2,3 anos atrás.
  9.       Achava que eu tinha ossos grandes (kkkkkk) e que minha genética era assim mesmo e que eu nunca conseguiria mudar isso.
  10.      Eu achava que não havia nada de errado em ser gordo e que todos os problemas que eu tinha e que eram causados por ser gordo não estavam diretamente relacionados a essa condição.

Como foi a jornada?

            Passei alguns dias no começo de 2019 em uma outra unidade da empresa pois eles precisavam de uma força, foram poucos dias, mas era uma loucura a correria no dia-a-dia. Nesses dias acabei não almoçando e jantava muito pouco, e no último dia passando em frente uma farmácia resolvi me passar e estava quase 2kg mais magro e isso em poucos dias! Acabei ignorando isso de início, apesar de ter ficado surpreso.

            Passado algumas semanas me pesei em uma balança e vi que tinha engordado, e então pensei: “bom, se naqueles dias emagreci tudo aquilo sem dificuldades e não morri, acho que consigo novamente”. De inicio não controlei o peso, mas então resolvi levar a sério com pesagem semanal.

            O ponto de partida: 92,6kg e 1.77m de altura em março de 2019.

            A meta inicial era alcançar os 90kg, resolvi cortar o almoço e diminuir o jantar. O nosso corpo ajuda demais nas primeiras semanas, seguindo essa rotina tinha semanas de eu perder quase 1kg por semana e isso sem mudar a atividade física. Depois de passar pelos 90kg resolvi que queria buscar os 85kg e assim foram mais alguns meses, depois baixava para 83kg e depois para 81kg. Naturalmente é impossível manter o ritmo inicial de perca de peso, mas a “curva” apontava pra baixo.            

            No final de 2019 terminei com 79kg. E olha que minha meta era ficar abaixo de 90kg no final do ano.

            No começo de 2020 estabeleci que queria chegar ao IMC normal e dei um gás por mais algumas semanas, alcancei isso em meados de fevereiro e depois o peso continuou caindo aos poucos. No final de março alcancei o platô dos 76kg e desde lá não tenho conseguido descer o meu peso, parte disso é que surgiu uma questão de saúde não relacionada ao peso e/ou emagrecimento que me impede de fazer atividade física moderada/intensa e convenhamos que cortar na alimentação depois de chegar ao peso normal já não vai surtir mais efeitos.

            Me pesei hoje mesmo e estou com exatamente 75,9kg e um IMC de 24.2, ou seja, peso normal. Ainda tenho uma “barriguinha de leve”, sei que pra queimar ela preciso partir pra atividade física, mas estou restrito a fazer isso por pelo menos mais alguns meses.

Que mudanças eu percebi após me tornar um ex-gordo?

·         Troquei minhas calças jeans de tamanho 48 para 38. Sério, quando eu usava 48 eu não achava que minhas calças eram grandes. Esses dias peguei uma calça velha no guarda-roupa e comparei com uma calça nova, é chocante e constrangedor!

·         Troquei minhas camisetas de GG para M ou até mesmo P, senhores, que diferença! Agora tenho muito mais opção de camisetas nas lojas, o estoque de GG muitas vezes acabava rápido (tiragem menor) ou se quer tinha para aquele modelo.

·         Passei a suar menos, ou melhor, tipo pelo menos 75% menos. Antes qualquer dia fresco me deixava com aquelas pizzas, e até suava nas curvas dos “pneuzinhos”, agora é vida nova e convenhamos aquelas pizzas eram constrangedoras, mas achava que não tinha nada haver com ser gordo, achava que minha genética fazia eu suar mais, felizmente me enganei.

·         Alguns meses atrás fiz um trajeto a pé idêntico à um trajeto que eu fazia quando era gordo, meu Deus, que diferença. Antes bastava eu chegar na metade do caminho que me sentia cansado, suava e sofria de dores fortes no tornozelo. Agora eu faço com bastante tranquilidade.

·         É muito gratificante escutar das pessoas “nossa, como você emagreceu!” ou então “você está tão diferente!”

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O que encerro dizendo é em especial aos leitores gordos: senhores, emagreçam! Se você não tem um diagnóstico médico que categoricamente diga que a culpa não é sua e que você não vai conseguir, então a culpa é sua! Emagreça, se você tem 120kg hoje e deveria ter 80kg, não coloque como meta os 80kg, pense assim: vou chegar em 114kg até o final do ano, depois se chegar coloque pequenas metas extras, vá descendo devagar seu peso, talvez você não chegue nos 80kg, mas te garanto se chegar na metade do caminho já vai ser incrível!

Priorize você! Priorize sua saúde!

sábado, 1 de agosto de 2020

Fechamento Julho/2020: R$ 164.556,34 (+0,78%)


A Folha de S. Paulo publicou uma matéria interessantíssima sobre os entregadores de serviços de aplicativo, o serviço que já vinha ganhando espaço nos últimos quatro anos se popularizou ainda mais durante a pandemia, ao mesmo tempo em que as pessoas esquecem do principal protagonista desse sistema que é o entregador.

A pandemia tem evidenciado o abismo de oportunidades no nosso país, enquanto milhares de brasileiros enriquecem na crise, entram em quarentenas luxuosas em fazendas, condomínios ou praias paradisíacas uma outra parcela da população perde seus empregos e é empurrada para a informalidade e que agora é glamourizada, é preciso deixar claro que não sou contra o trabalho autônomo, mas se você ler essa reportagem da Folha de S. Paulo e não perceber que tem alguma coisa acontecendo na sociedade eu sinto lhe dizer mas você está vivendo em algum tipo de bolha. A questão aqui é de dignidade humana. 

Vamos ao fechamento do mês.



É mais um mês positivo e novamente com uma rentabilidade que considero das mais satisfatórias, por falta de entusiasmo para aportar e por enxergar que exista uma janela de oportunidade em meio ao pânico do mercado em meio a resultados negativos do segundo trimestre da maioria das empresas decidi que vou deixar o dinheiro na corretora e fazer algum aporte ao longo do mês.
A minha carteira está 85% em renda fixa (LCI e Tesouro Direto).

ETF's: O IVVB11 continua sendo minha única posição. No geral ele oscilou levemente para cima durante o mês, chegou a performar bem, porém o dólar em queda nos últimos dias e o humor negativo no mercado internacional deixaram ele com uma variação percentual levemente maior. É um queridinho e pretendo aportar nele como parte da minha estratégia de exposição no mercado internacional.

Ações: Sem aportes no mês o jeito foi acompanhar o desempenho da carteira de ações. No momento nenhuma das empresas que tenho em carteira estão no radar de venda, porém tenho acompanhado com mais atenção:
  • WEGE3: Com 47,3% de rentabilidade histórica é a minha melhor ação na carteira. Acho uma empresa fantástica, ramo de atividade sólido, sem concorrentes disruptivos e resultados positivos. O meu medo é que o papel esteja esticado demais, os múltiplos estão exagerados.
  • SUZB3: A Suzano está com 2,3% de rentabilidade histórica, é parte de um setor que gosto e é consolidada no setor. A Suzano tem me chamado atenção pelo endividamento astronômico da empresa, vou acompanhar como ela lida com essa situação.
  • Setor financeiro: Tenho na carteira ITSA4 e BBDC4, são minhas queridinhas (ainda que Bradesco tenha a pior performance histórica da carteira com -15% de rentabilidade), o meu receio é sobre a pressão da concorrência e regulamentação prejudicarem os resultados e os dividendos do setor.
FII's: Não aportei. Confesso que não sou especialista em FII's e tenho dificuldade em encontrar bons FIIs. Meu foco é encontrar um fundo bom, com uma gestão boa e com um DY sólido. Alguém sabe algum que vale a pena dar uma olhada?

Renda Fixa: Não aportei. Sem nada a declarar, continuo em Tesouro Direto e LCI.
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VIDA PROFISSIONAL: O processo de mudanças na empresa continua a todo valor, a dança de cadeiras de funcionários está acontecendo, a rádio peão fala em demissões, mas nada de concreto tem acontecido nesse sentido. No geral foi um mês positivo no trabalho.

VIDA PESSOAL: Nada de relevante. Apenas o peso que está em um platô de 76kg e não vejo como reduzir, porém é um IMC dentro do considerado "normal" então eu não vou continuar buscando a queda de peso, o foco é manter nessa faixa.

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

domingo, 12 de julho de 2020

Paulo Guedes está perdido


Quem assistiu a entrevista de Paulo Guedes na CNN Brasil a pouco mais de uma semana atrás deveria ter ficado preocupado, mas parece que o mercado não viu ou está fingindo que a entrevista não aconteceu.

A entrevista mostrou que estamos dançando encima de um barril de pólvora, o ministro deixou claro que o governo não tem plano nenhum para a economia daqui até o final do mandato atual. A fala de Paulo Guedes se resumiu em desenhar um país que não existe, no mundo de Paulo Guedes ele vai conseguir privatizar "quatro grandes estatais" até o final de setembro, o país vai se surpreender com uma queda muito menor do PIB em 2020 e a coroação é o envio de uma proposta de reforma tributária (que é uma promessa desde o fim da reforma da previdência e que não saiu do lugar justamente pela incapacidade do governo de apresentar um projeto ao legislativo) que vai taxar dividendos e criar mecanismo de "substituição tributária" escorados em uma nova CMPF que segundo o ministro não é uma CPFM, ainda que cheire como uma CPFM, pareça uma CPMF, funcione como uma CPFM, mas não é uma CPFM pois ele está dizendo que não é e isso deveria bastar.

Na prática quem tem o mínimo de senso da realidade nesse país deve ter em mente que:
  1. A cada semana que passa o Congresso vai se esvaziar cada vez mais diante da proximidade das eleições, o que aumenta a dificuldade de fazer quórum e diminuiu o apetite de deputados em aprovar privatizações polêmicas de grandes estatais.
  2. O governo está entupindo o Congresso de Medidas Provisórias que trancam a pauta o tempo todo, o que prejudica o próprio governo que tem que gastar cartuchos negociando nos acréscimos do segundo tempo para salvar algumas MPs.
  3. É ZERO a chance de sair uma Reforma Tributária nos próximos meses tendo em vista que a proposta se quer foi enviada para o Congresso e é um tema polêmico e que por natureza já se arrastaria por vários meses e com o agravante do período eleitoral que vai ocupar todo o segundo semestre do Congresso. 
  4. Se a Reforma Tributária for aprovada no começo da próximo ano, devemos lembrar do princípio da anterioridade que veda a cobrança de impostos no mesmo ano fiscal em que foram aprovados.
  5. Sem receitas extras em 2021 o governo vai bater no Teto de Gastos e corremos o risco de lidar com ou o colapso financeiro do governo ou a derrubada do Teto de Gastos e por consequência o endividamento de um país emergente ultrapassando os 100% do PIB, o que certamente vai impactar no dólar, na inflação e na economia em geral.

Menos de uma semana depois da fala do Ministro e sem nenhuma ação do governo no sentido de cumprir as promessas de Guedes a bolsa fechou em 100k novamente. Diante desse cenário eu decidi que vou dedicar mais atenção nos próximos meses aos aportes em IVVB11 enquanto estudo mais a fundo a possibilidade de abrir conta em uma corretora nos EUA.

Não estou dizendo que vou deixar de investir em ações e FII's brasileiros, pois meu horizonte de investimento é para daqui a décadas, mas é preciso reconhecer que nos próximos três anos o cenário é muito complicado para o Brasil e requer cuidado na hora de aportar aqui nos trópicos.

Gostaria de ser convencido de que estou errado e que tudo vai dar certo na economia, mas não vejo nada no horizonte que favoreça essa visão.

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IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseje orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.