segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Fechamento Julho/2022: R$ 268.648,75 (+2,13%)

Estamos avançando pelo segundo semestre e é possível dizer que a economia brasileira tem se saído melhor do que o esperado, apesar da alta prevista de 2% do PIB ser medíocre para um país emergente, o nosso histórico de crescimento não é dos melhores e devemos comemorar qualquer PIB positivo.

O que mudou em 2022? Aparentemente de fatores positivos temos apenas o boom das commodities e a ótima safra que deve ser colhido após dois anos de secas acima da média no centro-sul do país. Do lado negativo, o Brasil continua com um péssimo vício de usar qualquer espaço no orçamento para gastos populistas e de longo prazo. O ajuste fiscal feito no governo Temer e no começo do governo Bolsonaro é simplesmente um redirecionamento de recursos e que ninguém se engane com o suposto superávit das contas públicas, ele só vai acontecer por conta da PEC dos Precatórios e dos gordos dividendos que o governo está recebendo.

A corrida presidencial está começando nas próximas semanas e o cenário é dos mais desanimadores, é muito difícil imaginar que qualquer candidatura com a exceção das de Lula e Bolsonaro tenham viabilidade eleitoral, e justamente as duas candidaturas viáveis mostram até agora uma ausência de plano de governo para os próximos quatro anos, são apenas discursos vagos.

Acompanhei nos últimos dias as entrevistas dos presidenciáveis na GloboNews, gostei da Simone Tebet, ela não promete nada mirabolante e tem propostas centristas que pregam encontrar um meio termo entre os diversos interesses, mas como acreditar que ela pode ser presidente do país com 2% das intenções de voto faltando 60 dias para a votação?

Desde já deixo o meu repúdio que Lula e Bolsonaro estejam fugindo de debates e entrevistas (exceto aquelas feitas dentro da própria bolha), eles jogam dentro da própria bolha onde ninguém os questiona sobre temas espinhosos, contradições e planos para o governo. Espero sinceramente que ambos tenham a dignidade de participar de pelo menos três ou quatro debates de primeiro turno e da entrevista do JN no final de agosto (essa entrevista do JN é muito boa não pelo conteúdo em si, mas pela condução sempre agressiva dos jornalistas que ajudam a mostrar como os candidatos lidam com a pressão).


A rentabilidade em julho foi de +2,13%, o melhor desempenho até agora de 2022 e com isso a rentabilidade nominal acumulada no ano é de -0,32%, uma baita redução em termos nominais, entretanto em termos reais a rentabilidade está sofrendo muito com a inflação alta.

O desempenho foi puxado por esse sentimento global de que o pior já passou, o que eu pessoalmente não vejo sentido e acredito que a tendência ainda é mais de baixa do que alta dos mercados globais nos próximos meses.

Em julho foram recebidos R$ 367,43 em proventos, em comparação com o mesmo mês do ano passado o crescimento foi de +85,7%. No acumulado do ano temos R$ 2.640,06, um crescimento de +82,4%. O mês contou com dividendos atípicos de HGLG11 que pagou um não-recorrente.

Aportes: O menor aporte do ano até agora com R$ 1.335,12. É historicamente um mês de baixos aportes para a carteira e por isso decidi mandar para Renda Fixa (R$ 1.313,69), comprando IPCA+2026 com uma taxa de 6,08%. O restante foi apenas o reinvestimento dos dividendos do mês na Avenue, com a compra de SCHP (ETF de títulos de inflação americana).

Também fiz uma troca de ativos na carteira, optei por vender VINO11 e comprar RURA11.

Ações: A temporada de balanços acabou de começar e por ora acompanhei o resultado de duas companhias da minha carteira. A WEG que mostrou um balanço sólido, mas com sinais negativos nas margens, apesar disso a administração da empresa é extremamente qualificada e continua sendo um baita ativo, adoraria comprar mais de WEG, entretanto se ela caísse um pouco mais seria mais palatável.

A Suzano apresentou um lucro muito modesto, mas sua geração de caixa continua absurdamente grande e com a empresa crescendo seu resultado operacional. A situação da Suzano é interessante, a empresa está com uma perspectiva tão favorável de Caixa que resolveu investir ainda em sua estrutura produtiva neste ano e anunciou mais um programa de recompra de ações. Os meus objetivos com a Suzano são de longuíssimo prazo, espero colher os frutos somente na próxima década e a cotação andando de lado enquanto a empresa entrega evolução de performance me deixa muito satisfeito.

 FIIs: Vendi VINO11 por conta de aquisições que tem se mostrado pouco interessantes e da alavancagem do fundo, a rentabilidade dos aluguéis era muito baixa e a perspectiva de longo prazo parecia frágil.

A opção pela compra de RURA11 é que gosto do Itaú como gestora e considero que a carteira do fundo é atrativa por ser um fundo agro de papel com perfil com foco maior em high grade, o fundo ainda é jovem e está terminando seu processo de alocação, mas já está entregando proventos na faixa de 1% a.m. O financiamento do agronegócio é um case interessante de investimento, é o setor da nossa economia com a melhor competitividade e com ótimas perspectivas de longo prazo, por isso acredito que a tendência é o desenvolvimento do mercado de capitais.

ETF: Oscilando ao sabor do FED.

Renda Fixa: Estava pensando em comprar uma LIG IPCA+, mas são tantas restrições de horários para encontrar no site da Ágora que preferi o tradicional TD IPCA+.

Vida profissional: A crescente pressão por entregas de projetos. A reestruturação que comentei no começo do ano e que parecia provável simplesmente sumiu do radar nos últimos meses, hoje ninguém fala no assunto e não tem havido nenhuma movimentação a respeito.

Vida pessoal: Nada de relevante.

AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Fechamento Junho/2022: R$ 261.706,18 (-0,68%)

Todo mundo está querendo saber até onde vai o FED, e nesse mês eu vi e ouvi muita gente dando os mais diversos palpites, desde aqueles que esperam um FED extremamente agressivo com juros na faixa dos 6% daqui alguns semestres até aqueles que acreditam que logo o FED vai se dar conta de que é 2% a sua taxa natural e máxima para a economia. O que eu acho que vai acontecer?  Não faço ideia.

A realidade é que o que vimos até agora da pequena alta dos juros e a retirada de liquidez dos mercados é mais do que suficiente para mostrar quem estava nadando pelado na maré da liquidez, estamos assistindo ao vivo o lema “O caixa é o rei” sendo posto mais uma vez a prova e passando. O que não falta no Brasil e no mundo são empresas extremamente alavancadas que rezam todo dia para a queda dos juros, pois é provável que logo mais assistiremos os primeiros pedidos de falência e recuperação judicial. Por outro lado, as boas e velhas empresas da velha economia mostram resiliência e ótimas perspectivas de lucros e dividendos futuros.

A história nunca se repete, mas rima.

No mês de junho a rentabilidade da carteira oscilou entre o levemente positivo nos primeiros dias, passando por uma forte queda negativa no meio do mês. No final terminamos com -0,68% de rentabilidade mensal, com -2,41% de rentabilidade no acumulado anual.

Considero que foi um desempenho satisfatório para a carteira, com alguns bons ativos performando relativamente bem e a composição da carteira que inclui quase 60% de participação em Renda Fixa Pós-Fixada e Pré-Fixada IPCA+ Curto ajuda a amortecer essas oscilações.

Um espetáculo de dividendos no mês. O valor total creditado no mês foi de R$ 541,12, ou seja, o segundo melhor resultado da série histórica. O crescimento na comparação com o mesmo mês do ano passado foi de +151,09%. No acumulado deste ano já alcançamos R$ 2.272,93, um bom crescimento de +82,0%.

Aportes: No total foram aportados R$ 2.751,31 em junho. É um pequeno crescimento de +6,13% no total aportado. Os aportes foram destinados para:

BBSE3: Comprei mais um pouco de ações já pensando na provável distribuição de bons dividendos em agosto. O Banco do Brasil tem performado bem e a perspectiva de Selic alta faz do setor um bom destino de aportes.

SUZB3: Continuo apostando na Suzano para o longo prazo, apesar de ser uma empresa de commodities, ela tem planos claros de expansão, um mercado consumidor que ainda deve crescer muito e a vantagem do custo baixo. No final do mês ela anunciou um novo projeto de construir uma fábrica no Espírito Santo. É uma aposta de longo prazo.

GGBR4: Aqui está uma aposta de risco na carteira. A Gerdau tem perspectiva de pagar bons dividendos no curto e médio prazo, a empresa não passa por um ciclo de investimentos e está bem madura, mas tem uma exposição relevante a América Latina e Estados Unidos, com a queda da construção civil nos EUA pode ser prejudicada. Acabei aportando por conta da queda de -23% no mês, acho que precificou bem.

Nos EUA aportei os dividendos recebidos dos ETFs apenas em SCHD (ETF de empresas pagadoras de dividendos).

Ações: O mês foi bem morno por conta da entressafra de resultados. O Bradesco anunciou e pagou dividendos complementares, mas ficou abaixo do que eu esperava. A Cyrela despencou ainda mais (nessa ação vou ficar de olho no comportamento do endividamento, se mostrar boa situação do voltar a aportar).

No último dia do mês acontece um leilão de transmissão, não consegui acompanhar os resultados para entender se foram feitas boas aquisições pelas empresas da carteira.

Fundos Imobiliários: Não acompanhei de perto durante o mês. O que fiquei sabendo é que rolou um problemão com um imóvel do BTRA11, parece que o fundo comprou um imóvel todo enrolado e que faltou um pouco de atenção na hora de analisar a documentação. Na hora que me informei sobre o assunto já corri me informar se isso poderia ser um problema no RZTR11 que tenho na carteira, a princípio o que foi informado pela gestão do fundo após consulta de um cotista é que os fundos operam com formas de atuação diferentes.

ETF: Lá fora tudo derretendo durante o mês.

Renda Fixa: Tudo na mesma. No meio do mês consegui ver na Ágora as famosas LIG IPCA+, entretanto como já tinha renovado minha LCI decidi não fazer nenhum aporte no momento.

Vida profissional: Participei de um processo interno para uma vaga na matriz. Infelizmente não fui selecionado, cheguei a última etapa e conservei com o gestor da área, saí da entrevista com a sensação de que tinha passado, alguns dias depois veio o e-mail padrão informando a recusa. Fiquei sem entender.

Vida pessoal: Nada de relevante.

AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Fechamento Maio/2022: R$ 260.736,60 (-0,04%)

No mundo de juros zero surgiram as famosas SPACs, empresas que surgiram do nada com o objetivo de captar bilhões no oceano de liquidez dos Bancos Centrais. Na época o conceito de SPACs era um verdadeiro sucesso em Wall Street, nada melhor do que dar o dinheiro para um CNPJ investir em uma série de empresas, sem precisar aguardar para que essas empresas investidas passassem por um processo de IPO. O negócio de SPACs sempre veio acompanhado de metas de crescimento elevadas, o que era um prato cheio para a liquidez dos mercados de juro zero.

Agora estamos descobrindo que vários desses investimentos não estão sendo tão promissores como o pensando, com vários investimentos sendo duramente questionados quanto a capacidade de se manterem de pé. É sempre válido lembrar que quando você tem um negócio que devora caixa, é preciso que ele seja abastecido com fluxos de caixa dos investidores para manter a engrenagem rodando, enquanto isso acontece a tendência é que o negócio se mantenha em pé. O problema é que o dinheiro sumiu! Parece que o mundo descobriu que não importa o quanto de dinheiro você coloca em um negócio e o quão incrível seja a análise dos “indicadores alternativos”, se uma empresa não é capaz de fazer a lição básica: ter um fluxo de caixa saudável e lucro operacional. Que por coincidência não são aqueles indicadores fora de moda até pouco tempo atrás?

A maré da liquidez está baixando rápido e a queda média de -60% das SPACs tem algo a dizer sobre isso.

O mês de maio encerrou com rentabilidade de -0,04%, ou seja, ficamos praticamente no zero a zero. Entretanto não vejo motivos para pessimismo, pelo contrário vejo que existem várias oportunidades na bolsa brasileira e americana e falta dinheiro para aproveitar.

No acumulado do ano a rentabilidade é -1,76%, muito distante da meta anual.

A renda passiva em maio alcançou R$ 574,72, o que é um crescimento de +17,9% em comparação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a maio alcançamos R$ 1.731,81, uma alta de +67,5%.

Gostei muito do desempenho da renda passiva em maio, tendo em vista que batemos o recorde histórico. A Taesa não distribuiu dividendos referentes ao resultado do 1ºTrimestre de 2022, o que se tivesse acontecido o resultado desse mês teria sido ainda melhor.

Aportes: Zerei a minha posição de MXRF11 e com o valor da venda dividi entre CPTS11 e KNSC11. Com o dinheiro novo deste mês fiz aportes no Brasil e nos EUA. No fechamento do mês passado mencionei que uma ordem de compra de Alupar não tinha sido executada, a ordem acabou cancelando e fiz a aquisição dentro de maio.

As compras e o racional por trás delas foram os seguintes:

  • ALUPAR: A empresa está concluindo um ciclo de intensos investimentos que começou em meados de 2017, a maior parte dos gastos devem ser concluído entre o final desse ano e do próximo e as novas linhas de transmissões devem entrar em operação mais ou menos nesse mesmo período. A minha expectativa é que a empresa comece a distribuir um volume maior de dividendos nos próximos anos.
  • BB Seguridade: O resultado do 1º Trimestre me agradou e especialmente o crescimento do volume de vendas o que me deixou com a expectativa da empresa entregar bons dividendos nos próximos anos. A BB Seguridade é uma empresa estatal, entretanto o setor de seguros chama muito menos atenção de governantes do que o setor de petróleo e os bancos públicos.
  • Suzano: Comprei a Suzano depois de analisar essa empresa que estava abandonada na carteira. Estudando um pouco mais a fundo descobri que a empresa tem o menor custo de produção do mundo no setor de celulose, e está fazendo pesados investimentos no Projeto Cerrado que deve agregar uma enorme capacidade produtiva nos próximos quatro ou cinco anos. A Suzano está em um ciclo de investimentos, e em um ramo de atuação onde é difícil surgirem novos concorrentes tendo em vista que o Brasil é um ótimo local para se plantar florestas, que crescem rápido e tem um custo baixo. A demanda mundial de papel e celulose deve crescer nos próximos anos.

Só para reforçar que nenhum post que escrevo deve ser visto como recomendação de investimentos.

Nos EUA os investimentos foram nos tradicionais ETFs americanos: SCHD (ETF de pagadoras de dividendos), SCHP (ETF de títulos públicos de inflação) e VNQ (ETF de Real Estate).

Ações: Os balanços do primeiro trimestre me agradaram, quase todas as empresas da minha carteira reportaram lucros consistentes e boas perspectivas de longo prazo.

Estou de olho na WEG S.A para os próximos meses, a empresa dispensa apresentações sobre a qualidade da administração, entretanto como tudo mundo sabe da qualidade da WEG os múltiplos sempre são estratosféricos (30x ou mais o P/L), agora parece que a ação está ensaiando uma queda e vou ficar acompanhando de perto.

Fundos Imobiliários: O MXRF11 se envolveu naquela polêmica com a CVM, apesar de tudo ter sido resolvido e esclarecido pela CVM, entretanto não quero mais ter o ativo na carteira pois estou com um pouco de birra da qualidade dos FIIs da XP, por isso decidi vender. O CPTS11 e KNSC11 são de duas gestoras sólidas e entregam um Yield mais atrativo.

No geral tenho questionado a capacidade dos FIIs de corrigem a inflação no valor da cota de longo prazo. No momento não pretendo me desfazer da posição de Fundos Imobiliários, mas não vou fazer novos aportes.

ETFs: O dólar caiu e o S&P500 ficou no zero a zero. Nada de relevante por aqui.

Renda Fixa: Minha LCI venceu no final do mês, cheguei a procurar as famosas LIGs da Ágora, mas não encontrei nada disponível no site e olha que entrei pelo computador e no horário da manhã. No final decidi renovar a LCI com taxa de 99% do CDI que foi a proposta do banco.

Vida profissional: Nenhuma novidade sobre a reestruturação da unidade. Tudo segue na mesma.

Vida pessoal: Nada de relevante.

AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.

domingo, 15 de maio de 2022

Esquerda e Bolsonarismo estão presos no passado


            A Folha de S. Paulo divulgou nesta semana que existe um estudo dentro do Ministério da Economia para promover alterações no FGTS através de uma Medida Provisória, a medida repercutiu mal e rapidamente foi “recusada” pelo cidadão que ocupa o cargo de ministro. O foco do post não é mais uma trabalhada do governo e sim uma reflexão sobre a dificuldade da esquerda e da direita em encarar a realidade do Brasil moderno.

            Essa proposta de fim do FGTS (ou “aprimoramento”?) prega a redução de 40% para 20% da multa por rescisão de contrato de trabalho e reduz a contribuição do empregador de 8% para 2% do salário dos trabalhadores. É praticamente um consenso nacional que o FGTS como é modulado hoje não é tão eficiente como poderia ser, entretanto os dois grandes polos políticos o enxergam de formas que são pouco favoráveis aos trabalhadores.  

   Do lado bolsonarista o fim do FGTS é a alternativa proposta, enquanto os bolsominions Celetistas metidos a investidor acreditam que o dinheiro do FGTS seria melhor administrado por eles invés do fundo remunerado a 3% + parte dos lucros, isso como se os empresários fossem repassar o valor do FGTS para os trabalhadores. Do lado do governo o foco é a ideia de que com o fim do FGTS os empresários promoveriam uma onda de contratações e que isso simplesmente não seria incorporado ao lucro das empresas.

           Do lado da velha esquerda brasileira, o FGTS é visto como fonte de recursos para o financiamento de projetos habitacionais subsidiados e de obras públicas de prefeituras e estados pelo país. O Fundo é visto com o objetivo de garantir recursos para o financiamento do desenvolvimento do país, sem que necessariamente se olhe para a viabilidade econômica e eficiência de aplicação dos recursos.

            O debate entorno do FGTS é apenas um símbolo da desesperança política brasileira. Os protagonistas políticos do país não propõem nenhuma alternativa moderna e adequada aos desafios do século XXI, estão presos em soluções e debates do século passado.

O bolsonarismo liberal, não consegue enxergar a economia 4.0, acredita que a ideia de baratear os custos trabalhistas é a única forma de desenvolver o país, essa é uma tática que poderia dar certo se fosse aplicada a 30 ou 40 anos atrás, em um período onde empresas de nações desenvolvidas abandonavam seus países para instalar-se em países do mundo em desenvolvimento em busca de mão-de-obra barata. Hoje empresas estão fazendo justamente o caminho contrário e buscando manter suas plantas o mais perto possível do mercado consumidor, evitar problemas logísticos e garantir a eficiência e velocidade do processo de levar uma mercadoria da fábrica até o consumidor final é o mote do momento, em uma economia cada vez mais automatizada o trabalhador de um país pobre não consegue competir com a automação.

Na velha esquerda brasileira, o debate está parado praticamente na mesma época. O foco ainda é pregar uma velha agenda de nacional-desenvolvimento, apostar no estado como indutor de todo a economia, ter ojeriza ao papel que empresas e o mercado podem desempenhar melhor do que o governo e um foco demasiado em velhas questões acadêmicas-filosóficas e não nos problemas reais das pessoas e mesmo quando focam nesses problemas, o debate é elitizado e complexo demais e recheado de "mimimi" para que chegue as classes populares. 

            Como nenhuma vertente política no país debate ideias de aprimorar o FGTS? Que tal transformar ele um Fundo de Investimento, com papel social e mantendo a possibilidade de saque para a compra da casa própria, em caso de demissão e com a destinação de parte das aplicações do fundo para financiamento de programas de moradia para baixa renda, enquanto o restante do fundo seria destinado a aplicações em títulos públicos referenciados ao IPCA+? Quem sairia ganhando disso? O trabalhador brasileiro e a economia do país, com mais recursos sendo disponibilizados para investimentos, o trabalhador tendo um colchão melhor para enfrentar o desemprego e a manutenção do financiamento subsidiado para famílias pobres.

            Talvez alguma outra ideia também pudesse ser aplicada! Mas para isso é preciso debater novas alternativas para o país, e me desculpe amigo leitor, mas não percebo nenhum dos lados interessado.

               É mais fácil odiar o outro lado do que resolver os problemas do país.

domingo, 1 de maio de 2022

Fechamento Abril/2022: R$ 254.450,26 (-0,99%)


É complicado tentar prever para qual caminho a economia vai escolher em um horizonte de curto ou médio prazo, mas os sinais indicam que a tendência é para uma desaceleração da economia global, entretanto ainda não consigo afirmar se isso implicará necessariamente em uma recessão global. E é de dúvidas que minha cabeça está cheia, principalmente quando penso na economia americana e no FED.

Enquanto o FED promete elevar os juros com um pouco mais de vigor nas próximas reuniões e analistas discutem se teremos juros americanos em 3% ou em 5% nos próximos trimestres, o presidente americano parece viver uma realidade paralela. Desde a época das eleições de 2020, confesso qu me empolgava com a candidatura democrata, Joe Biden sempre transmitiu para mim um ar de presidente fraco e com tendências a ser governado do que em governar, isso não é necessariamente problemático em regimes parlamentaristas, mas em países de presidencialismo como os EUA e o Brasil é um sinal de fraqueza. É só ver a forma como lidou com a saída do Afeganistão, como tem lidado com o expansionismo chinês pelo Pacífico e mais recentemente com a crise da Ucrânia, pois apesar das duras sanções iniciais fica-se claro que a estratégia americana passou a ser de uma guerra por procuração onde a sobrevivência dos ucranianos é apenas um detalhe, o que importa é desgastar os russos a qualquer custo.

É inegável que a Rússia está errada em invadir a Ucrânia, mas é arriscado demais essa estratégia de confronto ofensivo contra Putin. A estratégia do Ocidente parece ser deixar a Rússia sem saída e não oferecer uma saída para Moscou é algo arrisco demais para alguém fraco como Biden coordenar.

O FED sobe seus juros enquanto a classe média americana é forçada a pagar a conta de uma mais lambança de Biden.

No Brasil, a saída de Sergio Moro do cenário presidencial beneficiou diretamente o Bolsonaro, o atual cenário favorece e muito o petista, mas não dá para descartar completamente o atual presidente, ele tem a máquina do governo e seu discurso parece ter uma boa aceitação com o brasileiro médio na faixa dos 40-50 anos de idade. Na minha opinião tal como nos EUA em 2020 a eleição de 2022 no Brasil parece caminhar para a escolha entre duas alternativas ruins.


Em abril a carteira registrou uma rentabilidade negativa de -0,99%, o que significa um desempenho acumulado no ano de -1,77% e um resultado histórico de +6,70%.

O mês chegou a começar a animador, mas as coisas começam a decair principalmente depois do feriado de Tiradentes. Se a rentabilidade negativa da carteira é o copo meio vazio, o copo meio cheio é a oportunidade de continuar comprando boas empresas por múltiplos abaixo do que considero o justo, em especial para uma carteira de dividendos de longo prazo é uma época interessante.

Aportes: Ao todo foi aportado R$ 3.749,13 neste mês. Cheguei a pensar em mandar tudo para os EUA na época que o dólar estava abaixo dos R$ 4,70, mas depois com a escala do dólar para R$ 5, decidi que ia deixar por aqui mesmo a grana.

De forma complementar ao aporte decidi fazer uma troca tática com as ações do Bradesco, optei por vender minhas 286 ações de BBDC4 e comprar 350 ações de BBDC3. Lendo sobre a teoria do Bastter de que sócio é ON, cheguei à conclusão de que faz sentido e por isso resolvi fazer essa alteração. No futuro pretendo fazer a mesma troca com outros ativos que tenho PN, talvez mantendo apenas Itaúsa onde não vejo muito sentido.

As compras e seus racionais foram:

Cyrela: pois gostei da prévia operacional e acho que o segmento de alta renda será menos impactado pela alta dos juros.

Itaúsa: deixou de pagar dividendos para investir em si própria, com novas aquisições e um preço que anda de lado considero que estou comprando uma empresa maior e melhor por um preço menor.

Hypera: o setor é muito interessante e estava abandonada na carteira desde a única compra que fiz lá em maio de 2020. A média de dividendos é próxima de 4%, mas vejo as últimas aquisições e resultados como positivos e aderentes a estratégia da minha carteira.

Também decidi mandar o dinheiro para a corretora com alguns dias de antecedência e cadastrar ordens de compra com vigência até o último dia do mês, isso na expectativa de comprar um pouco mais barato e aproveitar de alguma oscilação. As ordens não executadas seriam compradas a mercado de qualquer maneira na virada do mês. Por sorte todas foram executadas, com exceção de Alupar, onde cadastrei errado a data e acabou expirando antes do final do mês e só me dei conta quando o mercado já tinha fechado na sexta-feira. No próximo mês será aportado.


Foram creditados em conta R$ 232,94 neste mês, deixando esse mês como o segundo melhor no ano e aparentemente consolidando a faixa acima de R$ 200 como o novo piso dos dividendos. O resultado representa um crescimento de +70% em comparação a abril do ano passado.

O acumulado de 2022 em dividendos é de R$ 1.157,29, representando uma alta anual de +111,8%.

Ações: Pouco a comentar ao longo do mês. A temporada de resultados acabou de começar e na minha carteira por ora sem grandes destaques. O que vou me limitar a mencionar é que considerei positivas as prévias operacionais de Cyrela e BB Seguridade.

Estou na expectativa pela forma como Taesa e Bradesco vão entregar os resultados trimestrais, espero bons dividendos da primeira e melhora do segundo.

Fundos Imobiliários: Acompanhei de longe a carteira durante o mês, confesso para vocês que estou um pouco decepcionado com o desempenho dos fundos. Olhando os gráficos históricos de cotação e de proventos, parece que eles sempre são cotados por mais ou menos o mesmo valor e pagam mais ou menos o mesmo provento. Onde está a reposição da inflação? Acredito na tese dos fundos imobiliários, mas acho que funcionam melhor se levarmos em conta a capacidade de renda na perpetuidade.

Renda Fixa: Sem nenhuma movimentação na carteira e começo a estudar o que fazer com a LCI que vencerá no final de maio.

Ativos do exterior: O S&P500 tem sofrido bastante, mas a minha carteira tem se saído relativamente bem quando excluímos a variação cambial. A minha aposta em SCHD, SCHP e VNQ é uma aposta em tem historicamente sofrido menos volatilidade nessas épocas turbulentas. Cadê a galerinha das modinhas e de ARKK? Tô fora.

Vida Profissional: Uma outra filial passou por reestruturação neste mês e infelizmente isso envolveu o corte de funcionários. A reestruturação provavelmente envolveria a troca de gerência da minha filial, que não é positivo pois tenho uma relação que considero boa. Na minha unidade não chegou nenhum tipo de aviso, mas estamos na expectativa, a rádio peão só fala disso.

Enquanto assisto essa saga e tento buscar uma posição segura eu recebi um não ‘definitivo’ do RH para transferência lateral, ou seja, minha única saída da filial é via promoção. Um colega me falou de uma vaga com promoção que abriria em uma unidade distante de casa, é uma vaga interessante, mas tem muita gente brigando por ela e na empresa a tendência é optar por alguém da própria unidade.

Por ora é ir vivendo um dia de cada vez e torcer para que no final tudo fique bem. Como sou investidor é bom saber se que o pior acontecer não vou estar ferrado completamente já que tenho um bom patrimônio para me manter e também não tenho financiamento de casa para pagar e nem filhos para sustentar. Agora é triste ver colegas de trabalho que hoje ocupam cargos que são literalmente extintos nesse processo e que não parecem nada preparados financeiramente para o desemprego. Talvez até volte abordando esse raciocínio em um post específico. 

Vida pessoal: Apenas me limitei a sair com meus amigos mais próximos durante o mês. É bom conservar boas amizades. Acho bizarro pessoas que acham que tem 15, 20 amigos, muito provável que na verdade não tenham nenhum. Eu não acho que nenhum adulto consiga ter mais de que três ou quatro amizades de verdade.

AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Fechamento Março/2022: R$ 253.248,79 (+1,13%)

 

A economia dos EUA está vivendo um dos períodos mais pujantes da história recente. O desemprego recua a níveis próximos do pleno-emprego, enquanto milhões de vagas estão disponíveis no mercado de trabalho frente a uma oferta muito menor de trabalhadores interessados a preenchê-las. Nos bancos os americanos nunca guardaram tanto dinheiro. E a economia segue extremamente dinâmica com até mesmo fábricas de grandes companhias anunciando a construção de plantas em pleno solo americano, em um possível sinal dos novos tempos da economia 4.0, onde os salários menores em países subdesenvolvidos já não são tão atrativos para grandes corporações.

Do outro lado vemos a curva de juros dos EUA se invertendo, com vários analistas projetando de que quando o FED subir suas taxas para 2% (ou seria 3%) a.a, a economia entrará em colapso e mergulhará o país em uma imensa recessão, inclusive vi “analista” no Twitter projetando queda de até 50% quando um suposto crash dos juros se materializar.

Em cenários como esses é que precisamos voltar nossa estratégia dentro os conceitos básicos que nos fazem investir. Eu pessoalmente estou aqui pelo longo prazo, pela busca de bons investimentos sólidos, lucrativos e inseridos em mercados que indicam ter capacidade de manter a relevância daqui 20 a 30 anos. É nessas águas duvidosas de 2022 que sigo navegando com tranquilidade, enquanto fujo de fazer “grandes apostas” ou se meter na modinha do momento.

Vamos ao fechamento mensal.

Depois de dois meses complicados no começo do ano, é hora de comemorar um resultado positivo. O mês de março registrou +1,13% de rentabilidade, por outro lado, o desempenho ainda que positivo não foi o suficiente para apagar o acumulado negativo dos dois meses anteriores, faltando ainda 0,79 p.p para voltar para o zero a zero, e isso sem falar da já significativa defasagem para o CDI.

Agora vamos dar uma olhada na renda passiva:


Em março foram recebidos R$ 484,51 em dividendos. No mesmo mês do ano passado o recebimento havia sido de R$ 174,91 (+177%). Os principais destaques são os gordos dividendos da Itaúsa e da Engie. O mês foi tão positivo em dividendos que ficou por um triz de ultrapassar maio do ano passado (na época foram R$ 486,93).

No exterior foi o mês de receber os dividendos trimestrais de SCHD e VNQ, que se completaram com o dividendo de SCHP e alcançaram R$ 61,38, o melhor resultado em dividendos do exterior desde dezembro.

O bacana é que no primeiro trimestre de 2021 os dividendos haviam somado R$ 409,99, enquanto nesse ano alcançou R$ 924,35 (+125%).

Aportes: Todos os aportes foram feitos nos últimos dias do mês. Ao todo o aporte foi de R$ 3.856,47. Desse total aproximadamente R$ 65 foram alocados em SCHD através da Avenue, trata-se apenas do reinvestimento dos dividendos recebidos dos ETFs americanos.

No Brasil os investimentos foram feitos em ações, ETF e fundos imobiliários. Eu percebi que não vinha deixando claro a proporção dos investimentos em cada ativo:

            - Alupar (ALUP3): 110 ações

            - BB Seguridade (BBSE3): 40 ações

            - Cyrela (CYRE3): 3 ações

            - ETF do S&P500 (IVVB11): 4 cotas

            - Kinea Securities (KNSC11): 8 cotas

O racional por trás desses investimentos foi buscar exposição a ações defensivas e que podem se beneficiar da alta dos juros (BB Seguridade) ou que estão finalizando seu ciclo de investimentos e entrando em um momento de consolidação (Alupar). Enquanto isso, decidi aproveitar a baixa do dólar para investir em S&P500. A aposta em KNSC11 é em busca do bom yield do fundo que é alinhado com a qualidade da gestão, pensei em investir em tijolos, mas me lembrei já o tinha feito no mês anterior.

Ações: Incrível como nenhuma das minhas ações brasileiras sofreu em março, fiquei acompanhando ao longo de todo o mês para encontrar boas ações descontadas na carteira e que oferecessem uma chance de entrada. Acredito que não encontrar essas oportunidades é sinal de que consegui construir uma carteira sólida e que é resistente aos ruídos do mercado.

Na análise específica de cada ativo posso dizer que gostei da Cyrela, pois a empresa entregou um balanço sólido no quarto trimestre e por focar no público de alta renda eu acredito que sofrerá pouco com a desaceleração (recessão?) da economia.

Fundos Imobiliários: Todos andaram meio de lado em março. Entretanto decidi que vou me desfazer de MXRF11 quando ele voltar ao preço de R$ 10 ou se aproximar desse patamar, o ativo é muito enrolado e analisando mais de perto vejo que poderia entregar mais. Se eu sair do MXRF11 o destino será outro fundo imobiliário e provavelmente algum da carteira (talvez um mix entre CPTS11 e KNSC11).

Acabei sendo forçado a abrir conta na Genial para ter acesso ao meu informe de rendimento do MALL11, decidi me render e abrir a conta quando percebi colegas da internet que não tiveram nenhum respaldo da CVM ou do Bacen quando abriram reclamação.

ETFs: O dólar despencou e o valor na carteira acompanhou, de qualquer forma não vejo motivos para preocupação no longo prazo.

Renda Fixa: Liquidei todas as minhas posições em títulos pré-fixados, acabei deixando a RF um pouco de lado e quando fui olhar na corretora vi que a maioria dos meus títulos estavam travados na faixa de 7% a.a (vencimentos em 2025 e 2026), fiz uma conta rápida e vi que seria mais vantajoso trocar para o IPCA+2026. Acredito que escolhi um bom momento, peguei taxas na faixa de IPCA+5,40%-5,50% a.a.

Vida Profissional: Na saga da reestruturação da empresa surgiram algumas novidades. A princípio sondei a possibilidade de conseguir uma transferência lateral para outra unidade, conversei com o gestor e recebi um positivo dele de que sondaria com o RH a possibilidade da transferência, o RH, entretanto vetou a ideia de uma transferência lateral e indicou que deveria buscar uma transferência com promoção.

No final do mês recebi de um contato interno a informação de que por ora a ideia de reestruturar está congelada. De qualquer forma não estou muito confiante das coisas terem sido colocados na geladeira, vou manter vocês atualizados de eventuais novidades.

Vida Pessoal: Acabei saindo apenas em um final de semana do mês e não gastei muito. Com a tensão no trabalho resolvi racionalizar os gastos.

AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.

terça-feira, 1 de março de 2022

Fechamento Fevereiro/2022: R$ 246.573,42 (-1,10%)

Antes de qualquer coisa eu já quero deixar claro que sou totalmente contrário a violação da soberania da Ucrânia pela Rússia, e minha torcida é para que Kiev de alguma forma consiga sair dessa ameaça e mantenha sua liberdade, a minha opinião pró-Ucrânia acredito ser a mesma da quase totalidade do povo brasileiro, entretanto o presidente do Brasil acredita que fazer acenos ao Putin e ir contra a opinião pública brasileira é vantajoso para ele em ano eleitoral. Quem aconselha esse homem?

A Rússia viu suas reservas internacionais serem praticamente confiscadas, o que é um problema sério para a avaliação sobre a capacidade de solvência do país (apesar da boa situação das finanças e da dívida russa), tudo foi feito em poucos dias e na base da canetada. Isso me fez pensar sobre o risco de confisco nos investimentos pessoais e como podemos nos proteger deles?

Alguns vão dizer “é por isso que o Bitcoin é o futuro”, olha sei que esse tópico de criptomoedas é polêmico e tem defensores apaixonados, mas acho complexo imaginar que qualquer pessoa possa ter seu patrimônio em ativos tão voláteis quanto o Bitcoin e seus similares, é só ver o que está acontecendo em El Salvador. Outros vão dizer que “só a diversificação salva!”, mas a Rússia tinha reservas bem diversificadas entre EUA, Europa, Reino Unido, Japão e outros países.

Que tal imóveis físicos? Bem, acho que apesar de muito mais raro o simples confisco, é muito difícil imaginar que ninguém possa inventar uma canetada.

O que eu quero dizer com tudo isso é que tenho medo de que no futuro governos sem dinheiro para bancar a previdência e seus gastos, acabem sendo pressionados a confiscar dinheiro de quem poupou a vida inteira. O que impede isso? Absolutamente nada.

É um começo de ano pouco sem muito a comemorar, a rentabilidade da carteira afundou ainda mais e em comparação ao já negativo mês passado (-1,10% em fevereiro), é o segundo pior resultado dentro de um mesmo mês desde o pânico em março de 2020.

A queda dos ativos no exterior são o maior problema, além dos ativos em Nova York estarem se desvalorizando o dólar perdeu muito valor frente ao real e mesmo com a recuperação no finalzinho do mês a queda acumulada nas primeiras semanas foi capaz de fazer grandes estragos na minha rentabilidade.

Dividendos: Foram recebidos R$ 226,60 ao longo do mês. É bacana ver que os R$ 200 parecem ser o novo piso dos dividendos. Destaque para os dividendos de BB Seguridade.

Aportes: Recebi a PLR + Bônus do segundo semestre no mesmo dia do salário no começo do mês, porém a tensão russa estava no ar e decidi aguardar um pouco antes de aportar, acabei tentando adivinhar o mercado, as coisas pioraram e eu pensei que fosse o momento certo de entrar, acabei entrando em 15 de fevereiro com aportes na Avenue (SCHD 50%, SCHP 30%, VNQ 20%), comemorei o bom dólar que peguei (no dia com o spread fechei a R$ 5,30 o câmbio) parecia tudo bem até que alguns dias depois o dólar mergulhou ainda mais... no final achei que tinha ganhado, mas na verdade perdi.

Por sorte não tinha aportado tudo e deixei um pouco para o final do mês, transferi o dinheiro para a corretora na quarta-feira (23) no começo da noite já decidido a aportar no dia (24), o que acabou por coincidência acontecendo no mesmo dia da invasão da Ucrânia.

Aqui está uma questão de disciplina, normalmente eu defino onde vou aportar vários dias antes de lançar a ordem de compra, faço isso na expectativa de evitar “paixões de momento”. Acabei seguindo fielmente a lista de compras apesar dos bons descontos, cheguei a olhar os preços de outros ativos antes de mandar a ordem de compra, vi Petrobras anunciar ótimos dividendos e mesmo assim com -2% no pregão, poderia ter comprado? Sim. Mas optei por seguir a lista.

Com a disciplina em foco acabei comprando: KNSC11, KNRI11, HGLG11 e Engie. Depois que encerrei as compras percebi que sobrou uma rapinha na corretora e comprei Sanepar.

O total de aportes foi de R$ 11.585,13 no mês, um crescimento em comparação ao último ano. Entretanto se não fosse um intenso enxugamento de gastos, acho que teria ficado mais ou menos no mesmo patamar do ano passado. O bônus veio levemente menor.

Ações: No geral a safra de balanços tenho avaliado de forma mista. Gostei do resultado de Itaúsa e principalmente dos comentários pós-balanço reforçando a visão de crescimento da companhia. Também achei positivos os resultados da Weg e da BB Seguridade.

A Engie apesar do lucro quer despencado continua se mostrando focada em uma estratégia segura de longo prazo.

Pelo lado negativo ficam os resultados de Bradesco (lucro abaixo do esperado e não entendi o que a empresa planeja para o futuro, se quer fazer novas aquisições e investimentos ou se pretende distribuir dividendos) e de Rumo Logística (resultados fracos e li em alguns sites que a comercialização de frete para a safra desse ano não foi feita em preços tão interessantes). Por ora, acho que vou retirar do radar o aporte nessas duas companhias até entender melhor o que planejam.

Fundos Imobiliários: A polêmica do MXRF11 foi embora. Decidi apostar na qualidade das gestoras e menos nos dividendos que são capazes de entregar.

A gestão é remunerada com o capital que pertence aos sócios dos fundos e é por isso que elas devem ter em mente que precisam fazer o melhor trabalho possível em defesa dos interesses dos cotistas, infelizmente algumas gestoras só tem pensado em formas de extrair mais dinheiro através de emissões sem sentido, péssimas alocações e cobranças de taxas e mais taxas. Vou focar em uma transição para ativos de valor.

Por ora estou satisfeito com a carteira de Fundos Imobiliários.

ETFs: Com o dólar recuando e as bolsas pressionadas no exterior, a rentabilidade mingou. A estratégia permanece a mesma e vou continuar aportando com foco no longo prazo.

Renda Fixa: A SELIC subiu e minha rentabilidade melhorou. Por enquanto não planejo novos aportes, é preciso ver como a questão ucraniana vai impactar a inflação.

Vida profissional: No mês passado mencionei que a minha unidade passaria por uma reestruturação, por enquanto nada aconteceu. Apesar disso algumas movimentações que tenho visto na empesa parecem sinalizar que isso acontecerá. Eu não acho que meus colegas de trabalho estejam cientes de algo, eu pretendo não compartilhar.

Nesse meio tempo decidi me inscrever para uma vaga interna na empresa em outro estado, ainda não recebi retorno ou algum tipo de contato, não considero que eu tenha chances significativas de conseguir a vaga, mas acho que não custa nada tentar.

Vida pessoal: Estou de folga no feriado de carnaval, mas vou passar em casa. Eu tinha planos de viajar para a praia nesse feriado, mas com as notícias da reestruturação na empresa resolvi dar uma apertada nos gastos.

Eu acho lamentável que a festa foi privatizada nesse país. O pobre não pode se divertir pois tem que trabalhar no feriado, mas os ricos podem viajar à vontade e fazer festas em chácaras e clubes. O pobre tem que ir trabalhar no comércio e indústrias de muitas cidades, pois os patrões simplesmente decidiram ignorar a tradição da folga no Carnaval, enquanto eles mesmos vão viajar e curtir. Enfim, o Brasil de 2022.

AVISO: Esse blog é apenas um relato de experiências e opiniões pessoais, trata-se da visão do autor e aplicada apenas a singular realidade social, psicológica e econômica em que ele está inserido. Tendo isso em mente o leitor deve desconsiderar qualquer postagem ou comentário desse blog para a tomada de decisão sobre investimentos. Se você leitor deseja orientação de investimentos, procure profissionais qualificados.