domingo, 12 de julho de 2020

Paulo Guedes está perdido


Quem assistiu a entrevista de Paulo Guedes na CNN Brasil a pouco mais de uma semana atrás deveria ter ficado preocupado, mas parece que o mercado não viu ou está fingindo que a entrevista não aconteceu.

A entrevista mostrou que estamos dançando encima de um barril de pólvora, o ministro deixou claro que o governo não tem plano nenhum para a economia daqui até o final do mandato atual. A fala de Paulo Guedes se resumiu em desenhar um país que não existe, no mundo de Paulo Guedes ele vai conseguir privatizar "quatro grandes estatais" até o final de setembro, o país vai se surpreender com uma queda muito menor do PIB em 2020 e a coroação é o envio de uma proposta de reforma tributária (que é uma promessa desde o fim da reforma da previdência e que não saiu do lugar justamente pela incapacidade do governo de apresentar um projeto ao legislativo) que vai taxar dividendos e criar mecanismo de "substituição tributária" escorados em uma nova CMPF que segundo o ministro não é uma CPFM, ainda que cheire como uma CPFM, pareça uma CPMF, funcione como uma CPFM, mas não é uma CPFM pois ele está dizendo que não é e isso deveria bastar.

Na prática quem tem o mínimo de senso da realidade nesse país deve ter em mente que:
  1. A cada semana que passa o Congresso vai se esvaziar cada vez mais diante da proximidade das eleições, o que aumenta a dificuldade de fazer quórum e diminuiu o apetite de deputados em aprovar privatizações polêmicas de grandes estatais.
  2. O governo está entupindo o Congresso de Medidas Provisórias que trancam a pauta o tempo todo, o que prejudica o próprio governo que tem que gastar cartuchos negociando nos acréscimos do segundo tempo para salvar algumas MPs.
  3. É ZERO a chance de sair uma Reforma Tributária nos próximos meses tendo em vista que a proposta se quer foi enviada para o Congresso e é um tema polêmico e que por natureza já se arrastaria por vários meses e com o agravante do período eleitoral que vai ocupar todo o segundo semestre do Congresso. 
  4. Se a Reforma Tributária for aprovada no começo da próximo ano, devemos lembrar do princípio da anterioridade que veda a cobrança de impostos no mesmo ano fiscal em que foram aprovados.
  5. Sem receitas extras em 2021 o governo vai bater no Teto de Gastos e corremos o risco de lidar com ou o colapso financeiro do governo ou a derrubada do Teto de Gastos e por consequência o endividamento de um país emergente ultrapassando os 100% do PIB, o que certamente vai impactar no dólar, na inflação e na economia em geral.

Menos de uma semana depois da fala do Ministro e sem nenhuma ação do governo no sentido de cumprir as promessas de Guedes a bolsa fechou em 100k novamente. Diante desse cenário eu decidi que vou dedicar mais atenção nos próximos meses aos aportes em IVVB11 enquanto estudo mais a fundo a possibilidade de abrir conta em uma corretora nos EUA.

Não estou dizendo que vou deixar de investir em ações e FII's brasileiros, pois meu horizonte de investimento é para daqui a décadas, mas é preciso reconhecer que nos próximos três anos o cenário é muito complicado para o Brasil e requer cuidado na hora de aportar aqui nos trópicos.

Gostaria de ser convencido de que estou errado e que tudo vai dar certo na economia, mas não vejo nada no horizonte que favoreça essa visão.

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IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseje orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Fechamento Junho/2020: R$ 163.282,47 (+1,25%)


A manchete do mês será o ciclone-bomba, como morador do interior do sul do Brasil também tive que lidar com o episódio.Aqui na minha cidade ontem foi um dia bem atípico, me lembro de olhar pela janela do trabalho e que durante todo o dia estava extremamente ventoso, ás arvores se contorciam mesmo sem muitas nuvens no céu. Por aqui ele chegou como temporal no final da tarde, com chuva de granizo acompanhada e bastante vendaval. Os danos foram bem limitados e isolados.

A mídia tem tratado como se fosse um evento extraordinário, concordo que mereça destaque e que em alguns pontos e cidades isoladas os danos foram severos e não devemos menosprezar o fenômeno, mas já vi outros temporais bem piores. O importante dessa notícia é lembrarmos que quão imprevisível é a vida e a jornada da independência financeira representa justamente isso pra mim: uma forma de precaução contra a imprevisibilidade.

Vamos ao fechamento mensal:

Esse foi mais um mês positivo para os aportes, consegui aportar um pouco mais do que eu projetava.
A rentabilidade do mês de +1,25% foi muito boa, é quase a mesma coisa de abril e naquela ocasião a queda forte de março acabava facilitando o resultado de abril.

ETF's: O contínuo apenas com o IVVB11 e fiz um pequeno aporte no final do mês, ele é um ativo importante da minha carteira de renda variável e tem uma boa participação no total (aproximadamente 1/4) e pretendo continuar aportando aos poucos nele no futuro. O dólar no dia do aporte estava em 5,40 se e eu tivesse pego na faixa de 5,00-5,10 eu teria colocado muito mais no IVVB11.

Ações: No geral todas da minha carteira foram bem durante o mês, a única que me deixa com um pé atrás é a Suzano, acho que comprei mal, mas vou continuar com ela por mais um tempo na carteira e quero ficar de olho nos resultados trimestrais. Aportei um pouco em Itaúsa, Gerdau (a pior rentabilidade histórica da minha carteira), Sanepar e Weg.

FII's: Continuam devagar e retomando aos poucos, os dividendos vão pingando cada vez mais no final do mês e isso me deixa animado de investir, só não amplio os investimentos nos fundos imobiliários pois eu me considero inexperiente demais na análise deles e acho que a tributação de dividendos quando vier vai dar uma bela queda e pode ser uma oportunidade para entrar mais forte. Aportei em MFII11, XPLG11 (não anda indo bem, mas galpões logísticos me parecem muito promissores) e KNRI11.
RENDA FIXA: Sem aportes. Sem comentários relevantes.
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VIDA PROFISSIONAL: A minha unidade está passando por um processo de readequação o que vai impactar no organograma, pelo que entendi o meu cargo será extinto. Na verdade não estou mais desempenhando minhas funções habituais que foram pulverizadas e passei a desempenhar novas funções, mas na teoria ainda tenho a mesma função de antes. Na prática o que é provável no meu futuro é:
  • Ser demitido. 
  • Ser transferido para outra unidade e desempenhar minhas atividades anteriores por lá, mantendo o mesmo cargo que ainda ocupo 'oficialmente'.
  • Ser readequado no organograma para o cargo que estou exercendo na prática.
Sei que pode parecer que o cenário tem se deteriorado, mas o clima melhorou muito e com essa readequação ninguém tem falado mais em cortes de funcionários (que é de longe o pior dos cenários), vamos aguardar os próximos capítulos. Vivemos um momento de calmaria. Espero que continue assim rsrs

VIDA PESSOAL: Nada de relevante, tudo na mesma.

Bom julho.

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quinta-feira, 11 de junho de 2020

MINHA VIDA: Nunca foi sorte!

Que coisa mais triste é ver gente dizendo que alguém teve “sorte” quando esse alguém veio da classe baixa e sem nenhum tipo de privilégio ou prêmio da loteria, mas conseguiu melhorar de vida.

Eu nasci e cresci em família pobre, e vez ou outra alguém me diz que “Pi, mas você teve sorte”, pois eu digo que sorte foi uma das poucas coisas que tive na minha vida. O que eu sempre tive foi esforço, consciência e uma proteção de Deus essa última que não faço por merecer.

Enquanto eu crescia nunca tive condições de cursar escola particular ou de cursinhos de idioma ou pré-vestibular, sempre tive que me contentar com a velha escola pública brasileira e a internet para tentar aprender o máximo que eu conseguia. Vários colegas da minha idade vinham de famílias que conseguiam bancar estudos de primeira linha, mas confesso que não vi nenhum deles saber tirar proveito disso.

Quando passei no vestibular e fui cursar a faculdade a minha vida não era nada fácil, eu tinha exatos 30 minutos entre bater o ponto de saída no meu trabalho e o ônibus fazer a única saída do dia pra faculdade (não esqueçam que moro em cidadezinha de interior) em outra cidade. Quantas vezes não tive que me virar nos trinta debaixo de temporal pra não perder o ônibus, tinha que ir a pé até o ponto de ônibus e acabava me molhando. Vários alunos que iam também pra faculdade, conseguiam ir de carro pra faculdade ou pelo menos até o ponto de ônibus, nessas horas eu perguntava a Deus: o senhor é justo comigo? Ele me respondia, mas a resposta de Deus nem sempre conseguimos entender na hora.

Na faculdade eu sempre tentei tirar o máximo possível das aulas, tinha bons, ótimos e péssimos professores, mas independente do quão difícil fosse a matéria ou estressante fosse o meu dia, a faculdade sempre foi meu lugar preferido, lá conheci também meus melhores amigos.

Infelizmente quando arranjei um emprego eu aprendi logo cedo a ter que gastar pouco, na época ganhava um salário mínimo. Acabou que nunca consegui participar de festas universitárias e “saideiras” pra bares, eu nunca tinha dinheiro, na verdade às vezes sobrava um pouquinho, mas eu tinha tanto medo de perder o emprego e não ter como continuar estudando que comecei a guardar desde cedo esse dinheiro.

No trabalho acabei conseguindo uma promoção quase um ano depois de ser contratado, a promoção dava um up no meu salário, eu passava a ganhar cerca de 2 salários mínimos. Eu sempre me considerei um funcionário mediano, não achava que fazia nada de especial, mas meu chefe me disse tempos depois que eu nunca dei trabalho pra ele, sempre cheguei no horário, sempre me esforcei mesmo quando não sabia fazer as coisas e sempre que ele me passou uma tarefa eu corria atrás de fazer, os outros colegas do meu setor e de mesmo cargo eram mais largados, e esses mesmos colegas disseram que eu tinha sorte de ser promovido e que não merecia, pois era só um recém-chegado e eles estavam a mais tempo.

É a partir dessa promoção que começou a sobrar dinheiro, mas resolvi que o aumento precisava ser poupado, claro que consegui separar um pouquinho pra sair uma vez ou outra no mês pra tomar um refrigerante na faculdade e comer um salgado, mas a prioridade era guardar dinheiro.

E foi apenas seis meses depois dessa promoção que surgiu uma nova promoção, a partir daí eu fui promovido ao cargo dos sonhos no departamento, o salário dobrou mais uma vez, e havia alguns bônus e tudo mais. Continuei poupando dinheiro o máximo possível, com o passar dos meses eu ia guardando cada vez mais e construindo uma reserva. Os colegas de trabalho continuavam gastando todo o salário e na faculdade o que não faltava era gente gastando tudo em bebidas e festas universitárias. Como sempre tiver perfil anti-social e meu círculo de amizade também, nunca fui nessas festas.

Nessa época da faculdade conheci aquela que eu imaginei ser “o amor da minha vida”, infelizmente não era nada disso, confesso que me apaixonei e eu tinha poucas experiências amorosas na vida, levou alguns meses pra mim cair na real que ela só queria me sugar, ela não era quem parecia ser (ou quem eu queria que fosse?), e que não ia rolar nada além da friendzone, meus amigos me avisaram e resisti em acreditar, até que percebi a realidade de uma forma não agradável, decidi cortar completamente qualquer contato, confesso que demorei muito mais tempo pra esquecer, mas sabia que cedo ou tarde ela seria só passado e um tempo depois foi isso que aconteceu.

Mais ou menos na mesma época que eu me metia nessa “ilusão amorosa”  começou a martelar na minha cabeça que por mais que eu tivesse um cargo bacana na empresa, eu estava muito distante da minha área de graduação e eu queria voltar pra esse caminho, pois não queria ter um diploma debaixo do braço e não aplicar na prática. Nesse meio tempo resolvi mandar um currículo para outra empresa que descobri que abriria uma vaga. Uns dois meses depois surgiu uma ligação perguntando se eu gostaria de participar do processo seletivo? Topei. Fui aprovado.

O novo emprego veio e novamente acompanhado com as conversas de que eu tinha sorte por parte de quem mal me conhecia, inclusive alguns familiares começaram a ficar com “inveja” (???) e fazer comentários depreciativos sobre mim. No novo emprego consegui bons ganhos salariais e meses depois rolou uma promoção para o cargo que ocupo até hoje.

Acabei me formando na faculdade.

Depois da faculdade resolvi que precisava priorizar minha vida, com uma parte da grana que eu tinha guardado acabei comprando meu carro (um passivo vital no interiorzão) e agora tinha liberdade para ir e vir (e o fim dos banhos de chuva). Também percebi que tinha problemas com ansiedade e na época resolvi dar uma mudada de vida e comecei a perder peso, foram 20kg em pouco mais de um ano.

Comecei a controlar minha vida financeira em planilhas, e a melhorar meus aportes, passei a acompanhar de perto a rentabilidade dos meus investimentos e a melhorar meus aportes. Busquei melhorar meu desenvolvimento profissional com cursos e finalmente chegamos aos dias atuais...

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O que digo é que minha vida não foi fácil, sempre fui pobre, nasci em família humilde e meus pais nunca tiveram empregos de classe média ou as mesmas oportunidade de estudo que eu tive, nunca fui bom em esportes, nunca fui o popular da sala, nunca fui o que as meninas se ofereciam pra ficar,  sempre tive consciência de que a vida não é justa, que eu estava na corrida da vida como os outros, mas que a corrida não era igual para todo mundo, alguns largavam na frente e que cabia a mim me esforçar para alcançar os outros.

Nunca quis ser "o melhor", meu único objetivo é ter uma vida normal, ser um cara mediano, com tranquilidade financeira e boa saúde, não quero ser famoso, não quero ser um desses bilionário, só quero viver a vida com dignidade. 

Não tenho uma vida perfeita, tenho muitos problemas, mas confesso que sinto orgulho de quem sou e até onde já cheguei.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Fechamento Maio/2020: R$ 158.054,65 (+0,61%)



Durante a última semana de maio o governo divulgou os dados do emprego, o resultado é terrível, mas não condiz com a realidade. O Itaú publicou um relatório onde aponta que o desemprego poderia estar em 16% se não fosse a baixa procura por emprego, essa é motivada não pela situação financeira dos sem-trabalhos e sim pelo desalento e pela impossibilidade de procurar emprego causada pela quarentena.

A situação da economia é ruim, e conversando com as pessoas a maioria está desanimada, vejo alguns colegas desistirem de planos que estavam fazendo para os próximos meses e até para o próximo ano. Eu sou de uma geração azarada, tudo bem que ainda sou jovem, mas desde que alcancei a vida adulta nunca desfrutei de um dos períodos de "oásis" econômicos que o Brasil costumava ter historicamente, a maioria de vocês leitores já viveram pelo menos um, dois ou três desses períodos, eu ainda não vivi nenhum deles e é muito triste e frustrante ser jovem em uma época tão difícil, a verdade é que provavelmente a minha geração vai passar toda a juventude em uma época de dificuldades, estamos assistindo uma "geração perdida".

Vamos aos números.


O mês foi muito positivo, acabei conseguindo algumas receitas que não esperava o que ajudou em recuperar as perdas de Abril e garantir um aporte alto. A rentabilidade de 0,61% no mês foi muito interessante e surpreendente, no final acabei conseguindo retomar a carteira para o terreno positivo no ano.

AÇÕES: Não vendi nada. Comprei BBDC4, HYPE3 (novidade na carteira e primeira ação de saúde) e SAPR4. Eu continuo na filosofia de escolher empresas de setores estáveis e com boas perspectivas de longo prazo. No mês passado eu tinha mencionado que não investira em ações, mas acabei percebendo que cedo ou tarde boas empresas vão voltar a subir sua cotação e seus resultados e com isso é bom aproveitar os preços baixos, ainda mais eu que penso no longo prazo.

FII's: Melhoraram muito durante o mês, não investi em nenhum FIIs.

ETF's: O IVVB11 avançou nesse mês e continua sendo o líder da minha carteira de renda variável no quesito retorno obtido. Acabei não aportando nele pois achava o preço do dólar muito descolado da realidade quando fiz os aportes na bolsa, se tivesse pegado o dólar em R$ 5,30-5,40 eu teria mandado alguma grana pro IVVB11.

VIDA PROFISSIONAL: A situação no trabalho que era de incógnita em Abril começou a se deteriorar ao longo de Maio, vários colegas começaram a ser demitidos nos últimos dias e parece que ainda teremos mais demissões pela frente. Confesso que a situação não é nada confortável, estou com medo de perder o emprego.

VIDA PESSOAL: Não fiz nada de relevante, continuo em quarentena o máximo possível (ótimo para a saúde e o bolso). 
O que tenho evitado são redes sociais, em especial o Facebook aquele lugar virou uma arena de debate político e fake news de todos os lados. Tenho preferido me manter alheio a tudo isso.
A Pandemia tem mostrado episódios de egoísmo e intolerância, aqui no interior do Brasil o vírus chegou pra valer depois da segunda quinzena do mês e as pessoas estão sendo intolerantes com os contaminados, tenho assistido verdadeiros linchamentos virtuais da imagem e dignidade dos contaminados, é ódio puro. Confesso, às vezes tenho mais medo de ser contaminado e sofrer com o "linchamento moral" do que dos sintomas do vírus.

Bom junho.

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.


sábado, 16 de maio de 2020

Minha opinião sobre a pandemia


Para muitos de vocês leitores que moram nos grandes centros urbanos o COVID19 já é uma realidade no cotidiano, mas para as pequenas cidadezinhas ele ainda é algo distante, bom, no meu caso isso era verdade até semana passada.

A Secretária de Saúde confirmou durante essa semana o primeiro caso de COVID19 na cidade, quando você mora em um lugar pequeno e onde todo mundo conhece todo mundo, você passa a ver o rosto da doença. Eu confesso que mesmo levando a sério a pandemia e tentando tomar todas as medidas de prevenção e mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde a doença chegaria, quando o primeiro caso foi confirmado o choque foi grande, é uma sensação de que por mais que seja um fato e ele seja esperado, você acaba não querendo acreditar.

Eu conheço pessoas do grupo risco, tenho familiares no grupo de risco. Na minha caminhada para o trabalho antes de tudo isso começar as ruas eram ruas cheias de pessoas varrendo a calçada, conversando amenidades entre vizinhos, crianças indo e vindo da escola, enfim o que era a vida normal foi substituído por ruas desertas e as poucas pessoas que ainda transitam já não param para conversar como antes.

Aqui na cidade o comércio chegou a ficar fechado por alguns dias, já faz várias semanas que tudo voltou a abrir, mas é inegável que o faturamento dos comerciantes caiu muito, claro, e isso vale para todos os setores, desde as lojas de roupas passando por toda a economia e chegando até nos supermercados que Brasil afora são considerados como beneficiados da crise, o que não é 100% uma verdade, no caso destes é real que as pessoas estão cozinhando mais em casa, recebendo amigos em casas e evitando sair pras ruas, mas é real que com a dificuldade de frequentar os supermercados e a limitação de pessoas dentro do estabelecimento a tendência é deixar de comprar alguns itens considerados supérfluos, o que faz estoques ficarem parados e como sabemos os produtos tem data de validade e com margens pequenas nesse setor, o lote descartado no lixo faz diferença no fechamento do mês.

O temor nas pessoas é grande pela demissão, as empresas já estão cortando funcionários no interior, e confesso que achei os números expressivos por aqui. Aqueles poucos que fizeram uma reserva de emergência vão tocar o barco até a crise passar, mas sabemos que poucos tem reservas e ainda menos são aqueles que tem condições de ficarem pelo menos 1 a 2 anos sem renda. O que me deixa triste é ver pais e mães de famílias perdendo o emprego com crianças pequenas e com membros doentes da família que dependem de tratamentos caros ou do plano de saúde que não podem mais contar. É inimaginável o que se passa na cabeça dessas pessoas.

É vendo o COVID19 fazer vítimas não apenas pelo vírus mas pelo reflexo na economia que fico cada vez com um sentimento mais pessimista sobre o mundo que vivemos, as coisas parecem que só tem piorado e quando surge um sinal de melhora tudo volta a piorar, eu sou jovem ainda, mas vejo a volta dos bons tempos da economia ser algo cada vez mais distante ou até impossível.

Parece que tudo de ruim acontece de forma ainda pior no Brasil, o mundo parece estar saindo da crise de COVID19 e nós continuamos a afundar cada vez mais, como é possível uma coisa dessas? Eu acho que a raiz do problema é a negligência de décadas e décadas na educação, o brasileiro passa por um sistema educacional que não consegue formar um senso crítico, por isso essas fake news e ideias estúpidas acabam se espalhando tão fácil nesse país, se fossemos um país com um nível educacional melhor certamente essas teorias da conspirações que ultrapassam o ridículo não seriam levadas a sério por tanta gente. Só para deixar claro o problema da nossa educação não é restrito a classes mais baixas, a "elite" também é parte do problema, por mais que frequentem boas escolas elas funcionam para construir uma bolha que impede de ver a realidade do país.

O país só vai sair dessa situação quando as pessoas acordarem pra realidade e pensar no que vamos fazer no dia de amanhã e como vamos fazer isso juntos, essa crise pede união entre as pessoas e cooperação. O grande problema do brasileiro é que somos um povo que se acha: gentil, acolhedor, generoso e hospitaleiro, mas é nessas épocas que vemos infelizmente a verdadeira face desse país, é aqui que o "jeitinho brasileiro" mostra-se tão nocivo, pois o "jeitinho" envolve tentar tirar vantagem de tudo ou achar que a lei só vale para os outros e que você não precisa cumprir ela pois se acha "especial".


Enfim, nesse texto passei por muitos tópicos mas resolvi escrever ele conforme as ideias iam surgindo na mente. O momento é delicado e precisamos fazer a nossa parte. Vamos se esforçar para sairmos disso como pessoas melhores!

Bom Maio.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Fechamento Abril/2020: R$ 150.020,32 (+1,38%)


Eu não quero ser pessimista, mas acho que a situação da economia só está piorando e a maioria dos brasileiros ainda não se deu conta do tamanho do problema que vamos enfrentar, e isso não é só o brasileiro médio que não está enxergando ou alguém acha coerente a alta da bolsa de +10,5% em Abril?

Na minha opinião é evidente que o COVID-19 vai continuar por muito mais tempo do que o esperado, então a volta a rotina normal é praticamente impossível e vamos ter que conviver com o tão falado "novo normal", o problema é que o "novo normal" vai destruir a nossa economia, estava conversando com amigos a alguns dias sobre o impacto no setor de lazer e turismo, existem cidades inteiras no Brasil que vão enfrentar um nível de stress econômico sem precedentes, e mesmo em cidades sem esse perfil é inegável que bares, restaurantes, pizzarias e etc não conseguem sobreviver nessa nova ordem social, ou você leitor acha que limitar em 1/3 a ocupação máxima de um restaurante consegue dar viabilidade para o negócio? Francamente, estamos diante de um problema sério e engana-se quem pensa que será apenas esses setores, com a demissão dessa galera vamos assistir um efeito cascata na sociedade, começando pelo setor de comércio e serviços e depois alcançando todo o resto.

Alguns analistas falam que os primeiros balanços ainda não retratam bem essa desorganização da economia e vamos assistir momentos sombrios na divulgação de balanços do segundo trimestre. Diante disso resolvi que por hora e até que seja possível enxergar uma luz no final do turno vou me abster de investir em ações da bolsa brasileira, vou dar preferência para ir acumulando recursos em renda fixa e talvez investir em alguma coisa exposta ao dólar, em especial o IVVB11.

Só para frisar eu não apoio a abertura geral da economia e a volta irrestrita para a vida normal, ainda tenho juízo na cabeça.

Vamos aos números:
Esse mês fui beneficiado pela recuperação da bolsa que jogou minha rentabilidade para cima, porém ainda acumulo prejuízos com a renda variável. 

Na minha carteira de ações apenas duas estão com rentabilidade positiva (TIET11 e TAEE11) e as duas piores rentabilidades são de BBDC4 e GGBR4, ambas acumulando respectivamente -43% e -42% de prejuízo, mesmo com uma rentabilidade tão horrenda (fruto de ter errado no timing de compra) eu não pretendo vender nenhuma das duas, acredito que ambas são empresas que vão se recuperar no médio-longo prazo, porém não pretendo aportar nelas no momento, pois acho que uma janela vai surgir nos próximos meses.

Nos FIIs eu não tenho nenhum destaque, reconheço que acompanho muito pouco os FIIs que possuo, vejo que todos pagaram dividendos. Os destaques na rentabilidade sendo: RBFF11 e MXRF11 com rentabilidade positiva e XPLG11 com rentabilidade de -19%.
O único ETF que eu tenho é IVVB11 e tem se mostrado um ótimo investimento, está com rentabilidade histórica de +11,56%.

APORTE: Esse mês precisei resgatar dos meus investimentos pelo surgimento de gastos imprevistos, foi algo pontual e espero não ter que repetir esses resgates por um bom tempo. O resgate foi feito de um CDB com liquidez diária.

VIDA PROFISSIONAL: A situação no trabalho é uma verdadeira incógnita, impossível comentar qualquer coisa no momento.

VIDA PESSOAL: Nada relevante. Aliás acho grotesco como algumas pessoas não conseguem simplesmente ficar em casa nessa quarentena, não me refiro a pessoa que precisa sair pra trabalhar, mas tem muita gente reclamando que quer sair de casa, ir pra farra, viajar e tudo mais, sinceramente pra mim esse povo tem uma vida de lixo e precisa dessas injeções de sensações para se enganar. 

Esse mês foi marcado pelas LIVES de artistas, sinceramente eu não vi nenhuma e não entendo esse frison, acho que é fruto da abstinência social de boa parte da sociedade por isso acham a coisa mais incrível do mundo, eu acho tosco. 

Todos tem nessa época uma oportunidade de passar um tempo com a família, você tem que valorizar!

IMPORTANTE: Esse é um blog de cunho pessoal, nada do que escrevo aqui deve ser levado como recomendação de investimento, estou apenas compartilhando minhas experiências e não recomendo a ninguém que tome decisões baseadas em algo que eu escrevo. Caso você deseja orientação sobre investimentos procure especialistas no assunto.