domingo, 14 de março de 2021

Índia, o verdadeiro "país do futuro"?

Já tratei aqui no blog do que considero ser minhas limitações na hora de investir fora do Brasil, dentre os principais fatores que postergam esse investimento no exterior é a falta de conhecimento sobre o dinamismo da economia de cada país, sobre o mercado consumidor e sobre como cada empresa está inserida dentro de uma economia que não conheço. Diante disso considero que o meu foco nesse tipo de investimento devem ser os ETF’s e não à escolha de ativos individuais.

Nessa disputa por encontrar ETF’s adequados me deparei com uma classe bem interessante: os ETF’s de países. Hoje o que trago aqui é alguns dados que encontrei pesquisando sobre a Índia

Vamos dar uma olhada na performance do MSCI India Index, um dos mais interessantes indicadores sobre o mercado acionário indiano.

O MSCI INDIA se valorizou em +18,6% em 2020, um pouco a baixo do índice dos "Mercados Emergentes" e do "BRIC". Agora dê olha olhada no desempenho do MSCI India em alguns intervalos de tempo:


Nesse ano de 2021, o índice tem um desempenho pior do que o BRIC e o Mercados Emergentes. Quando levamos a comparação do retorno bruto anualizado, vemos que o fundo desempenhou praticamente em linha com os outros dois índices nos últimos 3 anos, enquanto apresentou um desempenho pior nos últimos cinco anos, já no horizonte de 10 anos a performance foi praticamente em linha com os outros dois índices, com uma pequena vantagem para o MSCI INDIA.

Deixando o passado de lado e olhando para o futuro, vamos dar uma olhada em algumas projeções sobre o país.

O PIB do país foi de US$ 2,6 trilhões de 2019 e deve alcançar US$ 9 trilhões em 2030, caso o melhor dos cenários seja confirmado (ou seja, com o efeito positivo das reformas que o governo indiano tem promovido nos últimos anos) o que o colocaria como a 3ª maior economia do mundo e com clara expectativa de que o país ultrapasse os EUA até 2050 e se torne a 2ª maior economia do mundo, já no cenário mediano a economia pode alcançar algo próximo a US$ 6,0-US$6,5 trilhões em 10 anos. Alguns brasileiros podem ser céticos sobre criar expectativas para a economia de um país com base em reformas, pois bem, a Índia ao contrário do Brasil não é um país onde apenas se promete reformas, o país realmente tem entregados reformas importantes nos últimos anos com especial para a reforma do setor bancário e do setor agrícola (recente causador de amplos protestos no país).

A população da Índia de 1,3 bilhões de pessoas em 2020 deve crescer UM BRASIL nos próximos dez anos e alcançar 1,5 bilhões de pessoas. A Índia é um dos países com população mais jovem do mundo, o que coloca debates sobre assistência social para idosos fora do centro do debate político e do orçamento público.

O rápido crescimento econômico da Índia deve ser maior do que o crescimento da população, o que implica claramente no crescimento do PIB per capita do país, o que fortalece o crescimento do mercado consumidor indiano, tornando o país atrativo para grandes redes de varejo de olho em uma classe média em forte expansão e esse volume de crescimento é praticamente único no mundo.

O setor imobiliário deve ser um dos principais protagonistas da economia indiana, a expectativa é que o percentual de indianos vivendo nas cidades cresça de 33% para 38% da população, o que vai causar uma demanda imensa de construção civil no país.

Alguns outros setores da economia indiana também são destaques internacionais, em especial o setor de tecnologia, pois na Índia encontra-se um dos mais pujantes e inovadores setores tecnológicos do mundo. A expectativa é que em 2025 a economia digital represente 18%-23% do PIB, de acordo com o CBRE.

Entretanto, a Índia também enfrenta problemas...

O país é um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas, em especial a forte concentração da população na região do Ganges que é também uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas. O país é superpovoado, e muito limitado em recursos naturais.

A Índia também é formada por muitos grupos étnicos-religiosos, para quem acha que diversidade é uma marca do Brasil é porque nunca parou para olhar a Índia. O problema é que a relação entre esses grupos étnicos-religiosos nem sempre é pacífica, existe muita tensão no país, em especial entre hindus e mulçumanos.

O sistema de castas indianos é também um outro problema, o governo tem tentando tomar medidas para combater esse sistema que ainda é enraizado no interior da Índia e dificulta a mobilidade social.

Do ponto de vista internacional a Índia se situa no Sul da Ásia e é um ator importante regionalmente, entretanto em questões importantes de rivalidade com alguns vizinhos: a China, com quem possui disputas territoriais e com quem disputa a influência sobre o Sudeste da Ásia e o Paquistão, com quem historicamente tem um relacionamento tenso e envolve uma delicada disputa sobre a Caxemira.

Confesso que ainda não tomei uma decisão se vou investir em ETF's de países, mas para tomar essa decisão é importante estudar sobre essas economias e por isso resolvi começar a pesquisar sobre alguns países e verificar como está a perspectiva para os próximos anos. Quando eu tomar uma decisão eu vou contar para vocês aqui no blog. 

E aí galera, alguém investe em ETF's de países ou já pensou a investir? Qual a opinião de vocês sobre isso?

E sobre a Índia?

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O Objetivo desse post é retratar a minha visão pessoal sobre o assunto, não é uma recomendação de investimento e antes da tomada de qualquer decisão é importante que o investidor busque estudar profundamente qualquer estratégia, verificar os ricos e se ela faz sentido para o seu perfil de investidor. Caso deseje recomendação de investimento procure especialistas no assunto.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Fechamento Fevereiro/2021: R$ 195.559,03 (-0,35%)

 


É engraçado como o "mercado" ficou surpreso com às ações do Bolsonaro na Petrobras e outras estatais, parece que todo mundo foi pego de surpresa ao descobrir que temos um presidente nacionalista e populista. Eu não fiquei nenhum pouco surpreso com as notícias, pelo contrário, sempre esperei que isso fosse acontecer, o Bolsonaro é um populista, tal como a ex-presidente Dilma.  A preocupação dele é com o que o povo vai pensar ou deixar de pensar dele, ele não tem agenda econômica (e nunca escondeu isso, pelo contrário, sempre sentiu orgulho), sempre vai para onde acha que consegue se manter popular.
A agenda de Bolsonaro é guiada pelo anti-PT, isso é uma das poucas coisas sinceras que vejo vindo dele, a pandemia é algo que alguém (provavelmente uma corrente de Whatsapp) colocou na cabeça dele que é um "instrumento de esquerda" e por isso ele se opõe às medidas de restrição de circulação. Com a pandemia retrocedendo no mundo inteiro, nós seguimos estáveis no topo da curva que já se tornou um platô.  
Sobre o debate de reformas, alguém já parou para perceber que não se fala mais em cortar custos para economizar dinheiro no Orçamento? O debate agora só gira entorno de fazer reformas para cortar custos de um lado, e abrir linhas de gastos do outro lado. Faz sentido reformar? 
No fundo o governo Bolsonaro vai se transformando em mais um governo populista brasileiro, um país que amou, ama e continuará a amar o populismo, e convenha-se digníssimos leitores que entre o populismo de esquerda e o de direita existe uma linha muito tênue. 

Vamos ao fechamento do mês


É, confesso que mesmo na filosofia "Buy and Hold" quando você assiste seu patrimônio cair por dois meses consecutivos você fica chateado. A estratégia de investimentos da carteira continua a mesma, não considero que a queda nesses dois meses significou nenhuma mudança estrutural para a economia nacional ou global, eu sigo firme acreditando é que apenas fruto de ruídos do mercado.

Acompanhamento de Dividendos


Em fevereiro recebi menos dividendos de ações, por outro lado os proventos de Fundos Imobiliários que são mais fáceis de manter uma constância mensal subiram, é resultado dos novos aportes em FIIs. O total do mês foi de R$ 96,99.

Aportes: O total do mês foi de R$ 10.821,37. Eu falei que voltaria para o jogo e finalmente consegui voltar, é claro, esse aporte extremamente gordo é fruto de um mês onde gastei pouco, somado com o recebimento do bônus do segundo semestre do ano passado e o fato de eu ter pago impostos à vista.
Entretanto o calendário da entrada desses recursos não foi dos mais favoráveis, recebi o salário e o bônus na primeira semana do mês, e comecei a aportar antes da queda do mercado, eu pensei em distribuir ao longo das semanas, mas me deu na telha de comprar tudo de uma vez e no final das contas acabei entrando no topo do mês.
Os aportes do mês incluíram um misto majoritário entre Fundos Imobiliários, como novos aportes em MXRF11, GGRC11 e VINO11. Também aportei em IVVB11 para garantir minha exposição ao S&P500 e me proteger das oscilações da economia brasileira. No campo de ações adicionei aportes extras de EGIE3 (Engie Brasil) e CYRE3 (Cyrela), além disso, coloquei uma nova ação na carteira RAIL3 (Rumo Logística). 
A escolha da Rumo foi motivada pela minha crença de ser uma empresa descontada, onde gostei dos fundamentos e uma ótima área de atuação que é o setor de transporte ferroviário, com uma presença capaz de capturar o pujante mercado de exportação do agronegócio. 

Ações: Infelizmente o mês foi cheio de más notícias para várias ações. A Sanepar está sofrendo com intervenções do governo do Paraná, a BB Seguridade sofre com a ameaça de intervenção no BB pelo governo federal, e a AES Brasil entregou um resultado abaixo do esperado. Os destaques positivos ficam por conta de Bradesco, com um desempenho muito acima do esperado e da Gerdau que também surpreendeu.

Fundos Imobiliários: Estou tentando diversificar a carteira, pois constatei que estava muito concentrada em alguns fundos específicos e que o peso do 'tijolo' na carteira estava abaixo do que eu gostaria. Acabei optando por investir em Lajes Corporativas e Shopping Center para aumentar essa diversificação. 

ETF's: Continuo com IVVB11 na carteira e aportei ainda mais nele, não vou ser redundante aqui em falar do quanto gosto dsse ativo. Sem novidades em ETFs.

Renda Fixa: Os títulos pré-fixados estão subindo, entretanto não animei de comprar nenhum deles, o risco inflacionário está no meu radar e a ideia seria comprar um IPCA+, fui dar uma olhada neles e não gostei das taxas. Acabei não aportando em RF, mas acredito que vou precisar aportar em alguma coisa, pois sinto que estou chegando próximo do limite de RV que acho confortável na minha carteira.

Vida Profissional: Foi um mês bem estressante no trabalho, infelizmente mais algumas pessoas foram desligadas. A cobrança continua intensa. Às vezes me questiono se estou no lugar certo, mas olho para fora e vejo que o mercado de trabalho está todo destruído e que o problema se tornou generalizado no país.

Vida Pessoal: Sem novidades para comentar. Eu acabei saindo bem pouco nesse mês, o importante é sair para passar seu tempo com gente que você goste, já passei da fase de tolerar gente que não gosto. 
Já baixei o App do IRPF2021, estou começando a montar a declaração e com uma carteira diversificada com duas dezenas de fundos/ações é um trabalho demorado a declaração, soma-se a isso que cada informe segue um padrão diferente o que pode induzir a erros de preenchimento, essas coisas deviam ser padronizadas.

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AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O diploma de faculdade no Brasil

            O colega O Mago Economista, levantou a bola para um excelente tópico alguns dias atrás, a educação superior no Brasil e quero aqui deixar registrado que também enxergo esse problema.

 Sou nascido na geração dos millenials, cresci acreditando que a faculdade era um divisor de águas na vida de uma pessoa. O meu sonho sempre foi fazer uma graduação, pois ela me daria uma profissão boa, um bom emprego, um bom salário de classe média e uma vida próspera e tranquila.

        A minha infância e adolescência foi vivida nos tempos áureos do governo Lula e o começo do governo Dilma, você meu amigo, pode discordar sobre o método usado para sustentar aquele boom econômico, mas nunca poderá discordar que havia um sentimento generalizado de que vivíamos a era do “país do futuro”.

Tratando-se de Brasil às coisas não eram o mar-de-rosas que pareciam, o boom econômico foi acompanhado de um boom de faculdades pelo país. Com a economia decolando era necessário cada vez mais “mão-de-obra qualificada”, o problema é que a explosão de vagas no ensino superior só conseguiria refletir em qualidade e prosperidade de vida para os formandos se a economia conseguisse se manter com um crescimento chinês, o que não aconteceu.

O Brasil mergulhou nos seus próprios problemas a partir de meados de 2013, naquele ano às Jornadas de Junho, mostraram que apesar do otimismo, esse ainda era o país do corporativismo. A economia murchou rapidamente, o governo tentava artificialmente sustentar o boom com estímulos, mas já não era como antes.

Enquanto isso às graduações continuavam a entregar safras cada vez maiores de alunos, todo governante gosta de bater no peito que está investindo em educação e o diploma universitário sempre foi respeito pelos brasileiros. O problema é que o mercado foi inundado de profissionais até o ponto de saturação.

O que sobra hoje? Milhões de brasileiros com diploma superior que não conseguem trabalhar na área, quando conseguem são para eternos programas de estágio ou fazendo simples bicos, que se colocados na ponta do lápis não valem o custo financeiro e de tempo que tiveram.

Hoje se você excluir Medicina, quase todos os cursos não oferecem boas perspectivas de emprego para os recém-formados. É óbvio que um estudante formado em meia dúzia de universidades brasileiras e em meia dúzia de cursos ainda tem boas possibilidades, entretanto a cada dia até mesmo eles já veem um cenário mais complicado.

É só ver a quantidade de motorista de app com ensino superior, aqui não quero criticar quem é motorista de aplicativo, é uma profissão digna como todas as outras, mas se você parar para perguntar o que levou o cara a optar por esse caminho, muitos vão dizer que foi a falta oportunidades na sua área de formação. E ainda precisamos dar graças a Deus, pois muitos e muitos brasileiros com diploma estão desempregados e sem perspectiva alguma.

Enquanto isso o governo segue estimulando o sonho do diploma, e cada vez mais explodem as vagas, em especial aquelas do EAD. Ninguém está preocupado com esse desperdício de capital humano, na verdade todo mundo fecha os olhos para o problema e segue o jogo.

Não estou defendendo o fim do acesso a graduação para criar uma elitização da sociedade e negar o direito das pessoas de ter acesso ao ensino, mas acho que já passou do momento de alguém em Brasília parar e pensar sobre o que está sendo feito, e quantos jovens brasileiros estão desperdiçando seu tempo na esperança de um futuro de sucesso, quando saem da faculdade direto para o abismo do desemprego.

O mais curioso é que o jovem ainda tem que tirar o diploma de faculdade, pois é, mesmo que ele hoje não valha nada, a superoferta garante que qualquer vaga de emprego exija um diploma, mesmo que não faça diferença prática nenhuma para exercer a função. E lá se vão os jovens, na eterna corrida pelo diploma, que ao mesmo tempo em que não vale nada, acaba valendo tudo.

É vergonhoso que ninguém em Brasília pareça se importar com a geração de brasileiros que está sendo desperdiçada e isso tudo na última fase da nossa janela demográfica, tudo por incompetência e corporativismo! 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Fechamento Janeiro/2021: R$ 185.424,77 (-0,37%)


O ano começou com bastante agito no mundo político e econômico, muita coisa acontecendo e isso torna difícil escolher qual a notícia para ilustrar o mês de janeiro, entretanto o compromisso é sempre escolher algum fato e por isso decidi pela "Bolha do GameStop" (NYSE:GME).

Eu não quero supervalorizar esse movimento da GME, na minha estratégia de investimentos esse tipo de acontecimento tem zero impacto, entretanto acho que é apenas um sintoma do momento que vivemos na economia global, todo mundo olha para a GME, mas será que existe apenas essa ação com preço formado por especulação irracional? Será que algumas grandes empresas de tecnologia, algumas startups e até empresas de outros "setores comuns" não estão com o preço inflacionado por pura especulação? 

Eu confesso amigos da blogosfera que não consigo comprar  empresas com múltiplos estratosféricos,  já escrevi aqui antes que acho incrível a criatividade em criar "indicadores de desempenho" de alguns especialistas por aí, só para justificar suas teses de investimentos em empresas que só sugam caixas e mostram problemas crônicos em gerar rentabilidade e lucro. 

Eu ainda aposto que daqui não muito tempo o mercado vai corrigir essas bolhas, na verdade eu vejo que o nervosismo com a GME pode ser um sinal de que tem pesos pesados que já estão percebendo o risco de estouro de bolha, e espero que o estouro quando acontecer seja da forma menos indolor possível para o conjunto do mercado.

Vamos ao fechamento do mês...


Depois de três meses de alta, chegou a correção. O mercado finalmente deu uma folga no rali que começou na eleição americana e durou até a primeira quinzena desse mês.

A carteira registrou uma queda de -0,37% em janeiro. E agora vou lançar um acompanhamento mensal de proventos/dividendos/JCPs recebidos:


Dividendos: Recebi R$ 138,09 em janeiro, é muito bacana ver a enorme evolução em pouco mais de um ano em investimentos em RV, no mesmo mês do ano passado eu tinha recebido apenas R$ 9,94. 

Aportes: O total do mês foi de R$ 1.137,12, ainda que possa parecer menos do que estou acostumado a aportar em outros meses, fiquem tranquilos não aconteceu nenhuma oscilação significativa nos meus custos de vida, na verdade nos últimos meses do ano preferi guardar dinheiro no Fundo de Gastos Pessoais, e janeiro sempre é um mês que aporto pouco por conta de gastos não-recorrentes em outros meses.

A estratégia de aportes do mês foi focada em Fundos Imobiliários, com a adição na carteira de VINO11 (Lajes Corporativas, setor novo), MALL11 (Shopping, setor novo) e GGRC11 (Logística), a escolha dos fundos foi para diversificar os setores e para aproveitar o bom DY que estão entregando, além disso, reconheci que minha carteira estava muito exposta em fundos de papel e híbridos. Também comprei um pouco de BBSE3, pois deve pagar dividendos em breve e é uma empresa de um setor que acho interessante e SAPR4, pois está passando por um período de baixa por conta do Paraná ter moderado o reajuste da tarifa, entretanto acredito que é uma boa empresa para o médio-longo prazo.

Ações: Nenhuma empresa da carteira me chamou a atenção durante o mês, na verdade a expectativa é pelos resultados que começam a chegar agora em fevereiro, estou ansioso por uma boa performance de todas as empresas e acima de tudo, para que anunciem gordos dividendos.

Fundos Imobiliários: Nenhum destaque interessante na carteira, o que percebi era a forte dependência na carteira de fundos de papel e híbridos e por isso decidi pela diversificação, fiquei tentado a comprar RBVA11, mas estudei um pouco mais sobre o fundo e decidi que ainda tenho muitas incógnitas pendentes de serem resolvidas sobre ele e por isso ficou de fora do aporte.

ETF's: Continuo apenas com IVVB11, que foi um dos poucos ativos da carteira que valorizou nesse mês.  Estou começando a pesquisar mais a fundo sobre ETFs no exterior, pois pretendo começar a investir nos próximos meses diretamente pelos EUA. Uma das coisas mais legais que encontrei foram o índices teóricos da MSCI, tem muita coisa interessante, o problema é que muitos índices são apenas teóricos e não encontrei ETF's que os acompanhem na prática. Parece que o mercado americano de ETF's não é tão grande quanto eu imaginava hahahaha.

Renda Fixa: Nada de interessante acontecendo, o Copom parece que vai subir os juros um pouco mais cedo, como um bom órfão da renda fixa eu fico animado com a notícia.

Vida Profissional: No trabalho tudo segue na mesma, tem sido estressante na verdade, por enquanto as notícias sobre novas rodadas de demissões desapareceram, espero que continue assim.

Vida Pessoal: Nada de relevante.

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AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.

domingo, 17 de janeiro de 2021

2021: Ano novo, velhos problemas + Metas 2021

O novo ano já começa com os velhos problemas de 2020, a pandemia segue intensa, com gente morrendo aos montes e muito mais infectados do que antes, o que vejo aqui no interior é recordes e recordes de infectados, isso mostra que ninguém e nenhum lugar está a salvo da pandemia.

O governo continua perdido e falando nada com nada, o negacionismo da vacina é impressionante, o mais curioso é a quantidade de pessoas que questionam a segurança das vacinas, e que ao mesmo tempo apoiam o uso de medicamentos que não tem nenhum estudo sério respaldando, e que apoiam apenas com base em ‘especialistas de Facebook’ que normalmente tiram suas teorias de dentro da bunda.

Se o governo não fala nada com nada, o Congresso por outro lado continua fazendo nada. Faz meses que a produtividade que nunca foi das melhores caiu para quase zero, o que tivemos de relevante aprovado em 2020? O Marco do Saneamento é provavelmente o grande destaque e convenhamos não deveria ser dele o título apesar da relevância setorial, o mais incrível é que tudo parece estar parado por conta de “egos”.

A economia mostra sinais de cansaço com o fim do auxílio emergencial, vários setores já estão sentindo uma pesada desaceleração, o desemprego em 14% segue com viés de alta, a SELIC artificialmente mantida baixa para estimular a economia já perdeu faz muito tempo o seu poder de estimular a economia e agora só resta o crescimento do seu maior efeito colateral (inflação), o dólar nas alturas é a faca de dois gumes, de um lado favorece a exportação, do outro lado dificulta a importação de equipamentos para a indústria brasileira que é dependente de outros países e atrasada tecnologicamente.

Lá fora os EUA já vivem clima de fim de festa com o Trump mostrando que não sabe perder uma eleição, o grande problema de Trump é que seu governo radicalizado gerou um governo sucessor com igualmente potencial de radicalização, foi o antagonismo que alimentou o surgimento de uma linha mais a esquerda nos Democratas e que certamente vai pressionar o governo Biden. O Brexit finalmente aconteceu, mas sinceramente o Reino Unido já não é um protagonista da economia global faz muito tempo, o máximo que vai conseguir é continuar sendo um coadjuvante por mais uma ou duas temporadas. O discurso ambientalista de Macron parece ser sustentado apenas no interesse de garantir a perda de espaço do agronegócio brasileiro para garantir espaço para o agronegócio francês na Europa.

É difícil ficar animado com todo esse cenário, a única escolha é arregaçar às mangas e ir atrás daquilo que depende de nós mesmos e é por isso que mais uma vez faço minhas metas anuais, é nelas que vou guiar o meu novo ano.

METAS DE 2021

  • Patrimônio de R$ 220.000,00 em 31 de dezembro de 2021.
  • Aporte de R$ 28.176,50 ao longo do ano.
  • Recebimento de R$ 2.000,00 em dividendos.
  • Rentabilidade anual de +5,0% no patrimônio.
  • Melhorar meu desempenho e desenvolvimento no trabalho.
  • Encerrar o ano com peso abaixo de 78kg.
  • Fazer uma bateria de exames básicos de saúde.

Encerro deixando para vocês uma pequeno diálogo retirado de um livro clássico:

Alice perguntou: Gato Cheshire... pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?
Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato. 
Eu não sei para onde ir! – disse Alice. 
Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

 Alice no País das Maravilhas (1865)

 

Esse blog não tem a intenção de recomendar investimentos para ninguém. Trata-se apenas um blog pessoal, o objetivo é relatar minha opinião pessoal sobre o tema de investimentos e outros assuntos. NENHUMA postagem ou comentário neste blog deve ser levada em consideração na tomada de investimentos por ninguém. Caso deseje orientação sobre investimentos recomendo que procure assessoria especializada no assunto.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Fechamento Dezembro/2020: R$ 184.984,10 (+1,09%)

Senhoras e senhores, o ano de 2020 está oficialmente encerrado. Já no novo ano vamos para o último fechamento mensal e dessa vez o post é especial.

Esse post é composto por três tópicos: Fechamento mensal de dezembro, análise da carteira em 2020 e "Metas de 2020: Projetado vs. Realizado. Não haverá o já quase que tradicional comentário de algum assunto ou notícia como eu vinha fazendo. 

Agora vamos para o que interessa.

FECHAMENTO DE DEZEMBRO/2020


Quando novembro terminou eu acreditava que seria muito difícil um mês tão bom ser seguido de um mês também muito bom, entretanto acabei sendo surpreendido por um dezembro acima das expectativas. A carteira entregou uma rentabilidade de +1,09% no mês, fiquei extremamente satisfeito com o resultado.

Nesse mês eu não aportei nenhum valor, claro, tal como no mês de novembro isso não quer dizer que não sobrou nada do meu salário, o que eu fiz foi destinar todo o valor para o meu “Fundo de Gastos Pessoais”, entretanto ainda não sei se vou conseguir gastar mesmo esse “fundo” ou vou acabar revertendo-o para investimentos, é algo que vou decidir em janeiro.

ETF’s: O IVVB11 continua como o único que eu tenho em carteira, nesse mês ele apresentou valorização positiva e por mais que minha estratégia não envolva a análise técnica de ativos, ele tem oscilado a maior parte do tempo entre R$ 205 e R$ 211, entretanto esporadicamente surge algumas oportunidades abaixo dos R$ 205. A análise técnica não é algo que me aprofundo e não uso para fins de definição de investimentos. Eu continuo gostando do ativo pela combinação de “dólar + S&P500”.

Ações: Um mês bacana para a carteira. Quero destacar o setor bancário, com Itaúsa e Bradesco entregando “data-com” e voltando a pagar dividendos como se espera desse setor tradicionalmente generoso nos proventos, o Conselho Monetário Nacional vai decidir no primeiro trimestre se vai liberar os bancos para distribuir mais dividendos. A Sanepar é um sinal de alerta na carteira, e foi um balde de água fria no final do mês, pelo que entendi o governo do Paraná liberou o aumento da tarifa de consumo, porém ela veio muito abaixo do que se esperava, pois, a tarifa foi represada por muito tempo na pandemia, pelo que entendi o órgão responsável por autorizar os reajustes vai considerar o impacto do reajuste menor em 2021 nos próximos reajustes, é ver para crer.

FII’s: Continuam todos andando de lado. Aqui não tem muita novidade, eu continuo não acompanhado de perto nenhum dos meus fundos e tenho uma dificuldade imensa em escolher ativos para a carteira, entretanto gosto da baixa oscilação e do dinheiro pingando.

Renda Fixa: Os títulos do Tesouro performaram bem durante o mês, entretanto estou começando a ficar preocupado com a inflação e o populismo econômico, se o governo continuar com medidas populistas e se prorrogar os gastos extras com a pandemia acho que a inflação vai subir e ainda não sei se é no dólar ou no IPCA+ que vou encontrar uma boa proteção, quem sabe não seja em um fundo de IMAB+5? Enfim, satisfeito com o resultado do mês, mas preocupado com o futuro.

Vida Profissional: Dezembrão chegou, as demissões aparentemente cessaram, fala-se na rádio peão que vai começar um novo ciclo de demissão no começo desse ano. No cotidiano no trabalho, é a correria tradicional de final de ano, com dias muito estressantes. O resultado principal das demissões é que a carga de trabalho de todo mundo aumentou bastante. A empresa vai aumentar a cobrança por resultados maiores nesse 2021, espero que o facão continue longe de mim.

Vida Pessoal: Sem fatos relevantes.

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ANÁLISE DA CARTEIRA EM 2020


Eu imagino que isso surpreenda muitos de vocês, pois é, sou um “jovem idoso” e minha carteira é composta principal de Renda Fixa.

Hoje eu tenho 76% dos ativos em Renda Fixa, sendo que 63% está em pós-fixados e 13% em pré-fixados. Isso é fruto do saldo da minha carteira nos anos anteriores que basicamente tinha apenas ativos de renda fixa, a primeira diversificação que eu fiz foi comprar títulos pré-fixados e só finalzinho de 2019 é que entrei de vez na renda variável.

A Renda Variável, representa aproximadamente 24% da minha carteira. As ações somam 11%, os Fundos Imobiliários são 6%, o ETF é 7% e os Fundos Multimercados somam menos de 1%.

É por essa característica de ¾ em Renda Fixa que eu tenho oscilações menores de rentabilidade, ao mesmo tempo em que isso limita meus ganhos isso também me garantiu tranquilidade em épocas mais conturbadas como o auge do pânico nos mercados em março.

Vamos dar uma olhada mais de perto na minha carteira de ações?



Hoje 36,5% da carteira de ações é composta pelo setor financeiro, a maior parte por Itaúsa, é difícil para mim imaginar minha carteira sem esse setor, é sólido e paga bons dividendos. É seguido por outro setor bom pagador de dividendos e estável, Utilidades Públicas, com 33,5%, dominado pela Taesa e pela Sanepar em menor grau, a grande curiosidade é que aqui estão às duas únicas ações da carteira com rentabilidade histórica negativa (Sanepar e Engie Brasil). Os outros setores somam apenas 1/3 da carteira de ações, ali estão ações que não comprei por dividendos e sim pois eu acredito na capacidade de entrega de resultados de longo prazo, em especial o setor de Saúde, que hoje é muito pouco representativo na minha carteira e eu acho que tem um bom potencial para o longo prazo.

Agora os fundos imobiliários:



Aqui eu já falei que não entendo muito nas nuances do setor, a maioria destes fundos acabei comprando pela característica principal do fundo e pelo DY. Eu confesso que talvez alguns deles não sejam os queridinhos do mercado em gestão e qualidade de ativos, e que pode haver opções melhores, mas na época que eu comprei eu considerei adequados e não pretendo vender.

Abaixo uma tabela com o DY Médio nos últimos 12 meses de cada Fundo Imobiliário, essa não é a média de recebimento da minha carteira e sim a média do fundo, resolvi trazer aqui para vocês terem uma ideia de como eles tem pagado:


Agora vamos dar uma olhada nos Proventos e Dividendos que efetivamente eu recebi nesse ano, vamos usar o meusdividendos.com que é por onde controlo o desempenho da minha carteira de renda variável:


Em 2019 foi quando eu comecei a investir em renda variável, entretanto fiz as primeiras compras apenas no finalzinho do ano e com isso não consegui receber nenhum real de dividendos.

Em 2020, os dividendos começaram a pingar aos poucos e depois começaram a criar um ritmo bacana de crescimento. O total de R$ 919,13 recebidos é quase 88% do valor do salário mínimo vigente, ou seja, o meu esforço para economizar um pouco de dinheiro me trouxe quase um salário mínimo extra, é gratificante saber dessa informação, pode parecer pouco no pinga-pinga, mas no conjunto da obra é um valor bem bacana.

Por último, vamos conferir como o desempenho da carteira no acumulado de 2020 se compara com alguns indicadores:


A carteira entregou 4,9% de retorno nesse ano, é mais do que o CDI, o Ibovespa e a Inflação, ou seja, acho que é algo para se comemorar, não sou nenhum gestor profissional e acho que acabei “vencendo o mercado” se comparar com alguns indicadores de referência.

O curioso na rentabilidade é que os 4,92% de 2020 é praticamente idêntico aos 4,93% entregues em 2019, acho que foi uma coincidência interessante. 

É isso... está feita a análise da carteira.


METAS DE 2020: PROJETADO VS. REALIZADO

1.   Aportar R$ 26.958,00 ao longo dos 12 meses.

OK. Consegui aportar R$ 38.137,67 ao longo dos 12 meses, com um detalhe importante, só não consegui entregar um valor maior, pois destinei no final do ano uma quantidade muito significativa para esse “fundo de gastos pessoais”.

2.   Alcançar uma rentabilidade de 5,50% no ano.

A rentabilidade foi de apenas 4,92% nesse ano. A pandemia deu uma boa segurada no desempenho, e a exposição ao CDI que simplesmente despencou muito mais do que o que eu projetava também prejudicou o desempenho dos pós-fixados.

3.   Alcançar um patrimônio de R$ 172.458,00.

OK! Consegui fechar o ano com R$ 184.984,10, o que é muito mais do que o projeto, na realidade, a meta do patrimônio tinha sido entregue ainda em setembro. Eu confesso que cheguei a pensar no auge da pandemia que não ia conseguir chegar na meta.

4.   Buscar melhorar meu relacionamento interpessoal.

Não acho que consegui melhorar significativamente, é uma coisa que tenho que persistir melhorar e principalmente com pessoas que não conheço, sei lá, é algo que incomoda.

5.   Melhorar meu desempenho no trabalho.

Acho que melhorei meu desempenho, tenho desenvolvido novas atividades, porém ainda acho que estou abaixo do que eu espero de mim, melhorei? Sim, mas ainda não acho que cheguei no que considero como ideal. De qualquer forma seria injusto não considerar esse indicador como entregue.

6.   Fazer algum curso, certificação, pós-graduação ou idiomas.

Acabei fazendo um curso no começo do ano que foi extremamente útil para o trabalho. Infelizmente a pandemia (e a procrastinação) não ajudaram a tirar do papel pós-graduação ou idiomas.

7.   Realizar uma bateria de exames básicos de saúde.

Eu já tinha feito no ano anterior e repeti nesse ano. Os resultados foram em geral muito positivos, fiquei satisfeito.

8.   Fechar 2020 com um peso abaixo de 78kg.

A pesagem de quarta-feira (30) indicou um peso de 77kg, durante o ano oscilei no peso dentro da faixa de 76kg-78kg e acho que é o patamar confortável para o meu peso, não fiz academia e nem esportes, o meu IMC está dentro do que é considerado como normal.

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Desejo um excelente 2021 para todo mundo, sem dúvidas o último ano foi difícil e espero que todos fiquem bem e prosperem nesse novo ano.

As metas de 2021 eu estou definindo e devo divulgar no próximo post.

 IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Reflexões sobre 2020

Olá, pessoal!

Estamos a poucos dias do final de 2020, foi um ano desafiador para todos nós, mas acredito que é nas dificuldades que podemos aprender grandes lições e por isso resolvi compartilhar com vocês algumas reflexões sobre esse ano.


- As pessoas no geral tem uma dificuldade extrema em se manterem "distantes socialmente": Pois é, acho isso uma das coisas mais interessantes do nosso ano, caramba, quando a pandemia começou o negócio era suspender bares, restaurantes e reuniões sociais, mas a galera parece não se aguentar, primeiro o drama por estar longe a pasmem 8 ou 10 dias de uma aglomeração, depois com a justificativa de "estamos cansados" voltando todo mundo a se aglomerar.

- A histeria coletiva da pandemia: o vírus de dezembro de 2020 é o mesmo de março de 2020, a forma como as pessoas interagem com o vírus é totalmente diferente, em março todo mundo tinha medo do coronavírus, até mesmo um pânico excessivo, conheço gente que precisou de amparo psicológico, mas de junho pra cá o pessoal deu uma virada e ninguém mais tem medo do vírus, galera tem agido como se fosse uma "gripezinha".

- As "LIVES" sempre foram uma ideia ruim: no começo da pandemia era bonitinho postar um stories no Instagram fazendo um churrasquinho e bebendo cerveja em casa com a TV ligada no fundo na live de algum artista qualquer, mas vamos ser sinceros aqui? Ninguém suporta LIVES, aquilo é tosco, é chato, é insuportável de se assistir por mais que alguns minutos. A modinha não durou nem 30 dias, hoje em dia ninguém mais liga para essa tosquice.

- Bolsonaro gosta de ser contra qualquer coisa, só pelo prazer de ser contra: O presidente mostrou nesse ano que o que ele gosta é de ser do contra, independente do quão absurdo seja algo e do quão grande seja o consenso a respeito de alguma coisa, ele é simplesmente contra, e  tem orgulho de ser contra. Aqui não vamos falar nem da pandemia, ele joga contra conceitos óbvios sobre preservação ambiental, raça e mais um monte de coisas.

- O governo não tem plano nenhum para o Brasil: Em 2020 o governo não fez nada de relevante para o país, o próprio auxílio emergencial foi construído em um improviso dramático no Congresso, depois de criar o gasto o governo se viu enrolado pois como é típico do Brasil é quase impossível eliminar um gasto. A agenda de reformas simplesmente já não existe nem em palavras, é tudo empurrado com a barriga, o próprio presidente não está interessado nisso. O Paulo Guedes só solta palavras aleatórias ao vento, prometendo um monte de coisa que não é capaz de fazer (tal como as privatizações que prometeu entregar em 90 dias) e sempre prometendo uma grande medida para a semana que vem. Não existe agenda nesse governo. 

- O SUS é um orgulho nacional: No geral os brasileiros adoram odiar o SUS, todo mundo reclama da qualidade do atendimento, e os liberais querem um estado mínimo (o que envolve obrigatoriamente o fim do SUS), na realidade nesse ano eu percebi a importância vital dele para o país. O nosso país é muito pobre e a maioria das pessoas não tem condições de pagar um plano de saúde privado e com o emprego nas empresas sendo destruído é cada vez mais limitado o acesso pelos planos empresariais. A saúde privada no Brasil é proibitiva para o brasileiro pobre, por isso eu defendo a manutenção do SUS.

- Desempenho mínimo no trabalho? O máximo é o mínimo. Na iniciativa privada brasileira para você se manter no "jogo" é preciso rodar o tempo inteiro a 100% da capacidade física e mental esperada (não necessariamente é a sua capacidade), qualquer coisa que não seja a plenitude absoluta vai te jogar pra fora rapidamente, acho que caminhamos para resultados desastrosos em longo prazo. Alguém se importa com isso? Infelizmente eu acho que não.

- A queda da bolsa que parecia ser educativa, foi justamente o contrário: Quando a bolsa mergulhou de 115 mil pontos para 105 mil pontos, a turma da "modinha dos investimentos" falava em oportunidade para compra, depois quando ela vou parar na faixa dos 60k-70k, começou um clima de fim de mundo e a galera parecia estar de volta a um pouco de racionalidade, porém a recuperação rápida da bolsa enquanto a economia real está aos frangalhos, fez com que a turminha da modinha se sinta ainda mais confiante, pois eles sobreviveram a três semanas de perdas, e depois a recuperação da bolsa faz eles imaginarem que aguentam perdas, pois é, ainda quero ver se a galerinha conseguiria aguentar um período de como foi 2010-2015, onde quando a bolsa ficou andando de lado por anos.

- Uma bolha de ativos tecnológicos é o legado da crise: Tudo bem, é inegável que empresas ancoradas em serviços digitais se deram muito bem em 2020, é óbvio que Amazon, Netflix, Magazine Luiza e sua turma mereciam uma alta das ações. A reflexão que deixo é: essas empresas justificam tamanha valorização? Seus múltiplos estratosféricos são sustentáveis? 

- O excesso de liquidez está mantendo infladas as expectativas sobre "castelos de areia": Tem muita empresa ruim no mercado, tem empresa sendo avaliada por bilhões de dólares e que não tem se mostrado capaz de entregar resultados práticos, empresas que prometem ser disruptivas mas só entregam prejuízos trimestre após trimestre. O sucesso da Amazon em sair de anos de prejuízo para uma potência global, fez com que alguns acreditem que qualquer amontoado de merda é capaz de fazer a mesma coisa, independente do quão frágil é sua estrutura ou tão inflados seus múltiplos. O mais interessante é ver analistas criando novos critérios que levam você de nada pra lugar nenhum, mas tem um conceito bonitinho e assim desviam os focos para os fundamentos que realmente importam.

- Em investimentos é preciso estar preparado para o improvável: Quem aqui na blogosfera imaginou em 1 de janeiro que a SELIC despencaria para 2% em 2020? Acho que ninguém. Você imaginava ver o barril de petróleo sendo negociado com preços negativos? Eu não. A verdade é que o cenário improvável se tornou real e será que não é hora de parar um pouco e olhar os riscos envolvidos na nossa carteira de investimentos? Aquele CDB do banco pequeno, está valendo o risco? Aquela reserva de emergência em Tesouro Direto tem liquidez suficiente para ser uma reserva de emergência igual os "influencers" tanto recomendam? Será que aquela ação para aposentadoria que você comprou vai continuar relevante daqui 30 anos? 

- Os influencers de investimento do Youtube e Instagram se multiplicaram: tem muita gente que não sabe de bosta nenhuma que vomita conteúdo e fatura muita grana na internet só falando merda e fazendo caras e bocas, um contingente ainda maior vai atrás desses caras pois acha que são isentos. Depois quem fica com o prejuízo é quem seguiu a "dica valiosa", pois infelizmente são poucos os que realmente tem compromisso com o público e conhecimento.

- A "caridade por Instagram" explodiu em 2020: O Instagram é uma terra de egos elevados, todo mundo é perfeito por ali. O que eu achei interessante é que explodiu a quantidade de anônimos e famosos que usaram as  redes sociais para mostrar para todo mundo o quanto são caridosos e preocupados com o próximo. Seja por publicações de artistas e atletas que fizeram doações para o combate a pandemia, ou aquele conhecido seu que foi doar uma cesta básica para uma família necessitada mas que obviamente precisou escandarar a situação humilhante dos receptores da doação para que ele pudesse posar de bom samaritano. 

        - Liberalismo? Opa, sim! Mas só para os outros.: É maravilhoso ver um monte de apoiadores do liberalismo, que prega o desmonte do estado, dos direitos, impostos mínimos e etc pedir e apoiar programas de incentivo a indústria, comércio e tudo mais para as empresas, pedir socorro governamental na pandemia, ora bolas, pensei que o "mercado" iria se regular na pandemia e resolveria todos os problemas como mágica. Francamente, é muito fácil falar do alto de seus apartamentos e mansões em bairros nobres de São Paulo e Brasília e ignorar a vida real do brasileiro que lida com um país sucateado. 

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Se tudo der certo vamos se encontrar novamente em 2021, desejo desde já um ótimo e socialmente distante final de ano para todos. 

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Esse blog não tem a intenção de recomendar investimentos para ninguém. Trata-se apenas um blog pessoal, o objetivo é relatar minha opinião pessoal sobre o tema de investimentos e outros assuntos.
Nenhuma postagem ou comentário neste blog deve ser levada em consideração na tomada de investimentos por ninguém.
Caso deseje orientação sobre investimentos recomendo que procure assessoria especializada no assunto.