segunda-feira, 1 de junho de 2020

Fechamento Maio/2020: R$ 158.054,65 (+0,61%)



Durante a última semana de maio o governo divulgou os dados do emprego, o resultado é terrível, mas não condiz com a realidade. O Itaú publicou um relatório onde aponta que o desemprego poderia estar em 16% se não fosse a baixa procura por emprego, essa é motivada não pela situação financeira dos sem-trabalhos e sim pelo desalento e pela impossibilidade de procurar emprego causada pela quarentena.

A situação da economia é ruim, e conversando com as pessoas a maioria está desanimada, vejo alguns colegas desistirem de planos que estavam fazendo para os próximos meses e até para o próximo ano. Eu sou de uma geração azarada, tudo bem que ainda sou jovem, mas desde que alcancei a vida adulta nunca desfrutei de um dos períodos de "oásis" econômicos que o Brasil costumava ter historicamente, a maioria de vocês leitores já viveram pelo menos um, dois ou três desses períodos, eu ainda não vivi nenhum deles e é muito triste e frustrante ser jovem em uma época tão difícil, a verdade é que provavelmente a minha geração vai passar toda a juventude em uma época de dificuldades, estamos assistindo uma "geração perdida".

Vamos aos números.


O mês foi muito positivo, acabei conseguindo algumas receitas que não esperava o que ajudou em recuperar as perdas de Abril e garantir um aporte alto. A rentabilidade de 0,61% no mês foi muito interessante e surpreendente, no final acabei conseguindo retomar a carteira para o terreno positivo no ano.

AÇÕES: Não vendi nada. Comprei BBDC4, HYPE3 (novidade na carteira e primeira ação de saúde) e SAPR4. Eu continuo na filosofia de escolher empresas de setores estáveis e com boas perspectivas de longo prazo. No mês passado eu tinha mencionado que não investira em ações, mas acabei percebendo que cedo ou tarde boas empresas vão voltar a subir sua cotação e seus resultados e com isso é bom aproveitar os preços baixos, ainda mais eu que penso no longo prazo.

FII's: Melhoraram muito durante o mês, não investi em nenhum FIIs.

ETF's: O IVVB11 avançou nesse mês e continua sendo o líder da minha carteira de renda variável no quesito retorno obtido. Acabei não aportando nele pois achava o preço do dólar muito descolado da realidade quando fiz os aportes na bolsa, se tivesse pegado o dólar em R$ 5,30-5,40 eu teria mandado alguma grana pro IVVB11.

VIDA PROFISSIONAL: A situação no trabalho que era de incógnita em Abril começou a se deteriorar ao longo de Maio, vários colegas começaram a ser demitidos nos últimos dias e parece que ainda teremos mais demissões pela frente. Confesso que a situação não é nada confortável, estou com medo de perder o emprego.

VIDA PESSOAL: Não fiz nada de relevante, continuo em quarentena o máximo possível (ótimo para a saúde e o bolso). 
O que tenho evitado são redes sociais, em especial o Facebook aquele lugar virou uma arena de debate político e fake news de todos os lados. Tenho preferido me manter alheio a tudo isso.
A Pandemia tem mostrado episódios de egoísmo e intolerância, aqui no interior do Brasil o vírus chegou pra valer depois da segunda quinzena do mês e as pessoas estão sendo intolerantes com os contaminados, tenho assistido verdadeiros linchamentos virtuais da imagem e dignidade dos contaminados, é ódio puro. Confesso, às vezes tenho mais medo de ser contaminado e sofrer com o "linchamento moral" do que dos sintomas do vírus.

Bom junho.

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.


sábado, 16 de maio de 2020

Minha opinião sobre a pandemia


Para muitos de vocês leitores que moram nos grandes centros urbanos o COVID19 já é uma realidade no cotidiano, mas para as pequenas cidadezinhas ele ainda é algo distante, bom, no meu caso isso era verdade até semana passada.

A Secretária de Saúde confirmou durante essa semana o primeiro caso de COVID19 na cidade, quando você mora em um lugar pequeno e onde todo mundo conhece todo mundo, você passa a ver o rosto da doença. Eu confesso que mesmo levando a sério a pandemia e tentando tomar todas as medidas de prevenção e mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde a doença chegaria, quando o primeiro caso foi confirmado o choque foi grande, é uma sensação de que por mais que seja um fato e ele seja esperado, você acaba não querendo acreditar.

Eu conheço pessoas do grupo risco, tenho familiares no grupo de risco. Na minha caminhada para o trabalho antes de tudo isso começar as ruas eram ruas cheias de pessoas varrendo a calçada, conversando amenidades entre vizinhos, crianças indo e vindo da escola, enfim o que era a vida normal foi substituído por ruas desertas e as poucas pessoas que ainda transitam já não param para conversar como antes.

Aqui na cidade o comércio chegou a ficar fechado por alguns dias, já faz várias semanas que tudo voltou a abrir, mas é inegável que o faturamento dos comerciantes caiu muito, claro, e isso vale para todos os setores, desde as lojas de roupas passando por toda a economia e chegando até nos supermercados que Brasil afora são considerados como beneficiados da crise, o que não é 100% uma verdade, no caso destes é real que as pessoas estão cozinhando mais em casa, recebendo amigos em casas e evitando sair pras ruas, mas é real que com a dificuldade de frequentar os supermercados e a limitação de pessoas dentro do estabelecimento a tendência é deixar de comprar alguns itens considerados supérfluos, o que faz estoques ficarem parados e como sabemos os produtos tem data de validade e com margens pequenas nesse setor, o lote descartado no lixo faz diferença no fechamento do mês.

O temor nas pessoas é grande pela demissão, as empresas já estão cortando funcionários no interior, e confesso que achei os números expressivos por aqui. Aqueles poucos que fizeram uma reserva de emergência vão tocar o barco até a crise passar, mas sabemos que poucos tem reservas e ainda menos são aqueles que tem condições de ficarem pelo menos 1 a 2 anos sem renda. O que me deixa triste é ver pais e mães de famílias perdendo o emprego com crianças pequenas e com membros doentes da família que dependem de tratamentos caros ou do plano de saúde que não podem mais contar. É inimaginável o que se passa na cabeça dessas pessoas.

É vendo o COVID19 fazer vítimas não apenas pelo vírus mas pelo reflexo na economia que fico cada vez com um sentimento mais pessimista sobre o mundo que vivemos, as coisas parecem que só tem piorado e quando surge um sinal de melhora tudo volta a piorar, eu sou jovem ainda, mas vejo a volta dos bons tempos da economia ser algo cada vez mais distante ou até impossível.

Parece que tudo de ruim acontece de forma ainda pior no Brasil, o mundo parece estar saindo da crise de COVID19 e nós continuamos a afundar cada vez mais, como é possível uma coisa dessas? Eu acho que a raiz do problema é a negligência de décadas e décadas na educação, o brasileiro passa por um sistema educacional que não consegue formar um senso crítico, por isso essas fake news e ideias estúpidas acabam se espalhando tão fácil nesse país, se fossemos um país com um nível educacional melhor certamente essas teorias da conspirações que ultrapassam o ridículo não seriam levadas a sério por tanta gente. Só para deixar claro o problema da nossa educação não é restrito a classes mais baixas, a "elite" também é parte do problema, por mais que frequentem boas escolas elas funcionam para construir uma bolha que impede de ver a realidade do país.

O país só vai sair dessa situação quando as pessoas acordarem pra realidade e pensar no que vamos fazer no dia de amanhã e como vamos fazer isso juntos, essa crise pede união entre as pessoas e cooperação. O grande problema do brasileiro é que somos um povo que se acha: gentil, acolhedor, generoso e hospitaleiro, mas é nessas épocas que vemos infelizmente a verdadeira face desse país, é aqui que o "jeitinho brasileiro" mostra-se tão nocivo, pois o "jeitinho" envolve tentar tirar vantagem de tudo ou achar que a lei só vale para os outros e que você não precisa cumprir ela pois se acha "especial".


Enfim, nesse texto passei por muitos tópicos mas resolvi escrever ele conforme as ideias iam surgindo na mente. O momento é delicado e precisamos fazer a nossa parte. Vamos se esforçar para sairmos disso como pessoas melhores!

Bom Maio.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Fechamento Abril/2020: R$ 150.020,32 (+1,38%)


Eu não quero ser pessimista, mas acho que a situação da economia só está piorando e a maioria dos brasileiros ainda não se deu conta do tamanho do problema que vamos enfrentar, e isso não é só o brasileiro médio que não está enxergando ou alguém acha coerente a alta da bolsa de +10,5% em Abril?

Na minha opinião é evidente que o COVID-19 vai continuar por muito mais tempo do que o esperado, então a volta a rotina normal é praticamente impossível e vamos ter que conviver com o tão falado "novo normal", o problema é que o "novo normal" vai destruir a nossa economia, estava conversando com amigos a alguns dias sobre o impacto no setor de lazer e turismo, existem cidades inteiras no Brasil que vão enfrentar um nível de stress econômico sem precedentes, e mesmo em cidades sem esse perfil é inegável que bares, restaurantes, pizzarias e etc não conseguem sobreviver nessa nova ordem social, ou você leitor acha que limitar em 1/3 a ocupação máxima de um restaurante consegue dar viabilidade para o negócio? Francamente, estamos diante de um problema sério e engana-se quem pensa que será apenas esses setores, com a demissão dessa galera vamos assistir um efeito cascata na sociedade, começando pelo setor de comércio e serviços e depois alcançando todo o resto.

Alguns analistas falam que os primeiros balanços ainda não retratam bem essa desorganização da economia e vamos assistir momentos sombrios na divulgação de balanços do segundo trimestre. Diante disso resolvi que por hora e até que seja possível enxergar uma luz no final do turno vou me abster de investir em ações da bolsa brasileira, vou dar preferência para ir acumulando recursos em renda fixa e talvez investir em alguma coisa exposta ao dólar, em especial o IVVB11.

Só para frisar eu não apoio a abertura geral da economia e a volta irrestrita para a vida normal, ainda tenho juízo na cabeça.

Vamos aos números:
Esse mês fui beneficiado pela recuperação da bolsa que jogou minha rentabilidade para cima, porém ainda acumulo prejuízos com a renda variável. 

Na minha carteira de ações apenas duas estão com rentabilidade positiva (TIET11 e TAEE11) e as duas piores rentabilidades são de BBDC4 e GGBR4, ambas acumulando respectivamente -43% e -42% de prejuízo, mesmo com uma rentabilidade tão horrenda (fruto de ter errado no timing de compra) eu não pretendo vender nenhuma das duas, acredito que ambas são empresas que vão se recuperar no médio-longo prazo, porém não pretendo aportar nelas no momento, pois acho que uma janela vai surgir nos próximos meses.

Nos FIIs eu não tenho nenhum destaque, reconheço que acompanho muito pouco os FIIs que possuo, vejo que todos pagaram dividendos. Os destaques na rentabilidade sendo: RBFF11 e MXRF11 com rentabilidade positiva e XPLG11 com rentabilidade de -19%.
O único ETF que eu tenho é IVVB11 e tem se mostrado um ótimo investimento, está com rentabilidade histórica de +11,56%.

APORTE: Esse mês precisei resgatar dos meus investimentos pelo surgimento de gastos imprevistos, foi algo pontual e espero não ter que repetir esses resgates por um bom tempo. O resgate foi feito de um CDB com liquidez diária.

VIDA PROFISSIONAL: A situação no trabalho é uma verdadeira incógnita, impossível comentar qualquer coisa no momento.

VIDA PESSOAL: Nada relevante. Aliás acho grotesco como algumas pessoas não conseguem simplesmente ficar em casa nessa quarentena, não me refiro a pessoa que precisa sair pra trabalhar, mas tem muita gente reclamando que quer sair de casa, ir pra farra, viajar e tudo mais, sinceramente pra mim esse povo tem uma vida de lixo e precisa dessas injeções de sensações para se enganar. 

Esse mês foi marcado pelas LIVES de artistas, sinceramente eu não vi nenhuma e não entendo esse frison, acho que é fruto da abstinência social de boa parte da sociedade por isso acham a coisa mais incrível do mundo, eu acho tosco. 

Todos tem nessa época uma oportunidade de passar um tempo com a família, você tem que valorizar!

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Como é a vida nas cidades do interior?



 Essa é um modelo de pequena cidade do interior do Sul do Brasil. As cidades nesse estilo são mais comuns nas cidades próximas a fronteira com a Argentina e no Paraná nas cidades do Oeste e Norte do PR.
Sobre a Cidade - Portal Municipal de Turismo de Anita Garibaldi
Essa é outro modelo de cidade do sul do Brasil. Esse é o modelo mais europeu de cidade, normalmente comum no centro-sul do Paraná e na maior parte de SC e RS.

Esses dias "O Mago Economista" escreveu um artigo excelente sobre os maus hábitos do comércio, resolvi deixar minha opinião sobre como funciona no interior e vi o pessoal bastante interessado no tema da vida do interior e então resolvi fazer esse post.

Quero comentar sobre alguns pontos da vida nas pequenas cidades do interior (com menos de 15 mil habitantes), mostrar as dificuldades que morar em pequenas cidades traz para o cotidiano, e isso na realidade que conheço que é das pequenas cidades do Sul do Brasil, justo o Sul do Brasil uma região idealizada por tantos na blogosfera.  

Vamos aos tópicos:
Custo de vida básico (água, energia, TV, internet e moradia): O custo com energia e água não é muito diferente de uma grande cidade, a maioria dos estados tem companhias estaduais desses serviços e isso acaba não mudando muito, porém se você é daqueles que compra galão de água para beber em casa saiba que só gente muito rica faz isso nas cidades pequenas, a água da torneira é muito boa. Já internet é um pouco diferente, normalmente existem companhias locais ou regionais que prestam serviço diretamente para o consumidor, ou seja, é mais comum você ser cliente de um pequeno provedor de internet do que de uma grande operadora. Na maioria das vezes elas apenas oferecem pacotes de internet, ou seja, você não compra junto um acesso a telefone fixo + TV a cabo, nesses casos você acaba precisando contratar outras empresas. O preço da internet varia, normalmente você encontra pacotes 'via rádio' e 'fibra ótica', a questão da fibra ótica é que ela nem sempre está disponível, é uma tecnologia nova no interior que tem crescido nos últimos três anos, algumas cidades ainda tem limitação de cobertura mesmo na área urbana. Morar no interior é relativamente barato, normalmente você encontra apenas casas para alugar, esse negócio de apartamento naturalmente não existe no interior, e também não espere encontrar muitas kitnets, essas são bem raras e apenas em algumas cidades você encontra opção. Na maioria das cidades você encontra uma "casa comum" por R$ 500 a R$ 700 o aluguel. Se você procura por casas ainda mais simples vai encontrar opções dignas por R$ 300 a R$ 500, mas se você está procurando por casas de alto padrão, é bom saber que dificilmente você encontra elas para alugar (existem poucas e elas são casas próprias) e se encontra elas costumam girar na faixa de R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00.
Na hora de abastecer o carro no interior você encontra poucas opções, a maioria das pequenas cidades tem dois ou três postos de combustíveis, normalmente um desses postos é de bandeira (a bandeira Ipiranga é a mais comum). O preço é difícil comparar, ele costuma oscilar bastante de uma cidade pequena para outra, porém costuma ser em média 10% mais caro do que nas cidades que são polos regionais (cidades com mais de 80k).

Serviços de saúde: Você gosta de ter acesso a um hospital? E plano de saúde? As pequenas cidades do interior dificilmente tem um hospital seja ele público ou privado, quando você precisa de atendimento médico de emergência existe os serviços municipais de ambulância e pronto socorro que vão te encaminhar para uma 'cidade polo' que em média fica a 1 hora de carro. Nas pequenas cidades você tem acesso aos postos de saúde, existe fila, e você costuma levar até 4 horas para ser atendido, quando é final de semana normalmente tem um pronto socorro e você pode ir lá se estiver se sentindo mal, porém se o médio decidir que você precisa ser internado esteja ciente que será transferido de ambulância para uma cidade maior.
Os planos de saúde normalmente não tem convênio com os poucos médicos das cidadezinhas, na verdade nem todas as cidades tem algum consultório médico privado. Se você tem um plano (e várias pessoas tem planos de saúde no interior) a principal vantagem é ser atendido em consultórios de médicos especialistas nas cidades polos. Se você não tem plano e precisar se consultar com um especialista vai ser encaminhado para a fila do SUS e quando surgir uma vaga terá de ir para a cidade polo e fazer a consulta.
Ah se você precisa comprar remédios saiba que não vai encontrar nenhuma grande rede de farmácias, simplesmente não existe! Você tem acesso a pequenas farmácias locais, o preço dos medicamentos é mais caro, o pequeno estabelecimento tem giro baixo então é difícil conseguir descontos com os distribuidores de medicamentos. Em uma cidade dessas existe em média de 3 a 5 farmárcias.

Emprego e salários: As pequenas cidades costumam depender principalmente de agricultura e pecuária, a maioria da força de trabalhadores está empregada em atividades rurais, uma parcela é empregada nos pequenos comércios da cidade, outros trabalham nos serviços públicos da prefeitura. 
O ramo industrial é presente em várias cidades (mas não em todas) e é dominado por cooperativas agrícolas e empresas que produzem alimentos, várias cidades tem pelo menos uma grande cooperativa agroindustrial, empresas que cuidam do abate de gado ou frangos e usinas de açúcar e álcool, porém é raro que uma cidade tenha mais do que uma dessas empresas. A maioria dessas empresas costumam empregar entre 100 a 400 funcionários (isso em cidades de até 15k).
Se você está procurando por outro tipo de indústria é bem mais difícil de encontrar, claro, existem pequenas industrias (com 5 a 15 funcionários) mas são empresas muito pequenas. 
Os salários costumam ser baixos nas pequenas cidades, a maioria das pessoas acaba encontrando remuneração entre 1,2k-2,0k por mês. Se você ganha mais do que isso em uma pequena cidade já está bem acima da média. O serviço público também paga salários nessa faixa, se você for professor, contador ou advogado em uma pequena cidade o seu salário é um pouco mais alto (na faixa dos 3k-4k), caso queira conferir basta entrar no Portal da Transparência de qualquer cidadezinha ou ver anúncios de vagas em empresas que vai comprovar o que digo. 

Lazer: Se você tá acostumado com baladas, bares, restaurantes, show's, teatro e cinema então é bom esquecer a vida no interiorzão. As pequenas cidades não tem opção de entretenimento na maior parte do ano, o que você tem pra fazer nos finais de semana é ir na casa de um amigo e fazer um churrasco com ele (isso é muito comum), também pode ir para algum clube tradicional (normalmente de funcionários públicos ou de alguma comunidade tradicional, principalmente gaúchos, italianos e alemães).
Se você curte um barzinho com os amigos no happy, o padrão de bar do interior é esse aqui:
02/05/11 – Bar do Salomao | augusto no buteco
O padrão de bar no interiorzão do Brasil

Esse é o perfil mais comum de bar, é o tradicional 'buteco', são estabelecimentos simples, com essas mesas e cadeiras de plásticos patrocinadas por marcas de cerveja, você costuma encontrar cervejas básicas (Skol, Brahma, Itaipava e Glacial) em alguns deles vai encontrar Heineken e Stella (mas na maioria das vezes não), pinga e pra comer eles costumam ter pastel frito e espetinhos de carne, e assim como as cervejas é apenas em alguns que você vai encontrar porções. É difícil encontrar algum tipo de música ao vivo, a maioria tem apenas um sistema de som comum tocando alguma rádio local ou músicas de pen-drive e uma TV de 32'' ou 43'' que costuma ficar sintonizada na Globo em dias de jogos de futebol (a maioria das pessoas usam parabólica, ou seja, o sinal dos bares costuma ser da GLOBO RJ). Se quiser um pub ou algum daqueles bares temáticos com cervejas artesanais pode esquecer, até que vez ou outra alguém resolve montar um bar nesse perfil, mas costuma fechar em pouco tempo. Os bares temáticos ou chiques são mais fáceis de encontrar nas cidades polos.
Quase toda cidade tem pelo menos uma grande festa por ano, essas festas dependem muito da região, mas costumam estar ligadas as tradições imigrantes, ligadas a agricultura ou algum santo padroeiro local, também é comum a realização de rodeios de touros e cavalos. A maioria das festas acontecem na data do santo padroeiro ou do aniversário da cidade, costumam durar 3 ou 4 dias, e a cidade inteira vai nelas! Existe uma pressão social pela sua presença. Os jovens das cidades pequenas vizinhas como estão na idade de querer curtir costumam ir sempre nas cidades próximas curtir essas festas, assim tem um pouco mais de opção por ano. Normalmente é apenas 1 ou 2 eventos no ano.
Nas pequenas cidades não existem teatros ou cinemas. Se quiser ver o último lançamento do cinema é bom ir pra alguma cidade polo.
Pracinha do Interior - Avaliações de viajantes - Praça Siqueira ...
Uma praça típica de interior.

Aquele fetiche das pessoas reunidas em praça de igreja é um dos maiores mitos sobre o interior. É verdade que quase toda cidade tem uma praça central (na maioria das vez é a única praça) e muitas tem uma igreja católica nessa praça. A praça é o centro da cidade, é envolta dela que costumamos encontrar os principais comércios, bancos, igreja, prefeitura e uma ou outra casa da 'elite local'.
Durante o horário comercial é pouco comum alguém parar ali pra sentar ou fazer qualquer coisa, salve alguns idosos que param lá pra conversar, já que a praça é cercada por serviços essenciais é fácil encontrar alguém nos arredores. No final de semana ás praças ficam vazias, às pessoas costumam ir uma na casa da outra, e os jovens quando não estão na casa de outros jovens vão curtir o FDS nas cidades polos.

Comércio em geral (lojas, bancos, mercados e prestadores de serviços): Nas cidades pequenas não existe shopping center e você também não vai encontrar nenhuma loja de grande rede de vestuário ou móveis. A maioria tem várias pequenas lojas de roupas em geral, uma ou outra loja de eletrodomésticos e móveis também de empresários locais, loja de material para construção, loja de produtos agrícolas (normalmente são as veterinárias), alguns consultórios odontológicos. 
Nas pequenas cidades você tem poucos bancos, a maioria tem dois bancos, normalmente um é uma agência de um grande banco de varejo (BB, Bradesco ou Itaú) e o outro costuma ser alguma cooperativa de crédito. Você não encontra Banco24h a menos do que horas de estrada. É necessário ter conta nesses bancos pois muita gente trabalha com cheque no interior e você precisa depositar ou trocar cheques nos bancos, nem todo comerciante aceita maquininha de cartão de crédito e muitos serviços você só consegue pagar em dinheiro. Esse negócio de fintech não é nada prático no interior.
As grandes redes de supermercados se quer existem, o que você encontra são os mercadinhos locais, eles tem uma boa variedade de produtos e uma cidade com 15k costuma ter quatro ou cinco mercados, porém nada de hipermercados e o preço das mercadorias naturalmente é mais caro, o comerciante tem dificuldade de negociar desconto com os distribuidores. Se você acha que precisa comprar em algum hipermercado ou atacadão é bom aceitar pegar estrada e ir pra outra cidade maior.

Vida cotidiana: "Todo mundo sabe da vida de todo mundo" é a frase que resume a vida nas cidadezinhas, se você chegar de fora pra morar na pequena cidade todo mundo vai perceber que você não é dali, pois todo mundo se conhece. Se você acha que por ser de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e etc quando chegar no interior o pessoal vai achar você diferente, ás mulheres vão se jogar aos pés do forasteiros é bom esquecer a cidade pequena, ninguém liga se você veio da cidade grande.
Toda pequena cidade tem a sua elite local, normalmente são famílias tradicionais e ricas, costumam ser donos de terra, pontos comerciais, supermercados ou então são médicos. Nas eleições ninguém liga para o partido político do candidato, às candidaturas envolvem mais a pessoa do candidato do que as propostas que costumam ser todas as mesmas e sem ideologia política. 
Se você é de fora e chega na cidade, não vá achando que vai ser tão fácil se enturmar com o pessoal, a maioria das pessoas já tem suas panelinhas e elas são fechadas. Se está chegando no interior e tem parente na cidade é mais fácil se enturmar, se tiver parentes na cidades e eles forem da 'elite local' você vai se enturmar mais fácil ainda.
A elite local no interior costuma passar de geração para geração, ou seja, existem sobrenomes proeminentes nas cidades, é como se fosse uma pequena nobreza. As dificuldades econômicas que a maioria das pessoas tem, os baixos salários, a dificuldade de empreender, o baixo acesso a educação e a própria demografia ajudam a dificultar muito a mobilidade social.
É bom ter consciência de que se você sair no soco com alguém a cidade inteira vai falar, se você estiver saindo com fulana ou ciclana, todo mundo vai saber, pois as pessoas estão cuidando da vida de todo mundo e é parte da cidade.

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Espero que depois desse post você tenha uma noção melhor sobre como o interior funciona, aqui não é o paraíso, quem está acostumado com a vida na cidade grande não vai se adaptar fácil, é uma vida de mais limitações e com pouco idealismo.

Se você está na jornada FIRE e quer viver ela no Sul do Brasil nas pequenas cidades eu recomendaria repensar isso, tente procurar pelas cidades polos regionais (com mais de 100k) elas costumam ter uma qualidade de vida melhor. Se você quer vir pras pequenas cidades na esperança de viver uma vida como Alfa é bom esquecer isso.

Se alguém tiver ficado com alguma dúvida sobre a vida no interior pode deixar nos comentários que eu respondo.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Fechamento Março/2020: R$ 151.863,78 (-1,61%)


Nem a pau que eu esperava isso de Março, já dizia Tom Jobim que "são as águas de março fechando o verão, é a promessa da vida no teu coração", e foi isso mesmo em Março de 2020, o bull market terminou e o verão ensolarado da bolsa brasileira foi embora, agora começa a chuva e descobrimos quem construiu seu abrigo e comprou guarda-chuva e quem achou que o verão era eterno.
Eu senti a minha carteira cair nesse mês, foi muito mais do que eu esperava, exatos -1,61% de queda no fechamento do mês, na verdade até é de se comemorar pois no pior momento eu estava me aproximando dos 4% de queda, foi naqueles dias onde até os pré-fixados do tesouro começaram a sofrer uma forte desvalorização.
A única boa notícia do mês é que consegui fazer um aporte bem mais gordo, foram R$ 3.837,00 aportados, com isso eu cheguei mais ou menos na metade do que eu pretendia aportar em 2020. Esse aporte alto não deve se repetir em Abril, se meus planos derem certos será um mês de muito mais gastos, todos na área de saúde, já projeto um mês sem aportes.
Veja um painel da minha carteira e sua evolução:
A rentabilidade do ano de -1,61% não estava nem no meu pior cenário para o trimestre, nas minhas projeções no pior dos mundos eu teria rentabilidade nula, porém o pior dos mundos sempre pode ser pior.
Resolvi nesse mês divulgar minha carteira de ações e FII's para vocês, além delas tenho também o IVVB11 na renda variável. Vou deixar apenas para ilustrar a participação de cada ativo na renda variável. 
Como podemos ver com exceção de TIET11 todas às minhas ações tem rentabilidade histórica negativa, e essa crise tem me ensinado algumas lições: eu não tenho um perfil agressivo em ações e por isso tenho que apostar em empresas mais sólidas, que talvez não tenham um potencial tão grande de valorização, mas que são mais resilientes quando começa alguma crise, ao mesmo tempo tenho que ficar de olho para não comprar topo de nenhuma ação. Eu digo isso pois assisti duas ações da carteira me ensinarem essa lição, a primeira VVAR3 que comprei uma pequena posição e que é o pior resultado histórico com -61%, é uma empresa que apostei na alta e melhora dos resultados, mas não me atentei que sua fragilidade é grande demais e que minha estratégia só daria certo em um cenário otimista para 2020. O outro arrependimento é BBDC4, é uma ação excelente, porém comprei em um topo histórico e acumulo -45% de queda, não pretendo comprar novamente no curto prazo, mas vou segurar a posição.
A escolha de TIET11 e depois de TAEE11 foi acertada, ambas do setor elétrico e são resilientes (em especial a última), não é por acaso que são minhas melhores performances históricas.

Nos FIIs eu não tenho muito o que comentar, compro sempre pensando nos dividendos, porém tenho um pouco de pé atrás, acredito que vão cair quando aprovar a tributação de dividendos e tenho dúvidas sobre se voltarão a reagir no médio prazo.

APORTE DO MÊS: Aportei em ITSA4 (adoro essa ação, só não compro mais pois fico um pé atrás de me expor ao setor financeiro enquanto não fica muito claro até onde fintechs podem impactar os resultados), TAEE11 (precisava de uma transmissora), MXRF11 (o famosinho entre os FII's, comprei pelo bom DY) e RBFF11 (talvez não aportaria se fosse hoje).

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VIDA PESSOAL: Tentei ser o mais frugal possível no mês, e com isso praticamente não sai de casa, o que contribuiu para o aporte. O meu maior temor é o trabalho, essa crise de COVID19 com certeza vai gerar demissões, estou preocupado com essa possibilidade e não quero ser demitido, é um momento horrível pra isso acontecer. Peço a Deus, que proteja todos os brasileiros do desemprego.

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

domingo, 1 de março de 2020

Fechamento Fev/2020: R$ 150.515,60 (-0,18%)

E aí pessoal! Tudo bem por aí?

O segundo mês de 2020 parecia não guardar nada de tão especial quando começou, aposto que nem os mais pessimistas de vocês esperavam que acontecesse tanta coisa ''ruim'', mas agora é hora de medir o tamanho do estrago e olhar pra frente.

A XP projetou no ano passado que a bolsa chegaria em 140 mil pontos em 2020, bom vamos imaginar que ela feche no último pregão nesse patamar? Fácil, é só subir de hoje até lá +34,4%. Eu não acredito que depois desses últimos dias possa ser possível, mas vamos aguardar hahaha.

A realidade é que muitos CPF's chegaram na bolsa por conta de influenciadores digitais, alguns desses influenciadores fazem mais um show na internet do que orientação responsável de investimentos. No meu cotidiano eu vejo muita publicação no Instagram sobre investimentos pois é um assunto que me interessa, mas se você for agora lá no seu Instagram vai perceber que tem páginas sobre investimentos que não passam de clickbait e que vivem de postagens sensacionalistas para aumentar o engajamento e assim vender-se melhor para possíveis parceiros e/ou anunciantes. É por isso que é preciso ter bom senso na hora de levar em conta a opinião de alguém, tem muito influenciador com conteúdo bacana nas redes sociais, basta ter discernimento. 

Fica aqui a reflexão sobre o tema.

FECHAMENTO DO MÊS

FINANÇAS: No post passado eu terminei a aba de finanças dizendo:
A emergência global por conta do vírus acabou empurrando o resultado da carteira para essa alta de +0,13%, porém acho que é apenas o velho pânico e não acredito em um desastre econômico global, na verdade acho que esse é um ótimo momento para comprar ações.
Até a sexta-feira (21) eu ainda concordava com minha opinião do mês passado, naquele dia eu tinha uma rentabilidade de +0,40% no mês, e foi com apenas dois dias e meio de bolsa aberta que o meu desempenho recuou para -0,18% no consolidado mensal. 
Durante o mês eu fiz um aporte forte e mandei ele inteiro para a renda variável, foi um mês com receitas fortes e cortes de gastos e tudo isso impulsionado por um mês mais curto e um feriado de carnaval onde eu não saí nenhum dia de casa. Por sorte resolvi aumentar minha exposição principalmente em FII's e IVVB11, mesmo que o último tenha caído forte eu acabei aportando nele somente no final da quarta-feira e com isso não peguei toda a queda. Durante o mês também comprei algumas novidades para a carteira: KNRI11 e RBFF11 entre os fundos imobiliários e comprei EGIE3 e WEGE3 entre as ações, soma-se a isso alguns aportes extras de pequeno valor em SAPR4 e VVAR3 porém acabei não comprando TAEE11 que era uma ação que estava de olho no começo do mês e que for falha minha não coloquei na minha listinha de compras antes de subir as ordens pra bolsa.

Estou começando a refletir minha carteira de renda fixa, a maioria da carteira vence em meados de Outubro, porém hoje todos os ativos já podem ser resgatados, estou deixando em compasso de espera pois eu quero manter esse valor ainda em renda fixa, mas quero buscar rentabilidades maiores e por isso estou acompanhando melhor oportunidades em LCI/LCA e CDBs. 

VIDA PESSOAL: Sem novidades. No trabalho eu criei um planejamento de evolução no meu cotidiano, porém estou abaixo do que eu planejei, vou buscar melhorar em março. Quanto a saúde foi um mês positivo, o peso chegou em 77,3kg na última medição e assim parece que alcancei o platô, porém estou com IMC adequado.

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Para março espero aportes em nível mais baixo, não espero nenhuma receita extraordinária no período e o mês é longo.
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Importante: Esse blog e o conteúdo aqui publicado não é recomendação de investimentos, trata-se apenas do relato e da opinião pessoal, por isso nada do que está escrito nele deve ser levado em conta na tomada de decisão de investimentos por qualquer pessoa.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Fechamento Jan/2020: R$ 141.129,12 (+0,13%)



Oficialmente começou 2020! O primeiro mês do ano já começou agitado nos investimentos e na vida pessoal. A rentabilidade de 0,13% não foi boa, mas pelo menos ficou positiva. Vamos para os detalhes desse mês?


FINANÇAS: Quando o mês começou eu estava moderadamente otimista, a bolsa parecia continuar com tendência altista o que me deixava animado, mas eu já tinha a consciência de que alguns ativos estavam apresentando sinais de sobrevalorização. Acabei fazendo minhas compras em meio a tensão envolvendo a Crise Iraniana, imaginei que essa crise duraria alguns dias e que a queda nos ativos fornecia uma boa oportunidade de compra, acabei comprando algumas ações: Bradesco, Gerdau e Suzano e um FII's o XPLG11, no dia me pareceu escolhas muito plausíveis, porém hoje não tenho tanta certeza.
Depois dessas compras me faltou tempo para analisar outras ações ou FII's e então decidi acompanhar passivamente minha carteira ao longo do mês, percebi que a escolha dos meus aportes acabou me expondo acima do que gostaria no setor bancário, por isso decidi que não vou mais aportar nesse setor no curto-médio prazo até que eu consiga reequilibrar a carteira de ações.
Nos ativos de renda fixa eu não fiz compras ou vendas durante o mês, optei por deixar tudo como estava. Os ativos de renda fixa foram os responsáveis por segurar no campo positivo o desempenho do mês.
A emergência global por conta do vírus acabou empurrando o resultado da carteira para essa alta de +0,13%, porém acho que é apenas o velho pânico e não acredito em um desastre econômico global, na verdade acho que esse é um ótimo momento para comprar ações.

VIDA PESSOAL: Alguns eventos durante o mês me deixaram reflexivo sobre como às coisas podem mudar de uma hora para a outra. Foi um mês extremamente corrido no trabalho, fiquei exausto na maioria dos dias, além disso acabei precisando fazer uma viagem a trabalho o que acarretou em gastos maiores no cartão de crédito, vou ter que apertar um pouco o cinto em fevereiro para não comprometer a meta anual.

Que fevereiro seja bom!
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